2013-01-31

Subject: 'Viagra dos Himalaias' ameaçado por colheita excessiva

 

'Viagra dos Himalaias' ameaçado por colheita excessiva

 

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@ Nature/Uttam Babu ShresthaO yarsagumba, o fungo medicinal mais caro do mundo, enfrenta um sério declínio no Nepal devido à colheita excessiva, relatam os investigadores num estudo a publicar na revista Biological Conservation.

Conhecido como o Viagra dos Himalaias pelas suas alegadas capacidades de estimulação da libido, o fungo pode alcançar US$100 por grama no mercado da medicina chinesa, o que o torna mais valioso que o ouro.

Esta espécie exótica é frequentemente considerada um símbolo de fortuna e poder na China e, com o florescimento da sua economia, o fungo “tem desfrutado de uma popularidade sem precedentes", refere um dos co-autores do estudo, Kamaljit Bawa, biólogo conservacionista na Universidade do Massachusetts em Boston. Baseado em estimativas do volume de comércio e preços médios de retalho, Uttam Babu Shrestha, autor principal do estudo, coloca o mercado global da espécie algures entre $5 e $11 mil milhões por ano.

O preço elevado e a procura crescente estão a conduzir uma corrida ao ouro fúngico nas comunidades rurais pobres dos países dos Himalaias mas o impacto sobre a biodiversidade e ecossistemas tem recebido pouca ou nenhuma atenção até agora, diz Bawa.

Nativo dos prados dos Himalaias e do planalto tibetano, entre os 3 e os 5 mil metros de altitude, o yarsagumba Ophiocordyceps sinensis é receitado pelas medicinas tradicionais chinesa e tibetana para um vasto leque de perturbações, incluindo impotência, asma e cancro.

O peculiar ciclo de vida do fungo também lhe tem valido nomes pitorescos como 'verme de Inverno, 'erva de Verão' ou 'fungo lagarta'. No final do Verão, os esporos do fungo infectam larvas de traça que vivem no solo. O fungo cresce no interior da lagarta, mumificando-a e conduzindo-a a uma posição a poucos centímetros abaixo da superfície do solo, com a cabeça para cima. Imediatamente antes da chegada do Inverno e de o solo congelar, pequenas gémulas emergem da cabeça da lagarta morta e na Primavera seguinte, o cogumelo acastanhado cresce acima do solo.

Numa tentativa de avaliar os efeitos da colheita do fungo no Nepal, os autores entrevistaram mais de 200 apanhadores em Dolpa, Nepal ocidental, uma região onde vivem mais de 60 mil apanhadores e que contribui com cerca de 40% da colheita total do fungo no país.

Eles descobriram que o comércio anual caiu mais de 50% desde o seu pico em 2009 até 2011, com a maioria dos apanhadores a acreditar que se está a tornar difícil encontrar o fungo. “Os aldeões passam mais tempo no campo mas recolhem menos fungos", diz Shrestha.

O declínio na abundância do fungo pode ter levado os apanhadores a colher todos os fungos que conseguiram encontrar, diz Shrestha. Os investigadores descobriram que cerca de 94% dos fungos recolhidos pelos aldeões ainda não tinham atingido a maturidade reprodutora, que surge quando os esporos se formam e se dispersam para o solo. “Isto vai reduzir a colheita do ano seguinte."

“Há uma tendência semelhante noutros países dos Himalaias, como China, Índia e Butão", diz Liu Xingzhong, micólogo no Instituto de Microbiologia da Academia Chinesa de Ciências em Pequim. No planalto tibetano, por exemplo, a colheita de fungo por unidade de área caiu 10 a 30%, quando comparada com a de há três décadas.

 

Se o fungo lagarta desaparece, diz Liu, pode conduzir à proliferação descontrolada das larvas e traças que infecta, desencadeando uma série de alterações nos frágeis ecossistemas das montanhas.

Dado que centenas de apanhadores normalmente trabalham numa área limitada, também eles podem danificar o ecossistema com as suas ferramentas e com a compactação do solo, diz Shrestha. Bawa especula que outros factores também podem estar a contribuir para o declínio do fungo, em particular a subida da temperatura média e a perda de neve no leste dos Himalaias em resultado das alterações climáticas.

Bawa considera que as descobertas do estudo indicam a necessidade de uma monitorização a longo prazo e da criação de planos de gestão de uma colheita sustentável do fungo. A época de colheita, por exemplo, deve ser encurtada para permitir que fungos suficientes amadureçam e lancem os seus esporos. Um sistema rotativo de colheitas também pode ser implementado, para que os prados tenham a possibilidade de recuperar do impacto humano, diz ele.

Sem este tipo de regulamentações, “assisteremos rapidamente ao fim da explosão do fungo", diz Shrestha, “e isso terá consequências devastadoras para os ecossistemas e para a economia local."

 

 

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