2012-11-22

Subject: Como usar aves para monitorizar poluição

 

Como usar aves para monitorizar poluição

 

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@ Nature/Arterra Picture Library/AlamyAves vulgares que fazem ninho nas nossas cidades podem fornecer uma forma muito conveniente de seguir o progresso dos esforços de limpeza ambiental.

As aves que se alimentam de insectos que põem ovos em sedimentos lacustres ou de cursos de água podem ser boas biomonitoras para a poluição, diz Thomas Custer, do Centro de Ciências Ambientais do Upper Midwest do Geological Survey em La Crosse, Wisconsin. Isso acontece porque qualquer contaminação presente no sedimento chegará às aves, bem como aos seus ovos e filhotes.

Um exemplo, diz Custer, e a andorinha das árvores Tachycineta bicolor, que ainda revelava "quantidades significativas" de compostos tóxicos conhecidos por bifenóis policlorados nos seus ovos e filhotes sete anos após o início dos esforços de remediação numa antiga fábrica de baterias no Refúgio Nacional da Vida Selvagem de Crab Orchard no sul do Illinois. As descobertas "desencadearam uma remoção adicional de sedimentos", diz ele.

Falando no encontro anual da Sociedade de Toxicologia Ambiental e Química em Long Beach, Califórnia, na semana passada, Custer descreveu como o seu grupo também usou andorinhas para monitorizar um projecto de 2010 que tencionava remover sedimentos contaminados do rio Ottawa no estado do Ohio, perto de Toledo. Os dados não estão todos recolhidos ainda mas as coisas estão com bom aspectos, diz ele: "Do ponto de vista das aves, este não é um ponto quente."

Uma vantagem de usar andorinhas para este tipo de trabalho é que estas aves são conhecidas por procurarem alimento ao longo de pequenas distâncias, raramente a mais de 500 metros do ninho. "Elas representam a contaminação localizada", diz Custer.

Para além disso, os investigadores podem atraí-las para as áreas de interesse simplesmente distribuindo caixas para ninhos em postes, pois os locais de nidificação são o limite ambiental mais importante para estas aves, explica ele.

Roger Helm, chefe do programa de contaminantes ambientais do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos (que administra os refúgios naturais do país) em Arlington, Virgínia, concorda. Uma enorme vantagem da utilização de andorinhas, explica ele, é que elas fornecem uma abordagem experimental replicável, que é muito melhor que a recolha de pedaços de informação de animais recolhidos ao acaso.

Mais, acrescenta ele, pode mesmo ajudar as aves, pois a presença de caixas para ninhos melhora o habitat das aves e a perda de alguns ovos e juvenis para os investigadores não prejudica necessariamente a espécie, diz Helm. "É extremamente raro que mais 50% das crias sobrevivam logo à partida. A coisa mais maravilhosa sobre este tipo de trabalho é que se pode dizer algo significativo. O pior tipo de ciência causa bastantes danos e não nada a dizer pois não se tem a amostra suficiente para se tirar uma conclusão razoável. Mata-se uma data de seres e o que se fica a saber?"

 

As andorinhas não são as únicas aves a serem usadas para este tipo de objectivo. Richard Halbrook, toxicologista da vida selvagem na Universidade do Illinois Sul em Carbondale, usa pombos-correio para monitorizar a qualidade do ar.

Os pombos-correio continuam a ser criados por entusiastas de todo o mundo, que os levam a competições. Muitas aves são mantidas em apartamentos ou nos telhados das cidades, onde respiram o ar ambiente. O seu ciclo de vida é bem conhecido, o que não acontece com os pombos selvagens, pois os criadores de pombos "mantêm registos muito elaborados", diz Halbrook.

Num estudo piloto envolvendo aves compradas a criadores da China, Filipinas e Estados Unidos, Halbrook encontrou diferenças espantosas relativas à saúde, aparentemente devidas à qualidade do ar. Em Pequim e Manila, por exemplo, encontrou pulmões negros e testículos inchados. Num caso, um testículo estava tão inchado que era responsável por um quinto do peso total da ave mas em cidades menos poluídas noutros locais da China e nos Estados Unidos, os órgãos das aves era muito mais saudáveis.

Mais, os pulmões e fígado das aves de Pequim apresentavam três ou quatro vezes mais hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, produtos secundários vulgares da queima de combustíveis fósseis, do que os das áreas com melhor qualidade do ar. "Isto sugere que outras espécies, incluindo os humanos, também podem estar a sofrer efeitos adversos" devidos a estes contaminantes ambientais, diz ele.

 

 

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