2013-02-18

Subject: Ansiolíticos nos rios tornam peixes mais agressivos

 

Ansiolíticos nos rios tornam peixes mais agressivos

 

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@ Nature/Bent ChristensenQuantidades mínimas de um medicamento ansiolítico vulgar que acabam nos esgotos, depois de serem excretados para a urina dos pacientes que os tomam, alteram de forma significativa o comportamento dos peixes, revela um novo estudo agora conhecido.

O medicamento torna os peixes tímidos destemidos, anti-sociais e vorazes, descobriram os investigadores.

O oxazepam pertence à classe de medicamentos conhecida por benzodiazepinas, os medicamentos ansiolíticos mais prescritos em todo o mundo, é pensa-se que seja altamente estável em meios aquáticos. Actua estimulando os sinais dos neurónios que reduzem a actividade cerebral, ajudando os pacientes a relaxar.

Um artigo publicado na última edição da revista Science vem agora colocar o medicamento na crescente lista de produtos farmacêuticos que escapam ao tratamento de águas residuais intocados e podem estar a afectar as comunidades de água doce. Um composto químico presente nas pílulas contraceptivas, conhecido por 17-β-estradiol, e o medicamento antidepressivo fluoxetina (Prozac) já são conhecidos por alterar o comportamento do peixinho-de-engodo Pimephales promelas, e o popular anti-inflamatório ibuprofeno reduz o comportamento de corte dos machos de peixe-zebra Danio rerio.

Tomados em conjunto, os dados sugerem que os testes para a detecção de possíveis poluentes devem ir além da mera catalogação das doses fatais ou altamente tóxicas, diz Todd Royer, ecologista na Universidade do Indiana em Bloomington. “Este estudo salienta realmente a importância dos efeitos não letais”, diz ele.  Mesmo que um medicamento não mate ou provoque toxicidade aguda, pode estar a alterar “a estrutura da comunidade e outros processos do ecossistema".

Para seguir os efeitos do oxazepam, Tomas Brodin, da Universidade de Umeå, Suécia, começou por medir a concentração do medicamento no rio Fyris, um pequeno curso de água numa região densamente povoada da Suécia.

Descobriu que as percas Perca fluviatilis do rio acumulavam o medicamento nos músculos a concentrações mais de seis vezes as encontradas na água. Concentrações semelhantes já tinham sido encontradas em cursos de água perto de zonas povoadas por todo o mundo, diz Micael Jonsson, ecologista da Universidade de Umeå e co-autor do estudo.

Seguidamente, percas jovens foram expostas em laboratório a duas concentrações de oxazepam: uma de cerca do dobro da concentração encontrado no rio Fyris e outra cerca de mil vezes superior. Mesmo a menor concentração alterou drasticamente o seu comportamento, diz Jonsson. As percas não medicadas são tímidas, preferindo manter-se em território familiar e apenas ocasionalmente espreitam para o tanque maior mas os peixes medicados, no entanto, abraçam o desconhecido, nadando prontamente em direcção a território novo.

Para além disso, quando as percas não medicadas nadam em direcção a outros peixes da mesma espécie, as percas medicadas afastam-se dos seus compatriotas. Os peixes expostos ao oxazepam também eram bem mais rápidos a banquetear-se com zooplâncton introduzido nos tanques.

 

Jonsson diz que ao princípio ficou surpreendido: “Os medicamentos ansiolíticos são vulgarmente vistos como calmantes e apaziguadores mas nos peixes eram o contrário." Mas ele agora especula que o medicamento leva a que os peixes sejam menos inibidos pelo medo. “Se os peixes estavam ansiosos, talvez o medicamento reduza essa ansiedade e lhes permita ser mais activos."

Se o medicamento tem o mesmo efeito na natureza, pode estar a afectar todo o ecossistema envolvente, diz Jonsson. As jovens percas alimentam-se de zooplâncton, que, por sua vez, se alimenta de algas. Se os peixes medicados devoram mais zooplâncton, as algas podem florescer e até mesmo explodir.

Mas Jonsson alerta para a dificuldade que há em extrapolar dados do laboratório para o meio natural. Os efeitos ecológicos do oxazepam no apetite podem ser compensados se as percas mais corajosas encontrarem em risco de tornarem elas próprias presas mais fáceis, por exemplo."

“De que forma este trabalho laboratorial pode ser traduzido para o seu feito sobre populações naturais é uma incógnita”, concorda Charles Tyler, ecotoxicólogo da Universidade de Exeter, Reino Unido. “Não temos ideia nenhuma da resiliência das populações na natureza."

Entretanto, as perspectivas de resolução do problema dos produtos farmacêuticos nas águas residuais parecem pouco prometedoras. A remoção ou tratamento dos compostos químicos antes de serem lançados nos rios pode revelar-se proibitivamente cara com a tecnologia actual, diz Tyler, e pode implicar uma enorme pegada de carbono.

 

 

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