2013-01-05

Subject: Varejeiras mapeiam biodiversidade florestal

 

Varejeiras mapeiam biodiversidade florestal

 

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@ NatureAs moscas-varejeiras que posam nas carcaças de animais mortos não estão apenas a banquetear-se com a carniça, estão também a obter amostras do seu DNA.

Cientistas alemães vieram agora demonstrar que esse DNA que as moscas recolhem persiste tempo suficiente para ser sequenciado, fornecendo uma imagem rápida e económica da diversidade de mamíferos presente nas, de outra forma inacessíveis, florestas tropicais.

Os investigadores tropeçaram nesta bizarra técnica de catalogação enquanto estudavam uma forma de antraz que mata chimpanzés na Costa do Marfim. Começaram a tirar amostras de moscas para ver se os insectos eram capazes de transportar a bactéria do antraz depois de se banquetearem em cadáveres infectados mas rapidamente perceberam “que detectar DNA de mamífero a partir das mocas também podia ser uma ferramenta muito fixe para a avaliação da biodiversidade”, diz o líder da equipa Sébastien Calvignac-Spencer, biólogo evolutivo no Instituto Robert Koch de Berlim.

Colocando iscos de carne em redes e armadilhas, a equipa colheu moscas-varejeiras do Parque Nacional Taï na Costa do Marfim e da Reserva Kirindy em Madagáscar, tendo descoberto que 40% delas transportavam DNA de mamífero.

Os investigadores sequenciaram este material para identificar 16 mamíferos na Costa do Marfim, incluindo seis das nove espécies locais de primatas, bem como o duiker de Jentink Cephalophus jentinki, um antílope ameaçado de extinção com um efectivo na natureza de menos de 3500 animais. Em Madagáscar, a equipa identificou quatro espécies de mamífero, incluindo duas de lémures, representando um oitavo dos mamíferos da ilha.

O trabalho será apresentado na totalidade na edição de 7 de Janeiro da revista Molecular Ecology.

O DNA “não é lindo mas ainda é usável", diz Calvignac-Spencer, pois a sua equipa foi capaz de recuperar fragmentos com várias centenas de pares de bases, algo que seria mais difícil de encontrar em animais como os mamíferos, cujo sistema digestivo é mais eficiente na degradação de alimentos com a ajuda de ácidos e enzimas. ”As moscas têm um sistema digestivo muito menos sofisticado", diz ele.

 

Para além de fornecerem um inventário de espécies, as moscas podem ajudar a seguir o estatuto de populações ameaçadas de uma maneira muito mais eficaz que as buscas activas, sugere ele. 

Por exemplo, o vírus ébola matou milhares de gorilas na República do Congo e no Gabão há 10 anos mas a monitorização activa apenas encontrou 44 carcaças "e estamos a falar de gorilas!", diz Calvignac-Spencer. “Imaginem agora como será difícil monitorizar surtos de mortes de morcegos ou roedores. As moscas podem realmente tornar-se preciosas neste contexto."

“É uma ideia extremamente simples mas muito inteligente”, diz Thomas Gilbert, geneticista na Universidade de Copenhaga, que no ano passado mostrou que as sanguessugas também conseguem preservar o DNA dos animais de que se alimentam. Gilbert considera que a beleza deste último estudo é que “as moscas estão tão largamente distribuídas, quando comparadas com as sanguessugas, eles conseguiram amostras de onde nós não podíamos ir."

No entanto, ele salienta que o DNA está preservado de forma mais estável nas sanguessugas, pelo que dura mais tempo. “Na realidade, os métodos são muito complementares."

 

 

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