2013-01-23

Subject: Animais de grande porte podem deter o segredo da supressão do cancro

 

Animais de grande porte podem deter o segredo da supressão do cancro

 

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@ NAture/Sue Flood / naturepl.comSe todas as células vivas tivessem uma probabilidade igual de se tornarem cancerosas, baleias e elefantes deveriam ter um risco superior de desenvolver cancro do que o Homem ou os ratos mas, para todas as espécies, a ocorrência de cancro não revela qualquer correlação com a massa corporal.

Segundo um novo modelo, este paradoxo pode ser explicado se os animais estiverem a atingir um equilíbrio entre a redução do risco de cancro e outras prioridades, como a maximização do número de descendentes.

A falta de correlação entre a massa corporal e o risco de cancro é conhecida por paradoxo de Peto, segundo o epidemiologista Richard Peto, da Universidade de Oxford, que primeiro o enunciou na década de 70. Os biólogos evolutivos pensam que o paradoxo resulta de os animais de maior porte usarem mecanismos de protecção que os animais menores não usam.

Numa tentativa para identificar de que forma a maior massa corporal pode desencadear esses mecanismos, o biólogo evolutivo Benjamin Roche, do Instituto de Investigação para o Desenvolvimento de Montpellier, França, criou um modelo teórico para simular quais das 100 possíveis estratégias de mutação genética se podiam tornam prevalecentes após 4 mil gerações.

O modelo incluía dois tipos de genes: os proto-oncogenes, que levam células normais a tornar-se cancerosas, e genes supressores do cancro, que reparam os danos celulares que poderiam, de outra forma, conduzir ao cancro. Para a carcinogénese acontecer, a equipa assumiu que os proto-oncogenes devem ser activados e que os genes supressores do cancro devem ser inactivados.

“Descobrimos que os genes supressores de tumores e os proto-oncogenes reagem de forma diferente ao longo de um gradiente de massa corporal”, diz Roche. “A sua dinâmica evolutiva está associada." A activação do proto-oncogene diminuía regularmente com o aumento da massa corporal, descobriu a equipa de investigadores.

No seu modelo, a evolução nem sempre favorece os genes supressores de tumores. Apesar destes mecanismos poderem reduzir a mortalidade por cancro em qualquer animal, podem ter um preço, a redução de fertilidade do modelo da equipa. O resulta mostra que para os animais de tamanho intermédio, o custo evolutivo de ter muitos genes supressores de tumores eram maior do que os benefícios da protecção contra o cancro que estes ofereciam.

Como consequência, as mutações podem surgir para manter os supressores de tumores em cheque. “Neste  ponto, do ponto de vista evolutivo, é melhor para a população tolerar mais mortes de cancro do que investir em mecanismos mais dispendiosos para evitar o desenvolvimento do cancro”, diz Roche.

 

Os resultados, publicados num número especial da revista Evolutionary Applications e focados na biologia do cancro, podem explicar por que razão, por exemplo, a incidência de cancro é de um terço no Homem e de apenas 18% em belugas.

A de Roche não é a única explicação proposta para o paradoxo de Peto: “Existem várias hipóteses”, diz Carlo Maley, director do Centro para a Evolução e o Cancro na Universidade da Califórnia, San Francisco. “Por exemplo, em vez da massa corporal influenciar o número de genes supressores de tumores e oncogenes, talvez existam menos espécies de oxigénio reactivas em organismos de maiores dimensões, devido à sua baixa taxa metabólica."

Maley e a sua equipa estão a sequenciar o genoma da baleia de bossas, o qual tencionam comparar com outros, incluindo o genoma do elefante, para determinar qual das hipóteses poderá ser válida e se a natureza já criou mecanismos de prevenção do cancro que possam ser transpostos para as clínicas.

Ainda assim, alguns biólogos questionam ser haverá sequer um paradoxo, alegando que as variações nas taxas de cancro entre espécies (que vão de 20% a 46%) são mais semelhantes que diferentes. “Todas as espécies desenvolvem cancro mais ou menos à mesma taxa, tipicamente numa fase mais tardia da vida”, diz James DeGregori, biólogo molecular na Universidade do Colorado em Denver. “Simplesmente não temos ainda dados que apoiem a noção de que os animais maiores desenvolveram uma forma de evitar as mutações oncogénicas."

 

 

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