2012-10-02

Subject: Sumidouro de carbono da Terra reduzido

 

Sumidouro de carbono da Terra reduzido

 

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@ A. Zanchi/iStockphoto/NatureÀ medida que os níveis de dióxido de carbono continuam a subir, a maioria dos modelos climáticos projectava que os oceanos e florestas do planeta também continuem a absorver mais de metade desse excedente de CO2

Mas esta semana surgiu um relatório em que os investigadores referem que a capacidade das plantas terrestres para absorver mais CO2 será muito menor do que antes se pensava, devido às limitações dos nutrientes do solo.

Como as plantas absorvem o CO2 durante a fotossíntese, há muito que se assumiu que estas seriam um vasto sumidouro de carbono, que ajudaria a compensar a subida do CO2 atmosférico causado pela queima dos combustíveis fósseis. Alguns cientistas têm defendido que este aumento poderia até ser benéfico para as plantas, que presumivelmente cresceriam mais rapidamente e limpariam ainda mais CO2

Os modelos climáticos estimam que os oceanos já absorveram cerca de 30% do CO2 que o Homem libertou nos últimos 150 anos e que as plantas terrestres teriam feito desaparecer outros 30%. Mas o estudo mais recente, realizado pelos ecologistas Peter Reich e Sarah Hobbie, da Universidade do Minnesota em St Paul, sugere que as estimativas da quantidade de CO2 que as plantas terrestres são capazes de utilizar são demasiado optimistas. 

As plantas também precisam de nutrientes do solo, como azoto e fósforo, para crescer e poucos foram os estudos realizados até agora que testaram se os solos contêm esses nutrientes em quantidade suficiente para alimentar o crescimento vegetal proporcionalmente ao aumento do CO2.

“Este trabalho analisa uma questão que está presente há décadas”, diz Bruce Hungate, perito em ecossistemas da Universidade do Norte do Arizona em Flagstaff. "É uma questão complicada de responder porque é preciso muito tempo para ver alterações nos ciclos do carbono e do azoto nos ecossistemas."

Numa experiência de campo com a duração de 13 anos realizada em 296 lotes de terreno ao ar livre, os investigadores cultivaram espécies herbáceas perenes num ambiente com concentrações elevadas de CO2 atmosférico e azoto do solo. “Em vez de construir uma máquina do tempo e comparar o comportamento dos ecossistemas actuais com os de 2070, o que é complicado, basicamente criámos a atmosfera de 2070 sobre os nossos lotes", diz Reich.

Reich e Hobbie descobriram que, entre 2001 e 2010, ervas que cresciam em níveis aumentados de CO2 mas com solos normais, atingiam metade do tamanho das que cresciam em solos enriquecidos em azoto.

 

Os investigadores não têm todas as certezas sobre as complexidades da interacção entre os ciclos do carbono e do azoto, pelo que “a vasta maioria dos modelos não reflecte adequadamente a limitação de nutrientes", explica Adrien Finzi, biogeoquímico na Universidade de Boston no Massachusetts. “A verdadeira força deste estudo é trazer-nos um registo com 13 anos de um único ecossistema. Cria um caso muito forte a favor da alegação de que os recursos do solo, e especialmente a limitação de azoto, podem ser constrangimento importante na captura de carbono em ecossistemas terrestres.”

Um estudo publicado em Março modelava o ciclo dos nutrientes através do globo para tentar prever que quantidade de carbono as plantas poderiam sequestrar nos próximos 100 anos, tendo em conta as limitações de nutrientes. Estas simulações, que incluíram limitações de azoto nos solos do hemisfério norte e de fósforo nos trópicos, previram que as plantas absorveriam 23% menos carbono do que tinha sido projectado por outros modelos.

Os investigadores consideram que será necessário muito mais trabalho para compreender a dinâmica dos nutrientes e como esta afectará a captura de carbono, particularmente nos ecossistemas florestais, considerados importantes sumidouros de carbono. Muitas vezes, diz Hungate, estes ecossistemas parecem oferecer uma “solução parcial, natural e fácil" para os problemas climáticos mas "na realidade os ecossistemas são complexos e têm uma flexibilidade limitada". 

 

 

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