2012-11-04

Subject: Agricultura responsável por um terço das emissões globais de gases de efeito de estufa

 

Agricultura responsável por um terço das emissões globais de gases de efeito de estufa 

 

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@ A. Sacks/Getty/NatureO sistema global de produção de comida, da produção de fertilizantes à armazenagem de alimentos e sua embalagem, é responsável por um terço de todas as emissões antropogénicas de gases de efeito de estufa, de acordo com os últimos números do Grupo Consultor de Investigação Agrícola (CGIAR), uma parceria entre 15 centros de investigação de todo o mundo.

Em dois relatórios publicados recentemente, o CGIAR considera que a redução da pegada de carbono da agricultura é um ponto central na limitação das alterações climáticas. Além disso, para ajudar a garantir a segurança alimentar, os agricultores de todo o globo terão provavelmente de mudar as suas culturas e práticas agrícolas para outras mais resistentes ao clima.

“As emissões relacionadas com os alimentos e os impactos das alterações climáticas na agricultura e no sistema alimentar vão alterar profundamente a forma como cultivamos e produzirmos alimentos”, diz Sonja Vermeulen, especialista em plantas na Universidade de Copenhaga, Dinamarca, e co-autora de um dos estudos, que estima a pegada de emissões dos alimentos.

Vermeulen e a sua equipa examinaram pela primeira vez as emissões de carbono para todos os estádios do sistema global de produção de alimentos. Trabalhos anteriores apenas tinham analisado a contribuição da produção agrícola para as emissões de gases de efeito de estufa, incluindo a libertação de óxido nitroso dos solos devido a técnicas agrícolas como o arar a terra.

Usando estimativas de 2005, 2007 e 2008, os investigadores descobriram que a produção agrícola é responsável pela parte de leão das emissões de gases de efeito de estufa do sistema de produção de alimentos, libertando cerca de 12 mil megatoneladas de equivalentes de dióxido de carbono por ano, ou seja, cerca de 86% de todas as emissões antropogénicas relacionadas com alimentos. 

A seguir vem a produção de fertilizantes, que liberta cerca de 575 megatoneladas, seguida da refrigeração com 490 megatoneladas. Os investigadores descobriram que todo o sistema de produção de alimentos libertou entre 9,8 mil e 16,9 mil megatoneladas de equivalentes de dióxido de carbono para a atmosfera em 2008, incluindo emissões indirectas devidas a desflorestação e alterações de uso da terra.

“Esta é a primeira vez que isto foi feito. É um artigo corajoso, atendendo às enormes limitações de dados que existem, por isso é que tem intervalos tão grandes”, diz Bruce Campbell, ecologista e director do programa de investigação sobre alterações climáticas, agricultura e segurança alimentar do CGIAR. 

Em países com altos rendimentos, a pós-produção, incluindo a armazenagem e o transporte, contribuem proporcionalmente elevado para as emissões do sistema de produção de alimentos, enquanto nos de menores rendimentos, a produção de fertilizantes assume o papel principal, descobriram os investigadores.

A subida das temperaturas e a probabilidade de inundações vai desafiar a capacidade dos agricultores para armazenar e distribuir alimentos, aumentando o risco de doenças devidas aos alimentos e diarreias, acrescentam eles. "A segurança alimentar será um tema crucial no futuro, isto é uma abordagem diferente da habitual sobre produtividade das culturas e emissões", diz Campbell.

 

No segundo relatório, Philip Thornton, perito em agricultura no Instituto Internacional de Investigação sobre Gado de Nairobi, Quénia, examinou os potenciais efeitos das alterações climáticas em 22 dos mais importantes produtos agrícolas, incluindo trigo, soja e batatas.

Em 2050, as alterações climáticas poderão levar a que a produção irrigada de trigo em países em desenvolvimento caia 13% e que o arroz irrigado caia 15%. Em África, a produção de milho pode cair 10 a 20% no mesmo período de tempo.

Para algumas culturas, melhoramentos na resistência ao calor por cruzamentos convencionais e transgénicos, por exemplo, podem ajudar os agricultores a adaptar-se mas para outras serão necessárias alterações mais radicais. Thornton refere que zonas de cultura de batata, incluindo China e Índia, irão provavelmente assistir a quedas significativas na sua produtividade com a subida das temperaturas e sugere que os agricultores considerem outras culturas, como as bananas, que se dão melhor em climas mais quentes.

Campbell diz que o CGIAR irá utilizar a sua agenda de pesquisa para a próxima década para “identificar as culturas e as regiões em que deve investir".

Ele apela aos governos que se vão encontrar este mês na conferência sobre alterações climáticas em Doha, Qatar, que cheguem a um acordo sobre a forma de lidar com os desafios da mitigação e adaptação às alterações climáticas na agricultura. 

 

 

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