2013-01-03

Subject: Botos-do-Índico do Yangtzé em perigo

 

Botos-do-Índico do Yangtzé em perigo

 

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@ Nature/Peter Parks/GettyA pesca, a poluição e outras actividades humanas ao longo do rio Yangtzé na China estão a conduzir mais uma espécie de cetáceo de água doce à extinção.

Esta é a conclusão do censo de seis semanas dos troços médio e inferior do rio realizado pelo Instituto de Hidrobiologia (IHB) da Academia Chinesa de Ciência em Wuhan e do grupo conservacionista WWF chinês.

Os resultados finais do censo serão anunciados em Março mas as descobertas preliminares são preocupantes: a equipa detectou menos de metade dos botos-do-Índico do Yangtzé Neophocaena phocaenoides asiaeorientalis que tinham sido observados numa expedição semelhante em 2006, onde se contaram 1225 animais a viver no rio.

"São péssimas notícias", diz Wang Ding, ecologista no IHB e cientista-chefe do censo. “Os botos-do-Índico estão muito pior do que se pensava ao longo do troço principal do Yangtzé."

A população do botos-do-Índico do Yangtzé é uma das poucas espécies de cetáceos de água doce que ainda sobrevive e encontra-se apenas no rio e em dois lagos adjacentes, o Poyang e o Dongting. Os cientistas esperam que os botos possam evitar o mesmo destino que o golfinho do rio Yangtzé, também conhecido por baiji, Lipotes vexillifer, que foi efectivamente declarado extinto após o censo de 2006.

O último censo também descobriu que a população de cerca de 450 botos do lago Poyang tem-se mantido estável nos últimos seis anos mas apenas 90 dos animais permanecem no lago Dongting, um declínio de 40% desde 2006. Isto significa que há apenas cerca de mil botos-do-Índico no total na bacia do Yangtzé, o que os torna ainda mais raros que os pandas gigantes na natureza.

“Perdes estes grandes carnívoros de topo no Yangtzé é uma boa indicação do terrível estado do ecossistema fluvial", diz David Dudgeon, ecologista na Universidade de Hong Kong, que não esteve envolvido no estudo. 

"A culpa é do intenso impacto humano", diz Lei Gang, director do programa de água doce do WWF China. "O conflito entre a conservação e o desenvolvimento económico ao longo do Yangtzé é avassalador."

A pesca excessiva tem causado um enorme declínio nas fontes de alimento dos botos, diz Wang, e os animais são vulneráveis aos métodos de pesca não regulamentares, como a pesca com correntes eléctricas que atordoam os peixes antes de serem capturados.

A poluição é outra importante ameaça a longo prazo, diz Dudgeon. O Yangtzé, independentemente dos chineses o considerarem o 'rio mãe', suporta 40% da população humana do país e as suas margens estão cobertas de grandes cidades, fábricas e centrais eléctricas. Segundo Dudgeon, cerca de 20 mil milhões de toneladas de resíduos são lançadas ao rio todos os anos, e “esse valor não inclui a poluição difusa da agricultura ou a causada pelos navios", salienta ele.

 

Tal como outras espécies de cetáceos, os botos-do-Índico do Yangtzé usam SONAR para navegar, comunicar e procurar alimento mas a densidade da navegação fluvial origina altos níveis de poluição acústica, que interfere com o SONAR. “Isto afecta a sua alimentação e também origina muitos ferimentos devido a colisões com os navios", diz Lei.

Outras actividades humanas, como a construção de barragens e a dragagem de areias, contribuíram para a perda de habitat em larga escala e para a degradação da bacia do rio Yangtzé nas últimas décadas, acrescenta Lei.

O boto-do-Índico do Yangtzé está actualmente listado como espécie ameaçada pela União Internacional de Conservação da Natureza mas “a nova estimativa pode levar a que sejam classificados como criticamente ameaçados", diz Wang. “Se a situação não melhorar significativamente, podem seguir o destino do baiji em menos de 15 anos.”

Os investigadores e conservacionistas apelaram ao Conselho de Estado, o governo chinês, para elevar o estatuto de protecção da espécie de classe II para classe I, o que daria mais peso legal aos esforços de preservação, e a criar mais reservas para os botos. Também apelaram a uma maior fiscalização da aplicação das regras de descargas de resíduos e sugeriram a redução do tráfego fluvial, regulamentação do equipamento de pesca ou mesmo a introdução de uma proibição da pesca no rio.

A protecção do ecossistema do rio não tem a ver apenas com salvar animais carismáticos como os botos-do-Índico, diz Wang. “Em última análise, trata-se da nossa própria existência, os rios que estão tão doentes que não conseguem suportar um ecossistema saudável, são rios que também não são adequados à sobrevivência humana.” 

 

 

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