2013-01-20

Subject: Transplantes fecais bem sucedidos em testes clínicos

 

Transplantes fecais bem sucedidos em testes clínicos

 

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@ Nature/D. PHILLIPS/SPLTransplantes fecais , em que as fezes de uma pessoa são colocadas no intestino de outra, tiveram um desempenho dramaticamente superior a um antibiótico convencional no tratamento de infecções recorrentes com Clostridium difficile, uma bactéria que causa diarreia grave.

Esta é a primeira vez que esta técnica pouco ortodoxa provou a sua eficácia num teste clínico aleatório, em que os pacientes são aleatoriamente colocados em  grupos que recebem terapias diferentes. Os transplantes foram tão bem sucedidos que os testes terminaram mais cedo e os resultados foram agora publicados na revista New England Journal of Medicine.

Os transplantes fecais têm como objectivo restaurar a população saudável de bactérias do intestino que normalmente manteriam a C. difficile afastada. Apesar da sua natureza pouco apelativa, os transplantes têm sido usados para tratar centenas de pacientes, dos quais mais de 90% recuperaram completamente.

“Aqueles de nós que temos vindo a realizar este procedimento há algum tempo não precisávamos de ser convencidos mas a grande comunidade médica precisa de passar por estes etapas”, diz Alexander Khoruts, gastrenterologista na Universidade do Minnesota em Minneapolis, que não esteve envolvido no teste clínico. “É uma situação invulgar em que se tem mais de 50 anos de experiência em todo o mundo e mais de 500 casos publicados e só agora surge o teste aleatório.”

Els van Nood, investigadora de medicina interna na Universidade de Amesterdão e co-autora do estudo, diz que médicos e pacientes por vezes são relutantes em tentar a técnica “mas tivemos tantas recaídas que não conseguiam ser curadas e quando começámos a terapia fecal correu tudo fantasticamente". “Não tivemos problemas em convencer a nossa comissão ética para começarmos o teste."

Os investigadores, liderados por Josbert Keller, gastrenterologista na Universidade de Amesterdão, recrutaram 43 pessoas cujas infecções com C. difficile tinham reaparecido após tratamentos falhados com antibiótico. Os voluntários foram colocados aleatoriamente em dois grupos, um que receberia uma infusão de fezes no intestino delgado através de um tubo colocado desde o nariz e outro, um regime tradicional de duas semanas do antibiótico vancomicina. As fezes provinham de um banco de 15 dadores saudáveis que foram exaustivamente escrutinados em busca de doenças transmissíveis.

Inicialmente a equipa tinha ideia de recrutar 120 pacientes mas o teste terminou mais cedo porque a diferença entre os dois grupos foi extremamente dramática. Descobriram que os transplantes fecais tinham três a quatro vezes maior probabilidade de curar as infecções que o antibiótico. As infusões curaram 15 dos 16 pacientes (94%), enquanto a vancomicina fez o mesmo em apenas 7 dos 26 pacientes (27%). Os restantes tiveram recaídas mas foram subsequentemente trados com transplantes fecais e curados após uma ou duas infusões.

 

As bactérias do intestino dos pacientes tornaram-se mais diversificadas após as infusões fecais e não mostraram quaisquer efeitos secundários adversos, excepto alguma diarreia temporária e ocasional obstipação.

Christine Lee, microbióloga na Universidade McMaster em Hamilton, Ontário, louva o estudo mas está preocupada com o facto de as infusões entrarem pelo nariz em vez de pelos clisteres habituais, situação que “pode não ser facilmente aceite pelos pacientes e pode ser mais difícil de implementar".

Mas van Nood diz que a rota nasal é mais fácil e rápida se o cólon de um paciente está inflamado e os seus voluntários não mostraram problemas com isso. Apesar dos transplantes fecais serem inerentemente repugnantes, o tratamento é de tal modo bem sucedido que muitos dos pacientes no teste se queixaram de ter aleatoriamente colocados a receber vancomicina.

"Penso que é um excelente estudo e o primeiro no que serão muitos testes controlados”, diz Lawrence Brandt, gastrenterologista na Escola de Medicina Albert Einstein em Nova Iorque. Brandt está a liderar um teste cego em que os pacientes são infundidos ou com as suas próprias fezes, ou com fezes de dadores saudáveis.

Van Nood espera que o sucesso do teste melhore a aceitação da técnica nos hospitais. “Muitos pacientes que têm lidado com infecções por C. difficile têm oportunidade de ser curados. Recebemos e-mails de todo lado, de pacientes desesperados que pedem para vir ao hospital receber o tratamento. Ainda encontram muita relutância mas esperamos que isso mude."

 

 

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