2012-10-25

Subject: A baleia que falava

 

A baleia que falava

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Mike Tauber/Blend Images/Getty Images“Quem me disse para sair?", perguntou um mergulhador ao emergir do tanque em que a beluga macho de nome NOC vivia. 

Os seus tratadores tinham ouvido o que pareciam frases entarameladas vindas do tanque antes e repentinamente perceberam que a baleia podia estar a imitar as vozes dos seus humanos mais próximos.

Estes surtos, descritos na última edição da revista Current Biology e originalmente numa conferência em 1985, começaram em 1984 e duraram cerca de quatro anos, até que NOC atingisse a maturidade sexual, diz Sam Ridgway, biólogo marinho na Fundação Nacional de Mamíferos Marinhos de San Diego, Califórnia. Ele acredita que NOC aprendeu a imitar os humanos ouvindo-os falar tanto debaixo como fora de água.

Alguns poucos animais, incluindo vários mamíferos marinhos, aves canoras e humanos, aprendem e imitam rotineiramente canções e sons a partir de outros e a de Ridgway não foi a primeira observação de imitação vocal em baleias. Na década de 1940, cientistas ouviram belugas selvagens Delphinapterus leucas a produzir vocalizações que pareciam “crianças a gritar à distância". Décadas mais tarde, os treinadores do Aquário de Vancouver no Canadá descreveram uma beluga que parecia pronunciar o seu nome, Lagosi.

A equipa de Ridgway gravou o NOC, cujo nome derivava das minúsculas moscas dos pântanos coloquialmente conhecidas por 'no-see-ums' na zona onde tinha sido capturado legalmente por caçadores Inuíte em Manitoba, Canadá, no final da década de 1970. As suas vocalizações semelhantes às humanas eram vários oitavas mais baixas que as vocalizações normais das baleias, num tom semelhante ao da fala humana. 

Após treinar o NOC para 'falar' em resposta a um comando, a equipa de Ridgway determinou que ele produzia os sons aumentando a pressão de ar que passava pelas suas cavidades nasais. Pensam que ele depois modificava os sons manipulando a forma dos seus lábios fónicos, pequenas estruturas vibratórias localizadas por cima de cada cavidade nasal.

 

“Não alegamos que a nossa baleia era uma boa imitadora quando comparada com os mais famosos imitadores, os papagaios” mas é um exemplo de aprendizagem vocal ainda assim, conclui o artigo. “Parece provável que a associação próxima do NOC com humanos tenha desempenhado um papel na frequência com que ele empregava a sua voz humana, bem como a sua qualidade.”

Andy Foote, ecologista marinho na Universidade de Copenhaga que tem estudado a aprendizagem vocal em orcas, concorda que as vocalizações de NOC parecem humanas. As belugas são conhecidas como os 'canários do mar' devido à grande amplitude das suas vocalizações. As orcas, pelo contrário, produzem uma gama mais limitada de sons que raramente se afastam das vocalizações do seu grupo, salienta Foote, o que pode explicar a razão porque Shamu e outras orcas em cativeiro nunca imitaram a fala humana.

Os que quiserem ouvir as vocalizações de NOC e tirar a dúvida por si próprios têm agora que se contentar com as gravações pois a beluga morreu há vários anos.

 

 

Saber mais:

Alterações climáticas afectam gravemente cetáceos

Canções de baleia e estranhos ecossistemas

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2012


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com