2013-02-10

Subject: Cara a cara com o mais antigo ancestral dos placentários

 

Cara a cara com o mais antigo ancestral dos placentários

 

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@ Nature/Carl BuellApós um asteróide ter dizimado os dinossauros, excepto os que evoluíram para as actuais aves, um pequeno animal peludo esgueirava-se pela floresta em busca de insectos. 

O seu aspecto pouco impressionante dava poucas indicações de que os seus descendentes viriam, um dia, a dominar o planeta.

Uma equipa de cientistas americanos e canadianos veio agora reconstruir a aparência e anatomia deste animal, o pioneiros de todos os placentários, com um detalhe sem precedentes, usando um conjunto recorde de dados de características anatómicas e sequências genéticas.

O animal revelou-se um insectívoro peludo que trepava às árvores, pesando entre 6 e 245 gramas. Dava à luz crias cegas e peladas, uma de cada vez, tinha o cérebro altamente circunvulado e três pares de molares em cada maxilar.

“É como focar uma imagem desfocada", diz a principal autora Maureen O’Leary, paleontóloga na Universidade Estadual de Nova Iorque em Stony Brook. “O facto de se tratar de um pequeno animal não é uma surpresa”, acrescenta ela mas a reconstrução é mais detalhada do que tudo o que já tinha sido tentado e fornece uma imagem contra a qual futuros fósseis podem ser comparados.

“Quase que se pode contar o número de pêlos que tinha na cabeça", diz Olaf Bininda-Emonds, biólogo evolutivo na Universidade Oldenburg, Alemanha, que não fez parte do estudo.

A análise, publicada na revista Science, confirma que os placentários se diversificaram algumas centenas de milhares de anos depois dos dinossauros não avícolas se terem extinguido, pelo que grupos como os roedores e os primatas nunca partilharam o planeta com os répteis pré-históricos. Esta conclusão é apoiada pelo facto de nunca terem sido encontrados fósseis de placentários datados de antes da extinção dos dinossauros há 65 milhões de anos mas contradiz os estudos genéticos que colocam a origem do grupo há cerca de 100 milhões de anos.

Os investigadores analisaram mais de 4500 características anatómicas, quase dez vezes mais que os estudos anteriores, incluindo características de 86 mamíferos vivos e extintos.

“A matriz de dados que reuniram é de cair o queixo", diz Bininda-Emonds. “Sem dúvida fornece uma das melhores estimativas das relações evolutivas entre os mamíferos placentários até à data."

A equipa levou dois anos a identificar as características que queriam analisar e outros três a recolher todos os dados, um exercício complicado por nem sempre os investigadores falarem a mesma linguagem científica. “A terminologia usada para certas características anatómicas varia de grupo para grupo", diz a co-autora Nancy Simmons, curadora do departamento de mamologia do Museu de História Natural em Nova Iorque. “Eu, trabalhando com morcegos, posso chamar a uma dada estrutura X e outro que trabalhe com baleias pode chamar-lhe Y."

 

Os investigadores reforçaram os seus resultados anatómicos com DNA, ou dados moleculares, de espécies vivas. Eles carregaram todos os seus dados, definições e figuras de apoio no Morphobank, um pacote de software online para a construção de árvores filogenéticas de espécies que os membros do grupo tinham ajudado a desenvolver ao longo do curso do projecto.

A árvore filogenética resultante dos mamíferos placentários pode ajudar a resolver alguns debates muito antigos. Por exemplo, sugere que os musaranhos arborícolas e lémures voadores são igualmente aparentados com os primatas. A árvore filogenética dos placentários também mostra que os Afrotheria, o grupo de mamíferos africanos que inclui elefantes e aardvarks, evoluiu a partir de ancestrais norte e sul-americanos que estão agora extintos.

Este animal deve ter vivido após a Gondwana se ter dividido nas actuais massas terrestres do sul, pelo que os seus descendentes devem ter nadado ou de alguma outra forma viajado longas distâncias para que se possa explicar a vasta distribuição dos placentários actualmente.

“O que me fascina mais é a tremenda incongruência entre os dados morfológicos e moleculares”, diz Mark Springer, biólogo evolutivo na Universidade da Califórnia, Riverside. Por exemplo, agrupar os animais apenas de acordo com a sua anatomia agrupa espécies semelhantes, como os pangolins, papa-formigas e aardvarks num grupo unido, enquanto os dados moleculares mostram que pertencem a grupos diferentes. É por isto que O'Leary e a sua equipa usaram os dois tipos de informação mas Springer diz que a falta de dados genéticos de espécies extintas acrescenta incertezas à sua posição na árvore e à forma total da árvore.

Bininda-Emonds acrescenta que a equipa estima o momento da explosão evolutiva placentária usando apenas a informação dos fósseis, enquanto outros grupos dependeram apenas de dados moleculares. Comparar as duas estimativas é como comparar “laranjas e maçãs", diz ele. “Na realidade não fizeram nada para resolver esta disputa."

 

 

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