2012-11-10

Subject: Corais ameaçados convocam peixes aliados

 

Corais ameaçados convocam peixes aliados 

 

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@ Nature/Danielle DixsonCorais ameaçados por algas tóxicas emitem um grito químico de ajuda que convoca peixes que devorarão o perigo.

Quando os corais Acropora nasuta entram em contacto com a alga tóxica Chlorodesmis fastigiata, libertam um composto químico que lhes traz "guarda-costas com dois centímetros de comprimento" na forma de cabozes, peixes que vivem nas fendas do coral, diz Mark Hay, do Instituto de Tecnologia da Georgia em Atlanta. Hay e a sua colega Danielle Dixson descobriram que os cabozes surgiam minutos depois do contacto com as algas.

Trabalhando nas águas ao largo das ilhas Fiji, os investigadores observaram que os corais com cabozes residentes tinham 30% menos abundância de algas após três dias, enquanto nos corais de controlo não se observava qualquer diferença no mesmo período. O conteúdo do estômago dos peixes indicou que uma das espécies de caboz, Gobiodon histrio, comia as algas, enquanto uma segunda espécie, Paragobiodon echinocephalus, apenas a podava. Os caboz G. histrio recebiam igualmente um benefício pois tornavam-se mais tóxicos para os predadores depois de comerem a alga. 

O estudo foi publicado na última edição da revista Science.

Para testar a possibilidade de os corais estarem a alertar activamente os seus inquilinos para a ameaça, Dixson e Hay expuseram cabozes a água de várias localizações. Água de zonas onde havia algas não gerou qualquer resposta nas duas espécies de cabozes mas água do mar retirada de pontos onde a alga estava em contacto com corais levou os cabozes de 20 colónias de coral diferentes a deslocar-se para essa fonte. Quando a experiência foi feita novamente com uma espécie aparentada de coral não se observou nenhuma resposta, o que Hay compara a sabermos distinguir quando é o nosso alarme que toca ou quando é o do vizinho.

Outros residentes dos corais não foram tão eficazes na vigilância do bairro. Os peixes-donzela expostos ao mesmo odor simplesmente abandonaram os lares de coral no espaço de 48 horas. Hay diz que os peixes-donzela parecem pensar “a vizinhança está a ir cano abaixo, vamos pôr-nos a milhas, enquanto os cabozes aparecem para podar as algas".

Apesar dos investigadores não puderem por de parte a possibilidade de os peixes estarem a reagir a um composto químico que os corais libertam em resposta a qualquer tipo de stress, Hay considera que “o equilíbrio de provas indica que pode muito bem ser um sinal enviado pelos corais" para os cabozes.

 

Os cabozes passam muitas vezes toda a sua vida na mesma colónia de coral e Hay compara a relação com a observada entre as formigas e as acácias, em que a árvore fornece espaço para os insectos viverem e estes defendem-na ferozmente. Muitas outras plantas terrestres libertam sinais quando atacadas por herbívoros, que atraem os predadores dessas pragas.

Mas deslindar essas ligações é difícil: “A base sensorial para as interacções ecológicas permanece enigmática, especialmente nos habitats marinhos”, diz Richard Zimmer, que estuda sinais químicos entre organismos na Universidade da Califórnia, Los Angeles. “Esta investigação de Dixon e Hay faz a ponte entre a causa, neste caso o sinal químico, e o efeito no ecossistema."

Thomas Breithaupt, que investiga a ecologia sensorial dos animais aquáticos na Universidade de Hull, Reino Unido, refere que os sinais químicos são imensamente importantes nos ecossistemas aquáticos mas estão relativamente inexplorados.

“Em comparação com os sistemas terrestres, sabe-se muito pouco sobre os compostos químicos que moderam estas interacções em ambientes aquáticos. Dixson e Hay fizeram um excelente trabalho a mostrar como estes compostos químicos são importantes, é um daqueles exemplos em que ficamos uma perspectiva muito interessante da ecologia do recife de coral." 

 

 

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