2013-01-26

Subject: O jantar foi crucial para a domesticação dos cães

 

O jantar foi crucial para a domesticação dos cães

 

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@ Nature/Justin Paget/CorbisOs cães têm agora uma nova desculpa para ficarem a pedinchar debaixo da mesa de jantar: a domesticação pode tê-los adaptado a viver à custa dos alimentos ricos em amido que os seus donos comem.

Um estudo agora publicado na revista Nature revela que os cães têm os genes necessários à digestão do amido, o que os coloca à parte dos seus primos carnívoros, os lobos.

Os autores consideram que os resultados apoiam a controversa ideia de que os cães foram domesticados ao deambular pelos acampamentos humanos.

“Ainda que seja possível que os humanos se tenham dado ao trabalho de ir recolher crias de lobo e domesticá-las, pode ter sido mais atractivo para os cães começarem a alimentar-se das pilhas de resíduos a que a agricultura moderna deu início", explica Kerstin Lindblad-Toh, geneticista da Universidade de Uppsala, Suécia, e líder do trabalho.

Os investigadores da domesticação de caninos concordam que todos os cães, de beagles a border collies, são descendentes menores, mais sociáveis e menos agressivos dos lobos mas nem o momento, nem a localização da primeira domesticação é conhecido. 

Fósseis colocam os primeiros cães algures entre 33 mil anos na Sibéria a 11 mil anos em Israel, enquanto os estudos de DNA dos cães modernos colocam a domesticação há pelo menos 10 mil anos no sudoeste asiático ou médio-oriente. Muitos investigadores acreditam que os cães foram domesticados mais que uma vez e que mesmo após a domesticação, teria ocorrido ocasional reprodução com lobos selvagens.

Lindblad-Toh catalogou as alterações genéticas envolvidas na domesticação procurando diferenças entre os genomas de 12 lobos e 60 cães de 14 raças diferentes. A sua busca identificou 36 regiões do genoma que diferenciam os cães dos lobos mas não são responsáveis pelas variações entre as diversas raças modernas de cães domésticos.

Dezanove dessas regiões continham genes que desempenham um papel na função ou desenvolvimento do cérebro. Esses genes, diz Lindblad-Toh, podem explicar porque os cães são tão mais amigáveis que os lobos.

Mas surpreendentemente, a equipa de investigadores também descobriu dez genes que ajudam os cães a digerir o amido e a decompor as gorduras. Trabalho laboratorial sugere que as alterações em três desses genes tornam os cães mais capazes que os carnívoros lobos na decomposição de amido em glícidos simples e na sua subsequente absorção.

A maior parte dos humanos também evoluiu de forma a ser capaz de digerir mais facilmente o amido, pelo que Lindblad-Toh sugere que o surgimento da agricultura, há cerca de 10 mil anos no médio-oriente, foi o motor destas adaptações nas duas espécies. “Trata-se de um impressionante sinal de evolução paralela", diz ela. “Mostra realmente como os cães e os humanos evoluíram juntos de forma a serem capazes de consumir amido."

 

No entanto, Greger Larson, arqueólogo evolutivo na Universidade de Durham, Reino Unido, duvida muito que os genes envolvidos na digestão do amido tenham catalisado a domesticação, salientando que os primeiros cães fósseis são anteriores ao surgimento da agricultura. Ele e a sua equipa tencionam analisar DNA preservado nesses fósseis de cão para descobrir quando as variações genéticas envolvidas na domesticação terão surgido pela primeira vez.

Robert Wayne, geneticista na Universidade da Califórnia, Los Angeles, que também está a estudar o genoma dos cães antigos, diz que o metabolismo do amido pode ter sido uma importante para os cães. No entanto, ele pensa que essas características provavelmente se terão desenvolvido após as alterações comportamentais que emergiram quando os humanos recolheram os cães pela primeira vez, num momento em que a maioria dos nossos antepassados ainda caçavam.

Ainda assim, o estudo vem acrescentar evidências de que os cães não devem comer o mesmo alimento que os lobos, diz Wayne, que salienta que a comida de cão é rica em glícidos e pobre em proteína, quando comparada com a carne simples. “Todos os dias recebo um email de um dono de um cão a perguntar se deve alimentar o seu cão como se fosse um lobo", diz Wayne. "Penso que este artigo responde a essa questão: não."

 

 

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