2012-11-18

Subject: Crocodilos têm mandíbulas supersensíveis 

 

Crocodilos têm mandíbulas supersensíveis 

 

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@ BBC

Os crocodilianos, famosos pela sua pele espessa, são na realidade mais sensíveis ao toque que os humanos, revelaram cientistas americanos, que investigaram os pontos em forma de cúpula ao longo das mandíbulas de aligatores e crocodilos.

Os investigadores descobriram que as pequenas saliências eram compostas por células especializadas e eram mais sensíveis que as pontas dos dedos da mão humana. Eles sugerem que estes pontos desempenham um papel crucial nos impressionantes tempos de reacção destes répteis aquáticos quando caçam.

As descobertas foram publicadas na última edição da revista Journal of Experimental Biology.

O co-autor Duncan Leitch, da Universidade Vanderbilt em Nashville, comentou: "As mandíbulas dos crocodilos parecem ser únicas" e pode-se dizer que desempenham as mesmas funções tácteis das mãos humanas.

Leitch explica que, como os membros anteriores dos crocodilianos são demasiado curtos para agarrar alguma coisa, usam as mandíbulas para os cuidados maternais, abrindo delicadamente os ovos e transportando os bebés na boca. Este comportamento indicia que, para além da sua bem conhecida força de mordida de 2000 psi, as mandíbulas de crocodilos, aligatores e outros membros da família são capazes de movimentos muito controlados.

As mandíbulas das espécies de crocodilianos são pintalgadas com pequenas saliências pretas mas até agora os  cientistas não tinham sido capazes de explicar a função dessas estruturas. Tinha sido proposto que as saliências fossem receptores de campos eléctricos ou magnéticos, poros para a secreção de fluidos ou até detectores de salinidade.

Em laboratório, Leitch testou como estas saliências reagiam a uma variedade de estímulos e não encontrou reacções à salinidade ou aos campos eléctricos mas encontrou um 'gatilho' chave.

"Quando usei uma série calibrada de fibras para tocar ou fazer cócegas às saliências, descobri que elas eram reactivas a forças menores às das nossas próprias pontas dos dedos, um sistema sensorial vastamente estudado pela sua própria sensibilidade", diz Leitch.

A análise da estrutura interna das saliências revelou o seu funcionamento: "Descobri que existiam muitos tipos de receptores celulares especializados, muitos dos quais são muito semelhantes aos encontrados na pele humana", diz Leitch.

 

Ao microscópio ele descobriu que havia muitas terminações nervosas livres perto da superfície das saliências. Mais abaixo na pele ele encontrou estruturas sensíveis à pressão e à vibração. "Fiquei muito surpreendido com estes resultados, especialmente se considerarmos até que ponto a pele dos crocodilos e aligatores parece ser couraçada."

"No entanto, parece fazer sentido que um animal que pode precisar de descriminar cuidadosamente entre objectos não comestíveis e alimentos, especialmente em ambientes escuros e de noite, estivesse bem servido de um sentido do tacto requintado."

Leitch seguiu as estruturas nervosas e descobriu que os crocodilos do Nilo e os aligatores americanos estudados tinham uma delicada rede de nervos através de todo a mandíbula, que se estendia pelo crânio antes de desembocar nas saliências.

Ele sugere que esta disposição, com a rede largamente protegida pelo crânio, pode ajudar a proteger os nervos durante as familiares demonstrações de agressividade dos crocodilianos, na caça ou como forma de protecção.

"Apesar dos crocodilianos certamente não serem ancestrais dos humanos, é interessante ver como diferentes partes do seu cérebro frontal podem ter evoluído para processar diferentes sensações", diz Leitch. "Um dos objectivos desta investigação é obter uma melhor compreensão da forma como sistemas nervosos muito diferentes evoluíram para resolver problemas semelhantes."

Leitch acrescenta que, como fósseis vivos que sobreviveram a vários eventos de extinção em massa, os crocodilianos representam uma parte central do puzzle evolutivo: "É interessante considerar que adaptações, incluindo possivelmente as capacidades sensoriais, os tornaram animais tão robustos."

 

 

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