2012-12-15

Subject: Conseguimos mesmo f*der a Terra?

 

Conseguimos mesmo f*der a Terra?

 

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É o que se pode considerar o momento perfeito, a COP18 terminou, depois de duas semanas de discussões que conduzem a virtualmente nada de válido, se o objectivo ainda é chegar a um acordo político que combata as alterações climáticas, e agora surgem dados científicos que provam o que muitos de nós provavelmente já sabíamos ou temíamos: a Terra está fodida!

Não se ofendam com a linguagem, e na realidade se acham que os palavrões são o nosso pior problema estão no local errado, pois o título vem directamente da conferência anual da União Americana de Geofísica.

Brad Werner, investigador de sistemas complexos da Universidade da Califórnia, San Diego, tentou responder à questão de forma científica e a sua conclusão é que sim, pode-se dizer que conseguimos.

Werner culpa a cultura capitalista moderna de consumo que privilegia os lucros a curto prazo em detrimento da estabilidade a longo prazo: "O que acontece não é surpresa. A economia gasta rapidamente os recursos naturais, esvaziando esses reservatórios e causando graves danos. Não é uma ideia nova nos círculos ambientalistas mas as discordâncias começam é com a forma de resolver a questão."

Werner considera que não há tempo para arrastar os pés neste navio prestes a afundar-se, o que nos leva novamente à COP18 e a duas semanas de conversações sobre decoração. O que saiu da cimeira afinal?

O Protocolo de Kyoto foi prolongado, apesar dos maiores emissores não quererem nada com ele.  Continuamos sem qualquer compromisso cientificamente significativo para reduzir as emissões de carbono de qualquer país que seja parte do problema, apesar de se ouvirmos o Canadá ou os Estados Unidos ficarmos espantados com o "muito que já foi feito". 

O ponto é, como George Monbiot tão eloquentemente escreveu no The Guardian, para rectificar os nossos actuais problemas ambientais precisamos de muito mais do que lidar com os detalhes do capitalismo, especificamente com o capitalismo neoliberal, algo que muito do actual movimento verde parece achar suficiente, e as estruturas de poder a ele associadas. O neoliberalismo não é a raiz do problema, é a ideologia usada para justificar a usurpação de poder, bens públicos e recursos naturais por uma elite sem limitações mas o problema não pode ser resolvido até que a doutrina seja desafiada por alternativas políticas efectivas.

Por outras palavras, a luta contra as alterações climáticas, e todas as crises que afectam a humanidade e o mundo natural, não pode ser ganha ser uma luta política mais abrangente: a mobilização democrática contra a plutocracia. Isto pode começar com um esforço para reformar os meios pelos quais as corporações e os muito ricos compram políticos e políticas. Esta é uma grande parte da forma como iremos 'desfoder' o planeta.

 

A outra é aceitar o facto de que, para citar Barry Boyce, precisamos de novas maneiras de pensar sobre problemas sistémicos como as alterações climáticas, criando uma economia pós-capitalista que não dependa de um crescimento infindável do consumo de recursos finitos e uma corrida aos salários de miséria e condições de trabalho degradantes para a sua existência. Não podemos apenas fazer a mesma coisa mas melhor, diz Boyce: "Temos que ir para além das abordagens que nos levaram a esta situação em primeiro lugar."

Faz lembrar a frase de Einstein, mas ao contrário: temos que parar de fazer a mesma coisa, afinando a economia capitalista, rodando botões e mexendo alavancas, e esperar resultados diferentes. O problema é o próprio sistema, não a forma como está calibrado.

Antes de gritarem Comunista! e desatarem a fugir, notem que o comunismo é apenas uma forma radical de calibração do mesmo sistema insustentável, é apenas uma alteração do patrão, do planeamento e da distribuição, não uma forma verdadeiramente diferente de pensar nos recursos, no mundo natural ou no lugar da humanidade nesse mundo.

Boyce refere, sobre esta alteração de prisma: "O que acho mais espantoso é como está próxima do princípio budista da interdependência, o ensinamento de que não existem entidades auto-sustentáveis ou permanentes. Tudo emerge como parte de uma rede de relações. Para sairmos desta trapalhada, temos que compreender o está mal e o que está bem com a civilização e a meditação budista revela a união e liberta a empatia e a compaixão, que será a força motora das alterações positivas."

Esta tem que ser a base para a resistência de que Werner fala, da nova ordem política que Monbiot menciona: o núcleo da nova economia tem que conter união, empatia e compaixão.

~~ Mat McDermott 

 

 

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