2012-11-19

Subject: Medicamentos humanos estão a afundar peixes

 

Medicamentos humanos estão a afundar peixes

 

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@ Nature/Darren Staples/REUTERSHá muito que os cientistas sabem que os medicamentos humanos, desde anti-inflamatórios às hormonas das pílulas contraceptivas, estão a desaguar nos cursos de água e a afectar os peixes e outros organismos aquáticos.

Mas os investigadores só agora estão a começar a compilar os muitos efeitos que esses medicamentos parecem estar a ter e isso não são boas notícias para os peixes.

Um desses medicamentos, a fluoxetina, é o ingrediente activo no antidepressivo Prozac. Como outros compostos farmacêuticos, a fluoxetina é excretada na urina das pessoas que a tomam e alcança lagos e cursos de água através de estações de tratamento de esgotos urbanos que não estão equipadas para a remover.

Para investigar os efeitos da fluoxetina, os investigadores viraram-se para uma espécie de peixe comum nas águas doces americanas, o chamado peixinho-de-engodo Pimephales promelas. Normalmente, o peixinho-de-engodo tem um complexo comportamento de acasalamento, com os machos a construírem ninhos para as fêmeas lá colocarem os ovos. Uma vez os ovos postos e fertilizados, os machos cuidam deles, limpando-os de fungos ou ovos mortos.

Mas quando a fluoxetina é acrescentada à água, tudo isto muda, diz Rebecca Klaper, ecologista no Instituto da Água dos Grandes Lagos da Universidade do Wisconsin-Milwaukee. Klaper apresentou os seus resultados no encontro de 2012 da divisão norte-americana da Sociedade de Toxicologia Ambiental e Química em Long Beach, Califórnia.

As fêmeas dos peixinhos-de-engodo parecem não ser afectadas pelo medicamento mas a concentrações de fluoxetina comparáveis com os níveis mail elevados documentados em água doce, os machos começam a passar mais tempo a construir os seus ninhos. Quando a dose é aumentada dez vezes, os machos "tornam-se obsessivos, ao ponto de ignorarem as fêmeas", diz Klaper.

Quando as concentrações de fluoxetina são aumentadas ainda mais, a reprodução cessa completamente. "Os machos começam a matar as fêmeas", diz ela. Klaper também salientou que se as fêmeas são introduzidas um mês após os machos terem sido expostos ao químico, os machos já não revelam este comportamento agressivo mas as fêmeas continuam ser por ovos: "Algo acontece nesse tempo."

O comportamento reprodutivo não é a única coisa que pode ser afectada por vestígios de produtos farmacêuticos. No mesmo simpósio, Dan Rearick, toxicologista aquático da Universidade Estadual St Cloud State no Minnesota, relatou que um composto químico encontrado nas pílulas contraceptivas, o 17-β-estradiol, reduz a capacidade das larvas dos peixinhos-de-engodo fugirem aos predadores.

Após expor as larvas ao estradiol, Rearick sujeitou-as a vibrações súbitas, semelhantes às produzidas por predadores em aproximação. Usando vídeos de alta velocidade, mediu quanto tempo as larvas levavam a curvar o corpo em forma de C, um comportamento de fuga conhecido por C-start: "Estão a preparar-se para se lançar para a fuga." Descobriu que, mesmo com níveis ambientais de estradiol (20 ou 100 nanogramas por litro), a reacção das larvas era significativamente atrasada quando comparada com larvas que não tinham sido expostas ao estradiol.

Numa segunda experiência, ele criou centenas de larvas, expostas e não expostas ao estradiol, e repetidamente colocou dez larvas de cada grupo juntas num tanque com um predador, um peixe-lua Lepomis macrochirus. Quando metade das larvas de cada experiência eram devoradas, Rearick analisava as larvas que restavam.

 

Os resultados estavam de acordo com os da experiência do C-start: das larvas sobreviventes, apenas cerca de 45% eram do grupo exposto ao estradiol, com a maioria dos sobreviventes a provir do grupo de controlo (55%).

Essa diferença pode não parecer importante mas usando um modelo biológico de população multigeracional, Rearick descobriu que seria o suficiente para produzir um colapso populacional rápido nos peixes expostos ao estradiol. Mesmo que os peixes não fossem tão fortemente afectados, ainda existiria um declínio lento mas contínuo, descobriu ele.: "Temos aqui razão para preocupação."

Um trabalho anterior de uma equipa de investigadores americanos e canadianos já tinha demonstrado que, num pequeno lago deliberadamente contaminado com estradiol, a população de peixinhos-de-engodo tinha declinado acentuadamente. "Eles atribuíram a situação a falha reprodutiva mas os meus dados sugerem que pode, para além disso, haver impactos na sobrevivência das larvas."

Para saber mais, Rearick comparou a expressão génica em peixes expostos e não expostos ao estradiol. Descobriu um aumento significativo na expressão de genes que codificam o neurotransmissor dopamina nos peixes expostos, sugerindo que algo pode estar a acontecer nos seus cérebros em desenvolvimento.

Klaper seguiu uma abordagem semelhante na sua investigação dos efeitos da fluoxetina nos peixinhos-de-engodo, descobrindo uma cascata de alterações na expressão génica no cérebro dos machos, à medida que a dose aumentava. "Estou agora a tentar perceber as vias fisiológicas que podem estar envolvidas", diz ela.

 

 

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