2013-02-13

Subject: Plantas 'vetam' genes maus?

 

Plantas 'vetam' genes maus?

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Kristopher Grunert/CorbisDuas publicações procuram ressuscitar alegações de que as plantas conseguem rejeitar a hereditariedade de um gene mutado vindo dos seus progenitores, favorecendo uma cópia ‘ancestral’ saudável dos seus avós.

Susan Lolle, geneticista vegetal agora na Universidade de Waterloo, Canadá, foi a primeira a publicar evidências (em 2005) de que as plantas tinham passado correctamente genes duas gerações à frente, ainda que o genoma da geração intermédia tivesse apenas uma versão mutada.

Este tipo de hereditariedade exigiria alguma reserva escondida de informação genética fora do DNA, sugeriram alguns, talvez no RNA transcrito a partir dos genes saudáveis, que a planta usaria então para corrigir o gene mutado. Se verdadeiras, estas descobertas virariam do avesso o conceito moderno de hereditariedade genética e, como seria de esperar, foram recebidas com considerável cepticismo.

Dois grupos de investigadores relataram posteriormente que tentativas de reproduzir essas descobertas tinham falhado. Os resultados originais não representavam uma nova forma de hereditariedade, defenderam estes investigadores: em vez disso, as experiências originais foram simplesmente contaminadas por pólen de outras plantas que transportavam o gene ancestral. “Todos recuaram depois disso”, diz Raphaël Mercier, biólogo vegetal no Instituto Nacional Francês de Investigação Agrícola de Versailles.

Mas Lolle recolheu agora mais dados que ela considera vêm fortalecer a sua posição. Num artigo publicado no mês passado na revista F1000Research, Lolle relata que as células em zonas de uma única erva-estrelada Arabidopsis thaliana adulta podem conter um gene ancestral, em vez da versão parental encontrada no resto da planta. Isso, diz ela, apoia a sua teoria que as plantas de alguma maneira mantêm uma cache de informação para além da sua sequência de DNA e abole as preocupações com o pólen poluente.

“Se acreditarmos na veracidade das experiências, estas são observações muito intrigantes”, diz Animesh Ray, biólogo de sistemas no Instituto de Graduação Keck de Ciências da Vida Aplicadas em Claremont, Califórnia.

A próxima preocupação, no entanto, é a contaminação de um tipo diferente. A metodologia usada para caracterizar as células dependem da reacção em cadeia da polimerase (PCR), um método de produção de grande número de cópias de uma amostra de DNA, um método notoriamente dado a contaminação.

 

Lolle diz que tomou medidas para limitar a contaminação e repetiu as suas experiências vezes suficientes para tornar a probabilidade de resultados espúrios ridiculamente pequena mas Ray considera que ficaria bem mais confortável com os dados se Lolle e a sua equipa tivesse realizado mais experiências controlo para garantir que a contaminação não está em questão.

Luca Comai, biólogo vegetal na Universidade da Califórnia, Davis, não recusa os novos resultados mas permanece duvidoso. “Há realmente uma cache genética mágica que permite que memórias antigas de DNA passado possam emergir? Não vejo evidências convincentes disso."

Para apoiar ainda mais as suas alegações, Lolle aponta a publicação de um segundo artigo, também na revista F1000Research, de um grupo independente que afirma ter encontrado evidências do mesmo fenómeno, desta vez quando estudavam a síntese de vitamina C em A. thaliana. Mas Comai e outros consideram que este artigo ainda os convence menos pois não elimina a possibilidade de contaminação por sementes errantes.

Apesar do cepticismo que grassa no campo, Lolle e os seus colegas merecem crédito de perseguirem um problema difícil, diz Ray. “É preciso coragem para actualmente tentar compreender estes acontecimentos complexos e podem estar no rasto de alguma coisa."

 

 

Saber mais:

Descoberto mecanismo de controlo da floração

Suprimida recombinação sexual de genes em plantas

Geneticistas criam a nova geração de culturas transgénicas

Transgene produz odor que atrai guarda-costas

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2013


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com