2012-10-09

Subject: Reprogramação de células ganha Nobel

 

Reprogramação de células ganha Nobel

 

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@ NatureA descoberta de que as células podem ser reprogramadas para voltarem a um estado semelhante ao embrionário ganhou o prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina deste ano, através dos dois investigadores de topo de células estaminais: John Gurdon e Shinya Yamanaka.

As células reprogramadas recuperam a pluripotência, a capacidade de se diferenciar em muitos tipos celulares adultos. Muitos investigadores esperam que as células criadas desta maneira possam ser usadas em medicina regenerativa, fornecendo tecidos de substituição para órgãos danificados ou doentes.

O campo tornou-se rapidamente um dos favoritos da biologia, mas as descobertas dos agora laureados não escaparam à controvérsia quando ocorreram.

Gurdon, sedeado no Instituto Gurdon em Cambridge, Reino Unido, foi a primeira pessoa a demonstrar que as células podiam ser reprogramadas, num trabalho publicado há 50 anos. Na altura, os cientistas acreditavam que a especialização celular era um processo de sentido único que não podia ser revertido.

Gurdon ultrapassou esse dogma removendo o núcleo de um óvulo de rã e substituindo-o por um núcleo de uma célula intestinal de girino. Espantosamente, o processo foi capaz de inverter o relógio celular do núcleo substituto. Apesar de ter estado comprometido com a especialização, no interior do óvulo funcionou como o núcleo de um óvulo faria e conduziu o desenvolvimento de um girino normal.

Gurdon era estudante de graduação na Universidade de Oxford, Reino Unido, quando realizou o trabalho. Recebeu o doutoramento em 1960 e fez um postdoc no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, deixando as suas rãs na Europa. Só publicou a sua investigação dois anos após o seu PhD, depois de ter a certeza que os animais tinham amadurecido saudavelmente. “Era um estudante de graduação a mexer com o conhecimento estabelecido, houve muito cepticismo."

As células de mamífero não foram tão amáveis para o processo, conhecido por clonagem por transferência nuclear, como as de rã. Passaram perto de 35 anos antes de o primeiro mamífero clonado, a ovelha Dolly, nascer, em 1996. A Dolly foi o único nascimento vivo de 277 tentativas e a clonagem de mamíferos permaneceu um evento na base de tentativa e erro.

Os cientistas estavam desesperados para melhorar a eficiência do sistema e compreender o processo molecular exacto envolvido. Fo aí que Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto, Japão, deixou a sua marca. Yamanaka, nascido no ano em que Gurdon publicou o seu artigo formativo, usou células de rato cultivadas para identificar os genes que mantinham as células embrionárias imaturas e testou se alguns desses genes poderia reprogramar células diferenciadas e torná-las pluripotentes.

 Em meados da década de 2000 a comunidade de células estaminais sabia que Yamanaka estava perto. “Lembro-me de quando ele apresentou os dados no simpósio Keystone de 2006”, diz Cédric Blanpain, biólogo de células estaminais da Universidade Free de Bruxelas. “Na altura ele não lhes tinha dado nome e todos faziam apostas sobre o que seriam estes factores mágicos."

Alguns meses mais tarde, os assistentes do encontro de 2006 da Sociedade Internacional de Investigação em Células Estaminais em Toronto, Canadá, esgotaram a palestra de Yamanaka. A audiência aguardou em silêncio enquanto ele anunciava a sua receita surpreendentemente simples: a activação de apenas quatro genes era suficiente para tornar fibroblastos novamente em células estaminais pluripotentes. Essas células estaminais pluripotentes induzidas (iPS) podiam de seguida ser coagidas a amadurecer em diferentes tipos de células, incluindo nervosas e cardíacas.

 

Gurdon fará 80 no próximo ano mas continua o seu trabalho laboratorial sobre a base molecular da reprogramação em rãs. Com a sua juba de cabelo branco e sentido de humor, é considerado pelos colegas como o típico cavalheiro inglês, dirigindo o seu instituto com cordialidade. Por vezes Gurdon salienta que a honra de ter um instituto com o seu nome (antes era conhecido por Instituto de Investigação do Cancro/Wellcome Trust do Reino Unido) é geralmente atribuída aos mortos, algo que os colegas acham engraçado.

Yamanaka, que acabou de fazer 50 anos, também é considerado pelos colegas, que o descrevem como bem vestido, delicado e meticuloso. A investigação de Yamanaka ganhou grandes apoios do governo japonês, que agora financia um grande centro de pesquisa na sua universidade e concordou em apoiar um banco de células estaminais para utilização clínica.

Yamanaka começou a sua carreira como cirurgião mas “não tinha talento para isso por isso decidi mudar a minha carreira para os laboratórios", recorda ele na entrevista para a Fundação Nobel. “Mas ainda me considero um médico, o meu objectivo de toda a vida foi trazer a tecnologia das células estaminais para as clínicas."

Ambos os cientistas têm consciência que transferir as suas descobertas para terapias regenerativas levará o seu tempo. “É por isso que é tão importante apoiar a ciência básica, é frequente os benefícios terapêuticos virem muito tempo depois das descobertas iniciais", disse Gurdon à Fundação Nobel.

 

 

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