2013-02-06

Subject: Explicado o 'triângulo das Bermudas' dos pombos-correio

 

Explicado o 'triângulo das Bermudas' dos pombos-correio

 

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@ BBCHá anos que os cientistas andavam intrigados com o motivo porque os, normalmente excelentes navegadores, pombos-correio se perdem quando são libertados de uma dada zona no estado de Nova Iorque mas um novo estudo agora conhecido sugere que as aves usam som de baixa frequência para encontrar o seu rumo, algo que não conseguem fazer nesse local.

O estudo foi publicado na última edição da revista Journal of Experimental Biology.

O autor principal do artigo, Jonathan Hagstrum, do Geological Survey americano, refere que as aves criam "mapas acústicos" do meio envolvente mas outros investigadores consideram a teoria controversa e o debate sobre a forma como os pombos-correio navegam permanece aceso.

O quebra-cabeças dos pombos desaparecidos começou na década de 60: Bill Keeton, da Universidade Cornell, estava a tentar compreender a espantosa capacidade das aves em encontrar a sua casa partindo de locais onde nunca tinham estado.

Ele libertou pombos por todo o estado de Nova Iorque mas ficou surpreendido ao descobrir que quando os pombos eram libertados em Jersey Hill, perto de Ithaca, ficavam desorientados e voavam sem rumo. Esta situação aconteceu várias vezes, excepto uma única vez, em 13 de Agosto de 1969, quando conseguiram encontrar o caminho do pombal.

Hagstrum encontrou agora a explicação para esta situação: "As aves usam bússola e mapa para navegar. A bússola é geralmente a posição do sol ou do campo magnético da Terra mas o mapa era desconhecido até agora. Descobri que usam o som para construir o seu mapa e assim saber onde estão relativamente a casa."

Os pombos, diz ele, usam "infra-sons", ou seja, sons de frequência extremamente baixa, abaixo da capacidade auditiva humana. "O som tem origem nos oceanos, as ondas em profundidade interferem umas com as outras e criam sons tanto na atmosfera, como na Terra. É possível captar esta energia em qualquer local da Terra, mesmo no centro de um continente."

Ele acredita que quando as aves estão no local de libertação desconhecido, procuram a assinatura de infra-sons do seu lar e depois usam-na para se localizarem.

Sendo captado em qualquer local do planeta, ainda assim este tipo de som pode ser afectado por alterações na atmosfera.

Hagstrum usou registos de temperatura e vento obtidos nas datas das diversas libertações experimentais para calcular de que forma o som se teria propagado do pombal até Jersey Hill. "A estrutura de temperatura e vento da atmosfera era tal que no norte do estado de Nova Iorque o som era desviado sobre Jersey Hill", explica ele.

Isso significa que as aves não o podiam ouvir e se perdiam, excepto naquele dia em que os pombos encontraram o caminho do pombal: "A 13 de Agosto de 1969 uma inversão de ventos ou de temperatura na troposfera desviava o som novamente para baixo em direcção a Jersey Hill, apenas naquele dia."

 

Hagstrum pensa que perturbações nos infra-sons também podem explicar outros mistérios dos pombos-correio, em que grande número de aves se perdem, como na corrida de 1997 sobre o Canal da Mancha, em que 60 mil pombos se desviaram da rota.

Ele admite que o seu trabalho é controverso mas refere: "Não prova nada mas lança uma nova ideia, que, a meu ver, é a melhor explicação para o que os pombos fazem pois explica o que se passa em Jersey Hill."

Outros já avançaram com ideias diferentes para a forma como os pombos-correio encontram o caminho de casa, sugerindo que as aves usam o olfacto, pistas visuais ou o campo magnético terrestre, ou ainda uma combinação de todos os anteriores.

Tim Guilford, professor de comportamento animal na Universidade de Oxford, diz: "Ainda que haja discordância sobre os detalhes, o que sabemos a partir de um grande conjunto de evidências experimentais é que o acesso a odores atmosféricos é geralmente necessário, e por vezes suficiente, para explicar o desempenho dos pombos-correio a partir de zonas não familiares, quando combinado com a bússola solar compensada e talvez o apoio da bússola magnética em dias nublados."

"Quando as aves reconhecem a sua envolvente mais vasta, no entanto, começam a depender cada vez mais de características topográficas que formam as rotas habituais através da paisagem."

Segundo ele, Hagstrum usou uma "abordagem interessante" e o seu trabalho é valioso na exploração de novas ideias. No entanto, acrescenta que "dado o volume de evidências que apoiam outros mecanismos, parece improvável que o infra-som seja a única explicação".

 

 

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