2012-11-01

Subject: Furacão Sandy acelera discussão sobre alterações climáticas

 

Furacão Sandy acelera discussão sobre alterações climáticas

 

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@ NatureOs Estados Unidos ainda estão a sofrer o impacto do furacão Sandy, o segundo a atingir os estados da costa nordeste em dois anos. Inundações e cortes de energia generalizados paralisaram Nova Iorque e Nova Jérsia e mesmo a eleição do presidente passou para segundo plano com o presidente Barack Obama a deixar a campanha para coordenar a resposta federal à calamidade. 

Tem-se falado frequentemente do aquecimento global como potencial motor deste tipo de evento mas os cientistas e os média ainda têm dificuldade em comunicar estas complexidades ao público. Vejamos um pouco da ciência por trás da 'frankenstorm'.

O que tornou o furacão Sandy tão devastador?

Começa logo pelo facto mais importante, a sua dimensão. À medida que se aproximava da costa leste dos Estados Unidos na segunda-feira, os ventos de furacão (com mais de 118,5 quilómetros por hora) estendiam-se cerca 280 quilómetros para fora do centro da tempestade, atingindo valores máximos de cerca de 145 quilómetros por hora. Os ventos de força de tempestade tropical acima de 63 quilómetros por hora estendiam-se até 780 quilómetros do centro.

Por que razão é invulgar?

O furacão Sandy é potencialmente uma tempestade sem precedentes devido ao contexto meteorológico em que se desenvolveu. Primeiro, antes de chegar a terra, alimentou-se de águas superficiais invulgarmente quentes no oceano Atlântico; segundo, enquanto este tipo de tempestade tende a contornar os Estados Unidos antes de derivarem para nordeste e se dissiparem no mar. 

O Sandy foi influenciado por um sistema de altas pressões ao largo da Groenlândia que o forçou em direcção a terra. Ao faze-lo, a tempestade fundiu-se com um sistema invernal que se aproximava vindo do ocidente, colocando os meteorologistas na invulgar posição de prever alertas de nevões para um sistema de furacão tropical. Finalmente, os efeitos da tempestade foram amplificados pela lua cheia, que geralmente já significa marés mais fortes que a média.

Qual a ligação deste evento com o aquecimento global?

Alguns cientistas salientam que podemos passar a ver mais deste tipo de eventos climáticos severos num planeta mais quente, mesmo que não possamos atribuir directamente às alterações climáticas uma dada tempestade. 

No início de Outubro, uma equipa da Universidade Normal de Pequim, China, descobriu que os surtos de grandes tempestades aumentaram de frequência desde 1923 e que os eventos em larga escala têm cerca do dobro da probabilidade de ocorrer em anos quentes do que em anos frios. Outros falaram do potencial do degelo de Verão e das águas cada vez mais livres no oceano Árctico para alterar o fluxo da corrente do Golfo no hemisfério norte, levando tanto a furacões como a grandes tempestades de Inverno que têm atingido o nordeste americano nos últimos anos.

Mas a questão está longe de estar resolvida e as alterações climáticas não são o único factor. Por exemplo, apesar de as temperaturas superficiais do oceano estarem cerca de 3°C acima da média ao longo da costa atlântica da América do Norte, a subida esperada devida ao aquecimento global é de apenas 0,6°C, segundo Kevin Trenberth, cientista climático no Centro Nacional de Investigação Atmosférica em Boulder, Colorado. Por isso, ainda que não haja dúvida que o clima em mudança tem o seu papel, diz Trenberth, há grande margem para variabilidade natural.

Mais ainda, a subida do nível do mar devido ao aquecimento global espera-se que acrescente à ameaça de furacões mais intensos. Segundo um estudo com modelos feito por investigadores do Instituto de Tecnologia de Cambridge e da Universidade de Princeton em Nova Jérsia, publicado em Fevereiro na revista Nature Climate Change, os efeitos combinados da climatologia e da subida de um metro no nível do mar podem significar que eventos com ciclos de 100 anos podem passar a cada 3a 20 anos no final do século.

O que significa isto no terreno?

A tempestade que flagelou a maior parte da costa leste dos Estados Unidos e atingiu cerca de 20% da população americana, das Carolinas à Nova Inglaterra conduziu uma enorme maré de tempestade que os ventos no sentido contrário aos ponteiros do relógio empurraram para a costa a norte do centro da tempestade, levando a graves inundações. 

 

Em Nova Iorque, os responsáveis referiram que a maré quebrou um recorde com 200 anos, inundando túneis rodoviários e do metro. Milhões de pessoas ficaram sem energia e os altos níveis de água perto da central nuclear desactivada de Oyster Creek em Nova Jérsia, levaram os responsáveis a colocar as instalações em alerta. Mais, a tempestade pode trazer precipitação prolongada e intensa à medida que se desloca para o interior. O presidente Barack Obama assinou declarações de calamidade para 12 estados.

Qual o montante em danos que se pode esperar?

A EQECAT, consultora de Oakland, Califórnia, estimou que as perdas económicas associadas ao furacão Sandy poderiam ir de US$10 mil milhões a $20 mil milhões e que as seguradoras seriam confrontadas com pagamentos de cerca de metade disso. Isto comparado com os $10 mil milhões de perdas devidas ao furacão Irene do ano passado, que incluíram $6 mil milhões de perdas seguradas. O furacão Ike destruiu $20 a $30 mil milhões em 2008, segundo a EQECAT, incluindo perdas seguradas de $12 mil milhões. No entanto, após as primeiras avaliações, estima-se que as perdas do Sandy possam atingir os $50 mil milhões.

De que forma estão as seguradoras a lidar com as evidências que associam o aquecimento global a tempestades mais intensas?

Esta questão tem sido recorrente desde há anos, particularmente para companhias 'resseguradoras', gigantes da indústria que seguram as companhias de seguros contra grandes catástrofes. Ainda assim, Tom Larsen, vice-presidente da EQECAT, diz que naturalmente se foca no presente e que os impactos das alterações climáticas são menos claros e menos pronunciados hoje do que se esperam para o futuro. “Poucos estão directamente a ter em conta o aquecimento global nas suas taxas de perdas mas a maioria está a incorporá-lo no seu planeamento estratégico", diz Larsen.

Quanto mais durará o Sandy?

A tempestade, que agora se parece mais com uma típica tempestade de Inverno do que com um furacão tropical, espera-se que continue a deslocar-se para norte, entrando no Canadá na quinta e na sexta-feira. 

 

 

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