2012-11-06

Subject: Ratos-toupeira cegos podem ser para o chave do cancro 

 

Ratos-toupeira cegos podem ser para o chave do cancro 

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ NatureEstes roedores subterrâneos de vida longa têm mais de uma maneira de evitar o cancro e podem mesmo deter as pistas celulares para a criação de tratamentos em humanos.

Culturas celulares de duas espécies de ratos-toupeira, Spalax judaei e Spalax golani, comportaram-se formas que as tornaram imunes ao crescimento de tumores, segundo um trabalho apresentado por Vera Gorbunova, da Universidade de Rochester em Nova Iorque.

Os animais parecem ter desenvolvido uma nova forma de obter este resultado, diferente da observada numa outra espécie de rato-toupeira, o nu Heterocephalus glaber, igualmente resistente ao cancro.

Perto de 23% dos humanos morrem de cancro mas os ratos-toupeira cegos, que atingem os 21 impressionantes anos de vida (para roedores, pelo menos), parecem ser imunes à doença. “Estes animais estão sujeitos a enormes stresses no subsolo: escuridão, escassez de alimento, quantidade gigantesca de agentes patogénicos e baixos níveis de oxigénio. Por isso desenvolveram um leque de mecanismos para lidar com estas dificuldades”, explica o co-autor do artigo Eviatar Nevo, da Universidade de Haifa, Israel, que publicou artigos sobre estes animais desde 1961. “Acredito verdadeiramente que trabalho com estes animais trará uma revolução dramática na medicina."

Há três anos, Gorbunova estava envolvida noutro estudo que descreveu a invulgar forma como as células do rato-toupeira nu se comportavam em laboratório, que os autores consideram indiciar a forma como os ratos resistem ao cancro. Quando as células da maioria dos animais são cultivadas em caixa de Petri, dividem-se até formarem uma única camada de células a cobrir o fundo. Neste momento, as células saudáveis deixam de se dividir, enquanto as células cancerosas continuam. No entanto, as células dos ratos-toupeira nus comportam-se como se fossem claustrofóbicas, deixando de se dividir muito mais cedo que as células de outras espécies.

“Pensámos que as células dos ratos-toupeira cegos usassem o mesmo mecanismo que as células dos ratos-toupeira nus", diz Gorbunova, “por isso, descobrir que não o fazem foi uma grande surpresa”. Em vez de pararem de se dividir, as células dos ratos-toupeira cegos atingem um ponto em que morrem em massa num surto de 'suicídio celular' que Gorbunova apelida de “morte celular concertada".

Esta situação parece ser desencadeada pela libertação colectiva de uma molécula sinalizadora chamada interferão-beta, apesar das causas disso permanecerem pouco claras. “As células têm alguma forma de detectar quando há excesso de proliferação mas ainda não sabemos precisamente como o fazem”, diz Gorbunova. “Este é o aspecto que precisamos de descobrir de seguida pois pode fornecer algumas pistas sobre a forma como poderemos activar o mesmo processo em células humanas.”

 

No entanto, este não é necessariamente o mecanismo que permite aos ratos-toupeira cegos resistirem ao cancro, salienta Jerry Shay, que estuda os mecanismos de envelhecimento e morte celulares no Centro Médico Sudoeste na Universidade do Texas, em Dallas. “É possível que os investigadores não tenham simplesmente encontrado os métodos adequados para manter estas células em culturas a longo prazo, é possível que as condições de cultura estejam a causar um stress aumentado sobre as células, resultando na morte celular.”

De facto, nenhum biólogo ainda determinou como manter as células dos ratos-toupeira cegos vivas em culturas a longo prazo. “Se aplicarmos a mesma técnica que funciona para vinte outras espécies de roedores, por alguma razão ela não será suficientemente boa para as células desta espécies, elas morrem sempre”, diz Gorbunova.

Mas, contra o que seria de esperar, esta morte celular em massa pode ser precisamente a razão porque estes animais vivem tanto tempo: pode ser um mecanismo natural que o seu corpo usa para se ver livre de células pré-cancerosas, impedindo os tumores de se desenvolver.

 

 

Saber mais:

Genome sequencing reveals insights into physiology and longevity of the naked mole rat

Naked mole-rats don't feel the burn

Old mole-rat boosts ageing research

Ratos-toupeira têm GPS natural

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2012


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com