2013-01-28

Subject: Borrasca suja enterrou petróleo da Deepwater Horizon

 

Borrasca suja enterrou petróleo da Deepwater Horizon

 

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@ Nature/SAUL LOEB/AFP/Getty ImagesO petróleo desaparecido do derrame da Deepwater Horizon pode ter acabado no fundo do Golfo do México.

O derrame da Deepwater Horizon em 2010 lançou mais de 600 milhões de litros de petróleo para o Golfo do México e ainda que microrganismos tenham processado a sua grande maioria no espaço de meses, as avaliações do governo americano não conseguiram determinar o destino de cerca de um quarto dele.

Alguns dos cientistas presentes na Conferência sobre Ecossistemas e Derrames de Petróleo no Golfo do México em Nova Orleães, Louisiana, esta semana vêm agora dizer que até um terço desse petróleo pode ter sido misturado com sedimentos marinhos de profundidade através de um fenómeno conhecido por 'banheira suja'  e arrastado para o fundo por outro fenómeno conhecido por 'borrasca suja'. Os sedimentos oleosos arriscam-se a causar severos danos ao ecossistema, dizem eles, e podem mesmo afectar a pesca comercial no futuro.

Rebekka Larson, geóloga de sedimentos na Faculdade Eckerd de St Petersberg, Florida, apresentou dados que mostram que em muitos locais o plâncton e outros materiais da superfície estão a afundar-se pelo menos dez vezes mais rapidamente do que é normal, frequentemente deixando uma característica camada mais escura no fundo do mar.

Jeff Chanton, geoquímico da Universidade Estadual da Florida em Tallahassee, pensa que o petróleo funcionou como catalisador que levou a um agrupar e queda das partículas a uma escala gigantesca, criando a ‘borrasca suja'. Estes dados vão ao encontro de relatórios de investigadores que, durante o derrame, colunas de água que normalmente deveriam estar enevoadas com o plâncton em suspensão pareciam totalmente transparentes, excepto por filamentos de partículas agregadas que caíam para o fundo. “Há alguma coisa naquele petróleo que suga tudo da superfície", diz Chanton.

Uta Passow, oceanógrafa biológica na Universidade da Califórnia, Santa Barbara, apresentou pistas sobre o que será essa "alguma coisa". Ela apresentou os resultados de experiências laboratoriais que mostram que o petróleo erodido recolhido do local da Deepwater Horizon leva ao agregar das partículas, enquanto os petróleos frescos não o fazem. O laboratório de Passow está agora a explorar se esse efeito se deve a transformação química do petróleo no seu caminho até à superfície ou a algum efeito bacteriano.

A borrasca suja pode mesmo ter-se tornado ainda mais suja à medida que caía para o fundo. Investigadores da Faculdade de Ciência Marinha da Universidade do Sul da Florida em St Petersburg, liderados pelo oceanógrafo químico David Hollander, descreveram um efeito 'banheira suja' em que o petróleo difuso, suspenso numa camada de água a mais de mil metros de profundidade, contaminou os sedimentos à medida que as correntes de profundidade se deslocavam através do Golfo.

 

Hollander referiu que, em conjunto, os efeitos banheira suja e borrasca suja podem ter enviado até 30% do petróleo derramado para o fundo do Golfo do México. "Podemos debater sobre como o delinear mas o material está lá", diz ele.

Donald Boesch, presidente do Centro de Ciência Ambiental da Universidade do Maryland em Cambridge e membro da comissão criada pelo governo americano para investigar o derrame, não está convencido deste número. “Parece-me difícil de acreditar”, diz ele, salientando que as concentrações de petróleo medidas na maior parte dos sedimentos têm sido reduzidas. Mas Hollander contrapõe que o derrame afectou uma vasta área e que pequenas concentrações podem transformar-se em enormes quantidades de petróleo.

A contaminação dos sedimentos pode ser problemática para as espécies pescadas comercialmente que vivem em águas profundas e se alimentam de animais encontrados nos sedimentos, para além de nele se abrigarem regularmente, revolvendo-o, diz Steve Murowski, biólogo das pescas na Universidade do Sul da Florida e colaborador de Hollander. 

Tracey Sutton, ictióloga no Instituto de Ciência Marinha da Virginia em Gloucester Point, também teme que os efeitos ecológicos piorem com o tempo: ”Os efeitos a longo prazo ainda não são visíveis mas serão no futuro."

 

 

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