2013-02-20

Subject: Baleias beneficiam de acções de redução de ruído nos mares

 

Baleias beneficiam de acções de redução de ruído nos mares

 

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@ BBC

Os cientistas estão a trabalhar para reduzir os níveis de ruído provocado pelo tráfego marítimo a que as baleias estão sujeitas no Atlântico norte, pois este atingiu um tal grau que está a dificultar a comunicação dos animais entre si, o que, por sua vez, afecta a sua capacidade de obter alimento e de encontrar parceiros para acasalar.

Os investigadores conseguiram persuadir as companhias de navegação a alterar as suas rotas de forma a contornar a zona de Boston nos Estados Unidos.

Os capitães usam agora uma iPad App que os ajuda a compreender a localização das baleias e lhes permite abrandar para as evitar e reduz o barulho, mas os cientistas esperam que também possa limitar o número de colisões acidentais.

As águas ao largo da Nova Inglaterra são lar de muitas espécies de cetáceos e muitas delas estão a sofrer o impacto do aumento dos níveis de ruído. Investigação recente, apresentada no encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) sugere que o ruído oceânico tem duplicado todas as décadas nos últimos 30 anos.

Mark Baumgartner, da Instituição Oceanográfica Woods Hole, reproduziu o som de um porta-contentores a passar, tal como uma baleia o ouviria, e foi algo impressionante, um ribombar avassalador. "Como vos parece que seria a vossa vida com isto permanentemente na vossa cozinha, quarto ou local de trabalho, a toda a hora?", perguntou ele. "O ambiente acústico das baleias é assim sempre."

O efeito desse trovejar constante é a redução do alcance das comunicações das baleias.

"É como se estivéssemos a conversar numa discoteca e fosse difícil percebermo-nos com o ruído de fundo. Muitas palavras perdem-se e não percebemos o significado do que nos está a ser dito", explica Baumgartner. "Para as baleias, o oceano é assim actualmente."

Há tanta actividade mercante nos oceanos, e toda ela tão ruidosa, que os cientistas estão preocupados com o efeito que o ruído está a ter sobre as baleias.

A comunicação social é necessária para que se possam encontrar para actividades importantes, como acasalar, e não é claro o que a quebra dessa capacidade de comunicação significará para elas. 

Mas os navios não se ficam pela perturbação da comunicação entre baleias, eles também colidem frequentemente com elas e Dave Wiley, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) observou as consequências em primeira mão: "Os nosso cientistas encontraram ossos estilhaçados e enormes hematomas, indicativos de um abalroamento por um navio."

A cada ano, uma ou duas baleias-francas do Atlântico norte são atingidas por navios nesta zona. Pode não parecer grande coisa mas é suficiente para preocupar as organizações conservacionistas pois estima-se que restem apenas 500 destas baleias na natureza e são frequentemente as mães com crias que são atingidas.

 

Wiley e a sua equipa está, por isso, a trabalhar com as autoridades portuárias de Boston para encontrar uma solução para o problema. Partilharam entre si os dados sobre a localização das baleias e os detalhes das rotas comerciais marítimas e, em conjunto, decidiram-se por uma nova rota que reduzirá o encontro de baleias e navios em 81% e aumenta o tempo de trânsito dos navios em apenas 9 a 22 minutos.

A nova rota foi por isso aceite pela Organização Marítima Internacional e, desde então, tem sido usada pelos navios voluntariamente.

Wiley também ajudou a desenvolver uma aplicação iPad que fornece informação em tempo real sobre a localização das baleias por toda a costa leste americana, de forma a que os navios possam evitar as grandes concentrações de cetáceos.

O enorme porto de Boston fica próximo dos arranha-céus do centro financeiro da cidade e 1500 navios atracam e parte dele todos os meses, na sua maioria grandes porta-contentores e navios de transporte de produtos petrolíferos.

Milhares de postos de trabalho estão dependentes deste comércio mas muitas companhias estão, ainda assim, a dizer aos seus capitães para utilizarem a Whale App e alterarem a rota.

Andy Hammond, director-chefe executivo da Associação dos Pilotos do Porto de Boston, diz que a indústria compreendeu que com um pequeno inconveniente podem fazer muito pela sobrevivência das baleias: "Ao início houve alguma resistência quando se falou de reduções de velocidade mas estranhamente descobrimos que os navios abrandam muito mais do que o exigido. Quando nos apercebemos de que não afecta praticamente nada o porto, aceitámos bem." 

 

 

Saber mais:

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Baleias francas em risco mais uma vez

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