2012-10-21

Subject: Oceano Antárctico em risco

 

Oceano Antárctico em risco

 

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@ Nature

Ricos em peixe, minerais e potencial científico, os mares em redor da Antárctica estão entre as águas mais prístinas do planeta mas as embarcações de pesca estão a invadi-las.

Os negociadores no encontro da Comissão para a Conservação dos Recursos Marinhos Vivos do Antárctico (CCAMLR, pronunciado ‘cam-lar’) tentarão conter a corrida crescente ao recursos naturais da região, em jogo está uma das últimas grandes regiões selvagens, bem como a credibilidade do organismo criado para proteger a vida marinha da Antárctica.

A CCAMLR vai analisar quatro propostas para criar vastas zonas marinhas protegidas (ZMP) que restrinjam fortemente as actividades pesqueiras na região mas a protecção exige um acordo por unanimidade de todos os membros (24 países e a União Europeia) e alguns, incluindo o Japão e a China, são famosos pelo cepticismo com que olham para ZMP no antárctico. “Este encontro é particularmente importante", diz Alex Rogers, biólogo conservacionista na Universidade de Oxford, Reino Unido. “Se as propostas forem bloqueadas será um retrocesso grave em todo o processo de uma década ou mais."

Apenas uma grande secção das águas antárcticas é actualmente uma ZMP, com cerca de 94 mil quilómetros quadrados perto das ilhas Orkney do  Sul. Os Estados Unidos e a Nova Zelândia avançam duas propostas rivais para tornar o Mar de Ross, lar de focas, baleias, peixes, pinguins e outras aves, numa das maiores reservas do mundo. A pesca comercial no Mar de Ross, especialmente a da lucrativa marlonga-do-antártico Dissostichus mawsoni, tem sido um problema para os ambientalistas. 

A proposta americana protegeria 1,8 milhões de quilómetros quadrados, com 800 mil quilómetros de pesca totalmente proibida e uma área de referência científica para os estudos das alterações climáticas. A proposta da Nova Zelândia cobriria cerca de  2,5 milhões de quilómetros quadrados, com pesca permitida em algumas áreas. Os dois países tiveram em tempos esperança de apresentar uma proposta conjunta mas não chegaram a acordo. 

A Aliança do Oceano Antárctico, uma coligação de grupos ambientalistas, criticou ambos os planos: o da Nova Zelândia por comprometer a conservação em favor da permissão de entrada das suas frotas pesqueiras e a americana por não abranger suficientes áreas ecologicamente valiosas. A existência de duas propostas para a mesma região também pode dificultar o acordo e deixar o Mar de Ross sem qualquer tipo de ZMP, alerta a Aliança.

 

Entretanto, um esforço liderado pelo Reino Unido busca protecção para as plataformas de gelo em colapso em redor da Península Antárctica. As águas agora expostas podem ser rapidamente colonizadas por animais, tornando-as muito atractivas para as frotas pesqueiras, diz Phil Trathan, chefe de biologia conservacionista no British Antarctic Survey de Cambridge, que ajudou a desenvolver a proposta. Proteger essas águas permitiria estudar de que forma os ecossistemas marinhos se alteram depois do colapso do gelo, algo que se espera aconteça cada vez mais depressa com o aquecimento do planeta. “Percebemos muitas das questões físicas relacionadas com as alterações climáticas", diz Trathan. Mas “uma das questões cruciais são as consequências ecológicas".

A Austrália submeteu a quarta proposta, que criaria uma rede de reservas em redor do leste da Antárctica. “Todas são cientificamente correctas", diz Andrew Wright, secretário executivo da CCAMLR, sediada em North Hobart, Austrália. Mas o sucesso está longe de estar assegurado: “Estamos perante uma decisão política", diz Susie Grant, conservacionista no British Antarctic Survey.

Se as propostas não obtiverem consenso no final do encontro anual a 1 de Novembro, podem em princípio ser passadas para o encontro do próximo ano mas a necessidade de unanimidade significa que a sua rejeição, na prática, mata estes ou outros planos semelhantes até que haja alterações significativas de ideologia política. Sem acordo este ano, diz Grant, “a CCAMLR terá que considerar cuidadosamente o que isso significa para o compromisso que fez com a conservação". 

 

 

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