2012-11-17

Subject: Matar ratos é matar aves

 

Matar ratos é matar aves 

 

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@ NatureOs legisladores no Canadá e nos Estados Unidos estão a dar passos para restringir a utilização de venenos para roedores baseados em anti-coagulantes, pois estudos mostram que as toxinas se acumulam nas aves de rapina e noutros animais.

Os compostos químicos em questão são anti-coagulantes rodenticidas (AR), que actuam da mesma forma que o medicamento humano warfarin. O próprio warfarin é usado como veneno para ratos mas é considerado pelo toxicólogos ambientais como um AR de primeira geração, menos letal e menos propenso a bioacumulação do que os seus sucessores de segunda geração.

Há muito que os ecologistas sabem que pesticidas como o DDT se acumulam nos organismos e matam animais que se alimentam das pragas alvo dos venenos mas até recentemente os cientistas não se tinham apercebido do grau em que isso também pode acontecer com os AR de segunda geração. "Parece que sempre que alguém apanha um punhado de aves de rapina mortas e analisa os seus fígados, encontra uma surpreendentemente alta incidência destes compostos", diz John Elliott, ecotoxicólogo no Environment Canadá em Delta.

Num estudo de mais de 130 aves de rapina mortas na zona de Vancouver, Canadá, "virtualmente 100%" das corujas e grande proporção dos falcões tinham resíduos de pelo menos um dos AR de segunda geração no fígado, anunciou Elliot esta semana no encontro de 2012 da divisão da América do Norte da Sociedade de Toxicologia Ambiental e Química de Long Beach, Califórnia: "Do ponto de vista regulatório, os AR de segunda geração são 'PBT'", diz ele. "Persistentes, bioacumuladores e tóxicos."

Presumivelmente, estas aves de rapina estão a alimentar-se de ratos envenenados mas outras aves também podem ser envenenadas se insectos de alimentarem de isco para ratos e as aves os comerem a eles. É possível que ate que algumas das aves comam o isco directamente: Elliott colocou pardais numa gaiola com isco para ratos e "eles aproveitaram logo".

Os AR interferem com a coagulação sanguínea mas há uma enorme variação na susceptibilidade de cada ave aos venenos, diz Maureen Murray, veterinária de vida selvagem na Escola de Medicina Veterinária Tufts Cummings em North Grafton, Massachusetts, que já trabalhou com centenas de aves de rapina feridas, muitas delas com envenenamento por AR. Variação semelhante pode ser vista em humanos que tomam medicamentos anti-coagulantes como o warfarin. "É um medicamento que exige um seguimento intensivo", diz Murray.

Os governos estão a tomar medidas para lidar com o problema: a 1 de Janeiro, o Canadá via começar a restringir a utilização da maioria dos AR de uso exterior, substituindo-os por compostos de primeira geração, menos tóxicos, diz Elliott. Na maioria das situações, o isco terá que ser contido em recipientes resistentes à manipulação ou em localizações não acessíveis à fauna não alvo.

 

A Agência de Protecção Ambiental americana está a considerar a proibição dos AR de segunda geração do mercado de consumo. Também há uma opção pela utilização mais intensiva da potente neurotoxina chamada brometalina, diz Anne Fairbrother, directora de ecociência na Exponent, de Bellevue, Washington.

No entanto, ela pensa que as proibições domésticas não terão grande efeito, pois a maior parte da utilização de rodenticidas em exteriores é feita por profissionais de controlo de pragas. Um estudo feito no Verão passado descobriu que "muitos" operadores colocam os seus produtos no exterior e deixam-nos lá durante muito tempo. "Isso aumenta significativamente a exposição da vida selvagem aos venenos", diz Fairbrother.

Ela também não está entusiasmada com a mudança para a brometalina. "Não há antídoto", diz ela, nada que torne este composto um risco menos grave para crianças e animais de estimação. Os AR, pelo contrário, podem ser tratados com vitamina K.

Melhor política, diz Fairbrother, pode ser a proibição dos pontos de isco permanentes e a exigência que os profissionais de controlo de pragas utilizem apenas os AR necessários. Os consumidores também deviam ser informados dos potenciais riscos ecológicos destes compostos.

"Sabemos que os consumidores compreendem e respondem aos alertas sobre a exposição da vida selvagem", diz Fairbrother. Há alguns anos, acrescenta ela, um estudo perguntou aos consumidores se sabiam que os rodenticidas podiam afectar a vida selvagem não alvo. "As pessoas não sabiam", diz ela, mas uma vez alertadas a sua resposta foi "agora que sei, vou ser mais cuidadoso com a forma como os uso". 

 

 

Saber mais:

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