2012-12-27

Subject: Seca severa teve efeito duradouro no Amazonas

 

Seca severa teve efeito duradouro no Amazonas

 

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@ NatureUm estudo publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences lança luz sobre os efeitos a longo prazo da seca na floresta amazónica, dando pistas sobre a forma como a floresta tropical poderá ser afectada pelas alterações climáticas no futuro.

Os investigadores relatam que a seca severa que atingiu a floresta tropical em 2005 teve efeitos duradouros na copa da floresta, num tal grau que esta permanecia danificada pelo menos quatro anos depois.

Os efeitos da seca de 2005 têm vindo a ser debatidos desde 2007, quando os investigadores relataram na revista Sience que a fotossíntese na copa tinha aumentado, levando a um enverdecimento da bacia do Amazonas durante o período seco (veja Árvores amazónicas crescem mais na estação seca). Mas em 2010 outro grupo de investigadores relatou que tinha sido incapaz de reproduzir os resultados usando os mesmos dados.

“O enverdecimento é uma resposta a curto prazo e um pouco um engano”, diz Oliver Phillips, ecologista tropical na Universidade de Leeds, Reino Unido. Mas o último estudo “transcende esse debate”, diz ele. “A questão da saúde subjacente da floresta é muito mais profunda do que a resposta instantânea.”

Um contra do método usado nos estudos anteriores, que usavam medidas por satélite para estimar a verdura da floresta através da radiação solar reflectida, é que os dados podem ser alterados por nuvens e aerossóis atmosféricos. Por isso, para o último estudo, Sassan Saatchi, perito em detecção remota do Laboratório de Propulsão a Jacto do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, estudou a silhueta da floresta em microondas, mostrando o seu contorno em vez da sua verdura. 

Para analisar a estrutura da copa, ele e os seus colegas usaram dados de satélite de microondas, que não são afectados pelas nuvens, das sondas da NASA. Quando estas passavam sobre a luxuriante copa das árvores, os sensores do satélite registavam um sinal uniforme mas ramos nus, folhagem mais esparsa e falta de árvores mostravam sinais mais desiguais.

A pesquisa descobriu que mais de 70 milhões de hectares de floresta tropical no Amazonas ocidental, uma área mais ou menos do tamanho do estado da Califórnia, foram atingidos pela seca e a recuperação das copas prolongou-se muito para além do fim da seca, com a a sua biomassa  e preenchimento do espaço a permanecer abaixo dos níveis pré-seca em 2009, momento em que o satélite teve problemas técnicos. Em 2010, uma seca ainda mais forte atingiu uma área ainda maior do Amazonas.

 

“Esta é a primeira prova realmente forte de que a seca teve um impacto negativo na floresta”, diz Greg Asner, ecologista na Instituição Carnegie de Ciência em Stanford, Califórnia.

A última análise pinta um cenário muito negro para a floresta tropical amazónica se as secas severas se tornarem mais frequentes. A maioria das secas amazónicas são conduzidas por águas superficiais mais quentes no Pacífico oriental mas as de 2005 e 2010 parecem ter sido influenciadas por águas superficiais quentes no Atlântico norte.

Este estudo pode alterar o panorama das secas no próximo relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, que surgira em 2014. O relatório mais recente, de 2007 baseava-se em experiências de modelos climáticos realizadas antes das secas e foi mais “especulativo", diz Ranga Myneni, perito em detecção remota de vegetação na Universidade de Boston no Massachusetts, e co-autor do último estudo.

Saatchi espera prolongar a sua análise para além da seca de 2010 usando dados do satélite indiano Oceansat-2. Se as secas continuarem a ocorrer a cada  ou 10 anos, as orlas da floresta podem começar a fazer a transição para floresta seca, alerta ele. “Gostaríamos de dizer alguma coisa sobre a forma como a floresta amazónica se tem portado desde 2009.”

 

 

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