2012-10-28

Subject: Furor com fertilização oceânica ao largo do Canadá

 

Furor com fertilização oceânica ao largo do Canadá

 

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@ NatureQuando um navio de pesca alugado atirou 100 toneladas de sulfato de ferro para o mar ao largo da costa oeste do Canadá em Julho último, o objectivo era estimular o ecossistema marinho.

O ferro tinha como intenção fertilizar o plâncton, estimular o desenvolvimento das populações de salmão e sequestrar carbono atmosférico. 

Se o oceano reagiu como se esperava não é claro mas o projecto desencadeou uma explosão em terra, irritando os cientistas, embaraçando uma cidade de nativos e enfurecendo os oponentes da geoengenharia.

Os primeiros relatórios sobre o projecto, que surgiram no jornal inglês The Guardian a 15 de Outubro, apresentavam-no como um esquema de geoengenharia (o maior da história) em “flagrante violação" dos tratados internacionais. Os críticos sugeriram que Russ George, um empreendedor americano, tinha persuadido a vila de Old Massett do povo nativo Haida nas Ilhas Queen Charlotte a financiar o projecto a troco de promessas de que seria possível vender créditos de carbono pelo dióxido de carbono absorvido pelo fitoplâncton.

A realidade é muito mais complexa e sublinha a política e a incerteza na ciência da geoengenharia.

Contactado pela revista Nature, George acusou os media e os “ambientalistas radicais" de fabricarem uma história "racista" sobre um geoengenheiro descontrolado que se aproveitava dos ingénuos nativos. “Foi o trabalho e o projecto deles, não é o resultado de terem sido estúpidos."

Está agora claro que a vila piscatória de Old Massett, com cerca de mil habitantes, abraçou o projecto na esperança de restaurar os os stocks de salmão cada vez mais reduzidos com o estímulo do fitoplâncton e, por sua vez, de toda a cadeia alimentar. A população votou em Fevereiro a favor de emprestar Can$2.5 milhões à Corporação Haida para a Restauração do Salmão (HSRC) para fertilizar o oceano, diz John Disney, chefe da corporação. George, que antes liderava a Planktos, firma sediada em San Francisco, Califórnia, que tinha tentava comercializar a fertilização oceânica com ferro, assinou como cientista-chefe após o contacto da HSRC. A companhia tencionava pagar à vila o empréstimo com a venda de créditos de carbono a companhias.

“Criámos vida onde ela não existia", diz Disney, acrescentando que a fertilização alimentou um florescimento de fitoplâncton de 10 mil quilómetros quadrados, que atraiu peixes, aves e baleias. “A única diferença entre o que fizemos e o que todos fizeram é que fomos um pouco mais longe."

De facto, o esquema de Old Massett despejou cinco vezes mais ferro do que as anteriores experiências de fertilização e nenhum cientista fora do projecto viu dados que pudessem mostrar se funcionou como publicitado. “Não vou condenar à partida mas este tipo de experiência não se faz assim", diz Victor Smetacek, biólogo marinho do Instituto Alfred Wegener de Investigação Polar e Marinha de Bremerhaven, Alemanha. “Trata-se de ciência muito sofisticada e teria sido bom serem cientistas a faze-lo."

 

O projecto também está em terreno legal muito incerto. A fertilização oceânica é restringida por uma moratória internacional voluntária sobre geoengenharia e por um tratado sobre poluição oceânica. Ambos os acordos incluem excepções para investigação e o tratado apela às agência ambientais nacionais que regulamentem as experiências. Funcionários da Environment Canadá dizem que alertaram os líderes do projecto em Maio de que a fertilização oceânica exigia uma licença.

“A Environment Canadá não aprovou este acontecimento não científico", disse o ministro do ambiente canadiano Peter Kent no parlamento a 18 de Outubro. “A lei está a investigar a situação." O Conselho Nacional de Investigação do Canadá deu perto de Can$70 mil em financiamento ao HSRC e a NOAA americana cedeu 20 bóias para monitorização das condições da água mas os funcionários destas agências dizem nunca ter sido informados do projecto de fertilização oceânica e pensavam que se tratava de pesquisa em ecologia do salmão.

O Grupo ETC, sediado em Ottawa e que liderou uma campanha global contra a geoengenharia, sugeriu que George empolou o potencial do projecto para gerar créditos de carbono. Documentos do site de Old Massett dão a entender que na angariação de fundos os líderes do projecto salientaram o potencial de créditos de carbono fáceis. 

Na realidade, os créditos de carbono de experiências de fertilização oceânica com ferro não podem ser oferecidos nos mercados formais, como o sistema de troca de emissões europeu, apesar de puderem surgir compradores fora dele, para já não dizer que se a fertilização sequestra carbono continua por esclarecer. 

Também não é claro se o projecto irá restaurar os stocks de salmão. Um ano excelente de salmão Oncorhynchus nerka em 2010 surgiu dois anos após uma erupção vulcânica no Alasca ter lançado uma camada de cinzas ricas em ferro sobre o oceano, fertilizando um florescimento de plâncton mas muitos cientistas permanecem cépticos.

Se a experiência Haida funcionou ou não, só saberemos daqui a dois anos, quando os juvenis de salmão que alimentam no oceano agora voltarem a casa para desovar. John Nightingale, presidente do Vancouver Aquarium no Canadá, diz que será uma hipótese de tirar alguma ciência do projecto. O trabalho pode não ter rigor, diz ele, mas o HSRC concordou em disponibilizar todos os dados aos cientistas, o que permitirá "o máximo debate". 

 

 

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