2012-10-30

Subject: Sinais de fugas de metano debaixo do mar

 

Sinais de fugas de metano debaixo do mar

 

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@ David A. Harvey/National Geographic/Getty Images/NatureAlgures ao largo da costa leste da Carolina do Norte, uma mistura gelada de água e metano alojada nos sedimentos do fundo marinho está a começar a separar-se.

Os investigadores culpam a alteração da corrente do Golfo que está agora a conduzir água quente a zonas que antes apenas conheciam temperaturas mais baixas.

“Sabemos agora que os hidratos de metano lá existem e, se o aquecimento continuar, podemos ter sedimentos menos estáveis na região", diz Matthew Hornbach, geólogo marinho na Universidade Metodista do Sul em Dallas, Texas, que liderou o estudo agora publicado na revista Nature. Os resultados sugerem que as temperaturas mais elevadas estão a destabilizar cerca de 2,5 gigatoneladas de hidratos de metano ao longo do talude continental do leste dos Estados Unidos. Esta região é muito dada a deslizamentos de terras subaquáticos, o que pode libertar o metano, um potente gás de efeito de estufa.

Se esse metano irá atingir a atmosfera e se irá piorar o aquecimento global não é claro mas os cientistas acham improvável. “Não precisamos de nos preocupar com um enorme bafo de metano para a atmosfera”, diz Carolyn Ruppel, geofísica no US Geological Survey em Woods Hole, Massachusetts. Em vez disso, diz ela, Hornbach e o seu co-autor Benjamin Phrampus, também da Universidade Metodista do Sul, descobriram uma poderosa nova forma de usar dados do registo geológico para captar as alterações climáticas antropogénicas que já estão em curso.

A abordagem dos autores combina modelos de dinâmica de temperaturas abaixo da superfície com imagens sísmicas para detectar directamente a profundidade a que o hidrato de metano deixa de ser estável e passa de sólido gelado a gás livre. Como a formação do hidrato depende da temperatura, a posição do fundo desta zona congelada pode ser usada para estimar a dinâmica da temperatura abaixo da superfície.

Usando dados sísmicos recolhidos em 1977 para modelar onde esperavam que o metano congelado passava a gás na margem leste do Atlântico norte, descobriram que a interface observada entre o gelo sólido e o gás livre estava muito mais fundo do que tinham previsto. Após verificarem sistematicamente todos os detalhes, a equipa eliminou vários factores que poderiam ter explicado as suas observações, incluindo alterações no nível do mar, taxas de sedimentação aceleradas ou redução do fluxo de calor através dos sedimentos. Eventualmente compreenderam que a única coisa que podia causar a discrepância era o facto de a água estar mais fria do que no passado. Phrampus correu o modelo novamente, usando dados de águas muito mais frias 100 quilómetros a noroeste da corrente do Golfo e obteve uma correspondência quase perfeita.

Seguidamente, os autores modelaram o fluxo de calor através dos sedimentos de hidratos de metano em relação ao tempo e estimaram que levaria cerca de 5 mil anos de águas mais quentes para que todo o metano sublimasse e se tornasse gasoso. “Não sabemos onde estaremos nesse intervalo de 5 mil anos mas a nossa melhor aproximação sugere que terão passado 800 a mil anos", diz Phrampus.

 

Este trabalho promete revigorar o debate em curso sobre o risco da libertação de metano dos oceanos e se os hidratos alterados tornam os taludes continentais mais instáveis.

“A embaraçosa realidade é que não temos nenhuma confirmação sólida de que estas relações são causas e não correlacionais”, diz Charles Paull, geólogo marinho no Instituto de Investigação do Aquário de Monterey Bay em Moss Landing, Califórnia, que estudou esta região do Atlântico ocidental em detalhe. Ele diz que o seu último trabalho fornece evidências credíveis que as alterações termais nos oceanos podem destabilizar os hidratos.

Mas Mark Maslin, paleoclimatólogo no University College de Londres, contesta a alegação dos autores que os hidratos destabilizados tornam esta área mais vulnerável a quedas de encostas, as temperaturas por si só não desencadearão deslizamentos de terras subaquáticos. "Estes acontecimentos dramáticos exigem uma alteração na pressão."

Existem outros depósitos de hidratos por todo o mundo que merecem atenção. O árctico está a sofrer um aquecimento rápido, dramáticas perdas de gelo marinho e condições oceânicas em mudança. Essencialmente, diz Ruppel, é o local que está a sofrer as alterações máximas e por isso mesmo é também o melhor local para estudar estas dinâmicas. Ela está agora a colaborar com Hornbach para recolher mais dados no local.

 

 

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