2012-11-21

Subject: Grandes símios também atravessam crise de meia-idade

 

Grandes símios também atravessam crise de meia-idade

 

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@ Nature

Podem não começar a praticar surf ou dar início a uma nova carreira como pasteleiros de queques mas os chimpanzés e os orangotangos parecem atravessar uma 'crise da meia-idade', tal qual os humanos.

Um estudo de 508 grandes símios em cativeiro agora publicado mostra que a sensação de bem-estar destes animais atinge um mínimo entre o final da casa dos 20 e meados da casa dos 30, o equivalente nos grandes símios da meia-idade, antes de voltar a subir na velhice.

A descoberta de que a crise da meia-idade pode não ser unicamente humana sugere que os eventos podem ter uma causa biológica e não sociológica.

Os homens e mulheres de todo o mundo, independentemente da sua riqueza ou estatuto social, atravessam um período de quebra na sua felicidade na meia-idade, geralmente definida como o período entre meados da casa dos 30 a final da casa dos 50 anos. Apesar desta universalidade, os sociólogos têm tido muita dificuldade em identificar a causa subjacente desta insatisfação. Factores sociais e económicos, como dificuldades financeiras e um falhanço em realizar ambições irrealistas, são causas possíveis.

Alexander Weiss, psicólogo na Universidade de Edimburgo, decidiu verificar se haveria um factor biológico envolvido na crise. Ele e a sua equipa decidiram avaliar o bem-estar de chimpanzés e orangotangos em cativeiro, tal como visto pelos seus tratadores ou outros que os conhecessem bem.

Os primatas estudados cobriam todas as faixas etárias e a sua 'felicidade' foi avaliada através de um questionário respondido pelos seus tratadores. O questionário cobria quatro critérios: a disposição geral dos animais, que prazer obtinham pela socialização, o seu sucesso em atingir objectivos como a obtenção de alimentos e objectos que desejassem e quão feliz seria o tratador se ele ou ela fosse esse animal durante uma semana.

O questionário é claramente antropomórfico, diz Weiss, mas ele acrescenta que é fácil para quem passa muito tempo com um grande símio avaliar a sua disposição. Mais, o seus trabalho anterior mostra que a medida do bem-estar é consistente quando medida por diferentes tratadores e se baseia, em parte, em factores genéticos hereditários.

 

Entre três grupos diferentes de chimpanzés e orangotangos analisados, os mais felizes são tendencialmente os mais velhos e os mais novos, enquanto os mais insatisfeitos tendem a ser os que estão nos 30. O estudo, no entanto, é um instantâneo, não segue os primatas ao longo do tempo, o que significa que podem existir factores que confundem os resultados, como a morte antecipada de primatas infelizes. Ainda assim, Weiss acredita que os resultados oferecem uma imagem verdadeira.

Frans de Waal, primatólogo da Universidade Emory em Atlanta, Geórgia, teria gostado de ver uma medida mais rigorosa da felicidade dos primatas, como níveis de hormonas de stress, mas diz que a conclusão, se real, pode ter implicações na compreensão da nossa própria crise da meia-idade. “Em vez de atribuir a quebra da meia-idade a complexidades da vida profissional ou a outros factores socieconómicos e culturais, pode muito bem ser que certas características físicas, níveis hormonais ou capacidade de regular as emoções desempenham um factor.”

Weiss está intrigado pela ideia de que todos os grandes símios partilham uma base biológica comum para uma quebra na felicidade na meia-idade. As alterações relacionadas com a idade no cérebro são uma possibilidade: “Talvez a evolução precisasse que estivéssemos insatisfeitos na meia-idade”, diz o co-autor do estudo Andrew Oswald, da Universidade de Warwick, Reino Unido. A insatisfação pode ser o catalisador da mudança, potencialmente levando os adultos insatisfeitos a agir de forma mais adaptável, por exemplo, procurando parceiros.

Qualquer explicação é especulativa, admite Weiss, enfatizando que mesmo que exista uma raiz biológica comum, os efeitos da crise são filtrados através das práticas culturais e influências ambientais. “Não penso que encontremos muitos chimpanzés a comprar carros desportivos vermelho brilhante", diz ele.

 

 

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