2012-11-24

Subject: Benefícios dos mamogramas debaixo de fogo

 

Benefícios dos mamogramas debaixo de fogo

 

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@ Nature/BSIP/PhototakeO uso rotineiro da mamografia para rastreio em mulheres saudáveis de cancro da mama tem levado à detecção e tratamento generalizados de tumores que nunca teriam produzido sintomas, afirma um estudo publicado na revista New England Journal of Medicine

Estes resultados vêm injectar nova dose de controvérsia numa área que já é alvo de acalorado debate.

O estudo examinou os efeitos das mamografias na incidência de cancro da mama entre 1976 e 2008 em mulheres americanas com mais de 40 anos. Os autores concluíram que mais de um milhão de mulheres diagnosticadas com a doença nunca teriam desenvolvido sintomas e, só em 2008, estimam que mais de 70 mil mulheres tinham tido esse tipo de tumor diagnosticado, sendo responsáveis por 31% de todos os cancros de mama diagnosticados em mulheres com mais de 40 anos.

“O nosso estudo levanta questões muito sérias acerca do valor das mamografias", conclui o artigo: “O perigo do excesso de diagnóstico é provavelmente maior do que antes se reconhecia.”  As mulheres diagnosticadas, acrescentam os autores, foram sujeitas a tratamentos envolvendo cirurgia, radiação, hormonas e quimioterapia "para anomalias que não lhes teriam causado qualquer doença".

O estudo não analisou a situação de mulheres com uma predisposição hereditária para o cancro da mama pois as mulheres deste grupo tendem a apresentar uma forma agressiva da doença em idades muito inferiores e precisam de ser activamente seguidas com mamografias.

As descobertas vêm juntar-se à já longa controvérsia sobre o rastreio do cancro da mama. Em 2009, o Grupo de Serviços Preventivos do governo americano causou enorme indignação ao recomendar que mulheres na casa dos 40 não fossem sujeitas a mamografias rotineiras. No mês passado, uma revisão encomendada pelo Departamento de Saúde inglês descobriu que havia um excesso de diagnóstico de cancro da mama mas concluiu que o programa nacional de rastreio do país continuava a valer a pena.

O último estudo desencadeou simultaneamente elogios e duras críticas. O Colégio Americano de Radiologia em Reston, Virgínia, que representa os médicos que interpretam os mamogramas, apelidou-o de “cheio de falhas e enganador” mas Frances Visco, presidente da Coligação Nacional para o Cancro da Mama de Washington, DC, que concluiu que o rastreio do cancro da mama não reduz significativamente a mortalidade da doença, diz que há muito que os benefícios das mamografias são sobrevalorizados. “Este é um estudo muito bem feito, analisando três décadas de dados e confirmou o que vários outros estudos em outros países já tinham mostrado: que não reduzimos os diagnósticos metastizados com o rastreio."

Os autores do estudo, o oncologista Archie Bleyer do Centro Regional do Cancro St Charles em Bend, Oregon, e H. Gilbert Welch, professor de medicina na Escola de Medicina Geisel da Faculdade de Dartmouth em Hanover, New Hampshire, examinaram as alterações de incidência dos cancros da mama nas fases iniciais e finais após grande número de mulheres começar a fazer mamografias de rastreio em meados da década de 80 passada.

Como seria de esperar com o advento dos rastreios generalizados, descobriram que o diagnóstico da doença na fase inicial mais que duplicaram durante as três décadas, com um aumento de 122 casos por cada 100 mil mulheres. Os autores defendem que se o rastreio estivesse a funcionar como se pretende e impedisse esses tumores de progredir para formas mais perigosas da doença, seria de esperar uma redução mais ou menos equivalente no número de diagnósticos das fases avançadas.

 

Em vez disso, descobriram que assumindo uma taxa de fundo constante na incidência de cancro da mama, o número de cancros em fase avançada diagnosticados diminuiu apenas 8 em cada 100 mil mulheres. Assim, eles inferem que muitos dos casos precoces que são detectados com o rastreio não teriam evoluído para doenças sintomáticas. Também concluem que a contribuição da mamografia para o declínio abrupto das taxas de mortalidade do cancro da mama no mesmo período deve ser pequeno.

O bioestatístico do cancro Colin Begg, presidente do Departamento de Epidemiologia e Bioestatística no Centro Memorial Sloan-Kettering do Cancro em Nova Iorque e que não esteve envolvido no estudo, considera que não há dúvida de que há grande número de diagnósticos excessivos devidos ao rastreio. Mas, acrescenta ele, o estudo "não é tão coerente" ao minimizar a contribuição da mamografia para o declínio da mortalidade.

“Esta é uma questão crucial, pois suspeito que as mulheres que pensam realizar o rastreio estão muito mais preocupadas com a prevenção da morte por cancro da mama do que com o impacto de um diagnóstico falso positivo", diz Begg. “O impacto positivo dos rastreios na mortalidade têm sido estudados em numerosos testes ao acaso e fornecem evidências mais convincentes sobre esta questão do que esta análise retrospectiva e descritiva."

O artigo “vai levar as mulheres a pensarem que a mamografia é uma coisa má”, diz Daniel Kopans, professor de radiologia na Escola de Medicina de Harvard em Boston, Massachusetts, que ajudou no comunicado do Colégio Americano de Radiologia. “Algumas vão, por causa disso, evitar os rastreios e, por causa disso, vão morrer."

“Não somos contra o rastreio”, diz Bleyer. “Não há dúvida que salva vidas mas a necessidade de nos preocuparmos com os aspectos negativos do rastreio torna-se aparente com os resultados do nosso estudo."

 

 

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