2012-10-20

Subject: Cientistas lêem sonhos

 

Cientistas lêem sonhos

 

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@ Glowimages/NatureOs cientistas descobriram como saber o que estamos a sonhar enquanto dormimos.

Uma equipa de investigadores liderada por Yukiyasu Kamitani, dos Laboratórios de Neurociência Computacional ATR em Kyoto, Japão, usaram neuroimagens funcionais para analisar o cérebro de três pessoas enquanto dormiam, registando simultaneamente as suas ondas cerebrais num electroencefalograma (EEG).

Os investigadores acordavam os participantes sempre que detectavam o padrão de ondas cerebrais associado aos sonhos, perguntavam-lhes com o que estavam a sonhar e deixavam-nos voltar a adormecer.

Este procedimento foi realizado em blocos de três horas e repetido entre sete e dez vezes, em dias diferentes, para cada participante. Durante cada bloco, os participantes eram acordados até dez vezes por hora. Cada voluntário relatava estar a ter sonhos visuais seis ou sete vezes por hora, dando aos investigadores um total de cerca de 200 relatos de sonhos.

A maioria dos sonhos reflectia experiências do dia-a-dia mas alguns tinham conteúdo invulgar, como falar com um actor famoso. Os investigadores extraíram palavras chave dos relatórios verbais dos participantes e escolheram 20 categorias (como 'carro', 'masculino', 'feminino' ou 'computador') que apareciam mais frequentemente nos relatos dos seus sonhos.

Kamitani e os seus colegas seleccionavam, de seguida, fotografias que representavam cada categoria, faziam um scan do cérebro dos participantes enquanto eles olhavam para as imagens e comparavam os padrões de actividade cerebral com os que tinham tinham registado antes de acordarem os participantes.

Os investigadores analisaram a actividade nas áreas V1, V2 e V3 do cérebro, envolvidas nos estádios iniciais do processamento visual e que codificam as características básicas das cenas visuais, como o contraste e a orientação dos limites. Também analisaram várias outras regiões envolvidas em funções visuais de ordem mais elevada, como o reconhecimento de objectos.

Em 2008, Kamitani já tinha relatado ter conseguido descodificar a actividade cerebral associada às primeiras etapas do processamento visual para reconstruir imagens mostradas aos participantes. Agora, descobriu que a actividade nas zonas cerebrais de ordem superior pode prever rigorosamente o conteúdo dos sonhos dos pacientes.

 

“Construímos um modelo para prever se cada categoria de conteúdos estava presente nos sonhos”, diz Kamitani. “Analisando a actividade cerebral durante nove segundos antes de acordamos os participantes, podemos prever se um homem entrava ou não no sonho, por exemplo, com um rigor de 75 a 80%.”

As descobertas, apresentadas no encontro anual do Sociedade de Neurociência em Nova Orleães, Louisiana, sugerem que o sonho e a percepção visual partilham representações neural nas áreas visuais de ordem superior do cérebro.

“É um trabalho muito interessante”, diz o neurocientista Jack Gallant, da Universidade da Califórnia, Berkeley, “sugere que o sonho envolve algumas das áreas visuais superiores do cerebrais envolvidas na visão. Também parece sugerir que a nossa lembrança dos sonhos se baseia na memória de curto prazo pois a descodificação dos sonhos foi mais rigorosa nos segundo a seguir ao acordar."

Kamitani está a gora a tentar recolher o mesmo tipo de dados a partir do estado de sono movimento rápido dos olhos (REM), que também está associado ao sonho. “É mais desafiador porque temos que esperar pelo menos uma hora antes dos participantes atinjam esse estádio." Mas vai valer a pena, diz ele, “saber mais sobre o conteúdo dos sonhos e como está relacionado com a actividade cerebral vai-nos ajudar a compreender a função do sonho."

 

 

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