2004-05-18

Subject: Teoria do sexo questionada

News of the Wild

 

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Em destaque:

Teoria do sexo questionada 

 

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A popular explicação para o motivo porque fazemos sexo frequentemente foi agora posta em causa por um artigo publicado na revista Science. De acordo com a "hipótese da rainha vermelha", o sexo existe para ajudar os organismos a protegerem-se de parasitas. 

Os parasitas estão constantemente a desenvolver novas formas de tirar partido dos seus hospedeiros, pelo que os animais têm que desenvolver defesas rapidamente e o sexo, dizem alguns, permite-lhes fazer isso mesmo. 

No entanto, os cientistas construíram um modelo, que sugere que esta "corrida às armas" por si só não seria suficiente para justificar a existência do sexo. 

Os biólogos evolucionários são obcecados com o sexo e com o motivo porque o fazemos. Este é realmente um dos grandes mistérios da natureza, pois não existem muitas razões óbvias para o fazemos mas existem muitas para não o fazermos. 

Em primeiro lugar, o sexo é uma forma muito pouco eficiente de produzir descendentes, pois os seres assexuados são capazes de produzir duas vezes mais filhos. Os clones têm uma vantagem tremenda, explica Curt Lively, biólogo evolucionário da Universidade de Indiana, pois a sua taxa de crescimento e reprodutora é superior. Se introduzirmos um clone numa população sexuada ele vai dominar rapidamente. 

Em segundo lugar, o sexo é perigoso. Pode-se apanhar um doença potencialmente mortal e, ainda por cima, os descendentes podem herdar genes pouco adequados dos seus pais. 

É realmente um paradoxo o motivo porque tantos organismos fazem sexo, refere a co-autora do artigo Sarah Otto, da Universidade da British Colombia. Se sobreviemos o suficiente para nos reproduzirmos é porque a nossa combinação de genes é boa, logo porquê baralhar tudo outra vez? 

Mas o sexo existe, e em grande abundância. A selecção natural, por alguma razão, escolheu-o. Os clones não dominaram o mundo e o risco, alto que seja, não é o suficiente para tornar o sexo pouco apetecido. 

A hipótese da rainha vermelha tem o nome da personagem do livro de Lewis Carroll "Through The Looking-Glass", que diz a Alice que ela tem que correr o mais que puder para continuar no mesmo local. A ideia é que os organismos têm que evoluir, adoptando novas combinações genéticas, para impedir que os patogénicos dominem. 

 

A teoria afirma que os parasitas são seleccionados para ter como alvo os genótipos mais comuns, representado agora pelos clones, explica o professor Lively. Assim, se os parasitas forem bem sucedidos, podem impedir que os clones dominem sobre as populações sexuadas. No entanto, para esta teoria funcionar têm que existir números assombrosos de parasitas e com efeitos muito dramáticos. 

E é aí o cerne da questão. De acordo com o modelo matemático desenvolvido por Sarah Otto e o seu colega Scott Nuismer, não existem parasitas suficientes para explicar porque os organismos fazem tanto sexo. 

Fazer sexo de vez em quando podia ser uma vantagem, acredita Otto, pois ajudaria a manter os parasitas à distância. Mas fazê-lo tão frequentemente arruina as combinações genéticas vencedoras. De acordo com o seu modelo, se escapar aos parasitas fosse o único objectivo, os organismos seriam essencialmente assexuados, reproduzindo-se sexuadamente em ocasiões raras. 

Se se fizerem as contas, explica Otto, os hospedeiros mais comuns nas populações no presente têm vindo a fazer um excelente trabalho a escapar aos parasitas. Um pouco de sexo permitiria obter combinações suficientes das actuais, mas ainda mais sexo quebra as combinações que estão a funcionar para evitar os parasitas. 

Dado que nós, e muitos outros organismos, fazem um pouco mais do que ter algum sexo nas suas vidas, temos que olhar para além da rainha vermelha em busca de toda a resposta. O que a rainha vermelha não consegue explicar é porque os organismos têm mais do que uma quantidade mínima de sexo, diz Otto. 

 

 

Saber mais:

Science

Sex 'remains a mystery'

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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