2013-01-09

Subject: Porque alguns corais aguentam o calor

 

Porque alguns corais aguentam o calor

 

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@ Nature/Daniel BarshisOs investigadores descobriram um padrão de actividade génica que permite aos corais sobreviver a temperaturas mais elevadas.

A descoberta sugere uma forma de prever de que maneira diferentes espécies de coral se darão nas águas mais quentes que se esperam em resultado das alterações climáticas nas próximas décadas. 

Esse tipo de informação pode ajudar a focar os futuros esforços de conservação, dizem os investigadores.

Alguns dos corais Acropora hyacinthus do recife da ilha Ofu, Samoa americana, são capazes de florescer em piscinas que sofrem diariamente flutuações de temperatura até 6°C. Para encontrar a base molecular desta resiliência, os investigadores compararam a actividade génica em corais A. hyacinthus resistentes ao calor e sensíveis ao calor medindo o seu transcriptoma,  o conjunto de todos os tipos de RNA transcritos dos genes, a diferentes temperaturas.

As descobertas, publicadas na última edição da revista Proceedings of National Academy of Sciences, revelaram um conjunto de genes que, apesar de estarem presentes em ambas as populações, expressam-se mais intensamente nos corais resistentes à variação de temperaturas. Estes genes codificam antioxidantes e outras proteínas que os animais produzem em resposta ao choque térmico.

“Estamos a aplicar técnicas que basicamente foram desenvolvidas para o diagnóstico de doenças humanas aos corais”, diz o autor principal do estudo Daniel Barshis, ecologista molecular marinho, agora no Instituto de Ciências Marinhas da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

Os autores descobriram que a expressão de centenas dos genes dos corais se altera em resposta ao aquecimento da água da sua piscina do valor controlo de 29,2°C para 32,9°C. Mas nos corais resistentes ao calor, cerca de 60 destes genes já se expressavam mais intensamente à temperatura controlo. Os autores pensam que esta expressão génica pode ser o que dá a estes corais uma margem de capacidade de sobrevivência que lhes permite sobreviver em condições em mudança.

 

O co-autor do estudo Stephen Palumbi, ecologista marinho da Estação Marinha Hopkins da Universidade de Stanford em Pacific Grove, Califórnia, descreve o recife da ilha Ofu como um campo de treino para as alterações climáticas: “Os corais aqui são eliminados pelas marés baixas e altas temperaturas e com essa experiência ficam cada vez mais resistentes."

“As alterações climáticas estão a acontecer tão rapidamente que é importante compreender como os organismos podem responder a estas alterações rápidas”, comenta Ove Hoegh-Guldberg, biólogo marinho do Instituto de Alterações Globais da Universidade de Queensland em Brisbane, Austrália. Ele diz que os resultados são uma confirmação útil da complexidade da resposta genética ao stress térmico mas essa complexidade, alerta ele, “sugere que não vamos assistir a corais a evoluir rapidamente nas próximas décadas em resposta a alterações de 1 a 2°C na temperatura".

A equipa está agora a investigar se o padrão destes genes é partilhado por outras espécies de corais resistentes à temperatura, com o objectivo de compreender melhor o processo e potencialmente desenvolver um teste diagnóstico que identifique locais no mundo onde os corais tenham uma maior probabilidade de sobreviver ao aquecimento global.

À medida que se vão debatendo com a inevitabilidade das alterações climáticas e outras ameaças como o desenvolvimento humano, alguns ecologistas estão a começar a abraçar uma abordagem pragmática à conservação. “Não conseguimos parar todos os bulldozers e o aquecimento vai acontecer", diz Palumbi. "Por isso mais vale tentares, pelo menos, manter os bulldozers longe das áreas onde os corais podem suportar o aquecimento."

 

 

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