2012-11-07

Subject: Sandy lança Estados Unidos no debate sobre adaptação climática 

 

Sandy lança Estados Unidos no debate sobre adaptação climática 

 

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@ Nature/B. Matthews/AP

À medida que o furacão Sandy lançava uma parede de água salgada com 4,2 metros de altura no coração de Nova Iorque e costa em redor na noite de 29 de Outubro, os cientistas e engenheiros punham vistos numa lista de pesadelo de efeitos de marés de tempestade que andavam a criar há mais de uma década: inundações catastróficas de zonas baixas? Visto; Túneis e linhas de metro submersos? Visto; Danos a subestações eléctricas e cortes de energia generalizados? Visto.

“Todas as nossas previsões se tornaram realidade", diz Malcolm Bowman, especialista em modelação de marés de tempestade na Universidade Stony Brook em Nova Iorque. Bowman tem defendido a necessidade de construir barreiras contra estes eventos em redor da cidade há mais de uma década e a chegada do Sandy, diz ele, é a triste prova que as actuais políticas são danosamente inadequadas.

Numa única noite, a tempestade gigante incapacitou um dos principais centros económicos e industriais do mundo, destruindo milhares de casas e deixando milhões de pessoas sem electricidade ou acesso fiável a alimentos, água e combustíveis. Uma semana depois, os bairros periféricos continuam em crise. 

Tal como o Katrina em 2005, o Sandy rapidamente personificou a nebulosa ameaça do aquecimento global e reacendeu a discussão sobre a melhor forma de preparar Nova Iorque ou outras grandes metrópoles costeiras para um futuro de subida dos mares e clima mais volátil. Um tópico ignorado pelos dois candidatos a presidente americano tomou conta do debate a poucos dias da eleição.

Chamados à atenção pelas predições dos peritos climáticos de que uma atmosfera mais quente e a subida do nível do mar irão trazer grandes tempestades para a costa leste dos Estados Unidos com frequência crescente, os líderes políticos da região fizeram soar o alarme sobre a ameaça a longo prazo. A 31 de Outubro, o governador do estado de Nova Iorque Andrew Cuomo apelou a um “repensar fundamental do nosso ambiente construído" e um dia depois o presidente da câmara Michael Bloomberg citou a tempestade ao apoiar o presidente Barack Obama. Bloomberg, que antes tinha mostrado desapontamento com ambos os candidatos, elogiou os esforços de Obama para reduzir as emissões de carbono. Também recordou o papel de Romney no desenvolvimento de um esquema de limitação de emissões regional quando governador do Massachusetts, mas rapidamente passou às críticas por este ter revertido a sua posição sobre o clima na campanha presidencial. “Quero que o nosso presidente coloque as provas científicas e a gestão de risco acima da política eleitoral", escreveu ele.

O Sandy foi alimentado por águas superficiais que tinham cerca de 3°C acima da média ao longo da costa leste. Apenas uma fracção disso, cerca de 0,6°C, pode ser atribuído ao aquecimento global. Mas ainda que os cientistas sejam muito relutantes a atribuir qualquer evento meteorológico específico ao aquecimento global, é facto que os furacões estão a aumentar de força “e já o estão a fazer há 20 anos", diz Kerry Emanuel, perito em furacões no Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT) em Cambridge.

O Sandy foi invulgar não apenas pela sua força mas também pela sua rota. Os ciclones tropicais que se deslocam tão para norte nesta época do ano são geralmente varridos para o mar mas um sistema de altas pressões ao sul da Groenlândia forçou-o para terra, onde se fundiu com um típico sistema de tempestade de Inverno que se deslocava para leste.

Dois estudos publicados em Fevereiro e Março deste ano sugerem que o aquecimento devido à perda de gelo no oceano Árctico pode alterar a circulação regional de ar, provocando mais remoinhos no jet stream. O efeito global, dizem os investigadores, é um aumento da probabilidade de tempestades de Inverno graves e outros eventos climáticos extremos por todos os Estados Unidos, Europa e norte da China. Apesar da ideia permanecer controversa, alguns cientistas questionam-se sobre se o mesmo fenómeno poderá levar ao aumento dos furacões como o Sandy e o Irene, que no ano passado varreu a costa desde a Carolina do Norte a Nova Iorque e chegou perigosamente perto de inundar a cidade, como o Sandy fez.

Um estudo dos registos de variações de marés desde 1923 e publicado no mês passado, descobriu que a probabilidade de eventos de marés de grande amplitude mais ou menos duplica durante os anos quentes, quando comparados com os anos mais frios.

 

Nova Iorque está especialmente em risco, segundo o estudo de Emanuel e outros cientistas do MIT e da Universidade de Princeton em Nova Jérsia. Em 2100, tempestades mais intensas e a potencial subida do nível do mar em um metro podem combinar-se para causar inundações na cidade à escala que actualmente é uma por século a passarem a cada 3 a 20 anos.

A tempestade trouxe urgência ao debate sobre adaptação em painéis como o Painel sobre Alterações Climáticas de Nova Iorque, criado por Bloomberg em 2008. Bowman e outros têm defendido um sistema de barreiras marítimas ou diques semelhantes aos de Londres, Holanda ou, mais recentemente, São Petersburgo.

O sistema visualizado por Bowman incluiria uma barreira de 8 quilómetros com cerca de 6 metros de altura e que poderia ser aberta e fechada à entrada do porto de Nova Iorque e uma segunda barreira à entrada do canal de Long Island. Ele estima os custos em US$15 mil milhões, mais ou menos o mesmo que o congresso atribuiu ao Corpo de Engenharia do Exército dos Estados Unidos em 2005 para construir uma barreira semelhante em redor de Nova Orleães. As actuais estimativas de danos causados pelo Sandy estão entre $30 e $50 mil milhões.

Alguns cientistas estão preocupados com o foco colocado apenas sobre as barreiras e que isso seja contraproducente. Ao perturbar o fluxo do rio e aumentando a sedimentação, as barreiras podem alterar os ecossistemas e ao desviar as marés de tempestade podem exacerbar as inundações em zonas não protegidas, como a baia Jamaica no sul de Brooklyn. Mais, as barreiras marítimas não protegem contra precipitação intensa que gera inundações em terra.

“O Sandy mostrou que temos que fazer os estudos sobre as barreiras agora”, diz Cynthia Rosenzweig, do painel sobre o clima de Nova Iorque e cientista do Instituto de Estudos Espaciais Goddard da NASA. “Mas penso que temos que considerar um conjunto holístico e integrado de soluções e não colocar todos os ovos nas barreiras.”

Nova Iorque já começou a implementar um plano criado em 2007 para tornar a cidade mais resistente aos esperados efeitos das alterações climáticas deslocando equipamento eléctrico para fora das caves e adoptando novos designs urbanos na costa que possam suportar cheias ocasionais. Não é claro o que estes esforços poderiam ter reduzido o impacto na semana passada mas Rosenzweig diz que os cientistas e funcionários do estado devem garantir que a reconstrução tenha em mente o aquecimento global.

“Apesar de ser possível que não vejamos uma tempestade desta magnitude durante algum tempo", acrescenta Rosenzweig, “o processo de adaptação na cidade tem que continuar a avançar."

 

 

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