2012-09-27

Subject: Estudo em ratos provoca furor sobre OGM

 

Estudo em ratos provoca furor sobre OGM

 

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@ the film All of us guinea-pigs now? J.-P. Jaud/J+B Séquences/Nature

A Europa nunca foi grande adepta de alimentos geneticamente modificados (GM) mas um intrigante artigo de investigação publicado na semana passada parece destinado a endurecer a oposição pública e política ainda mais, apesar da torrente de cepticismo por parte dos cientistas acerca do trabalho.

O estudo, publicado na revista Food and Chemical Toxicology, procurou efeitos adversos para a saúde de ratos alimentados com milho NK603, desenvolvido pela agroquímica Monsanto para resistir ao herbicida glifosato e aprovado para consumo humano e animal na União Europeia, Estados Unidos e outros países. Nele se relata que os ratos tiveram níveis mais elevados de cancro, tinham tumores cancerosos maiores e morreram mais cedo que os animais controlo. Os investigadores não identificaram de forma conclusiva o mecanismo por trás desse efeito.

Os ratos foram monitorizados durante dois anos (praticamente todo o seu tempo de vida), tornando este o primeiro estudo a longo prazo do milho contendo estes genes específicos. Cerca de uma dúzia de estudos a longo prazo de diferentes culturas GM não revelaram estes efeitos nefastos para a saúde. Um estudo anterior do milho NK603 em ratos, num teste de alimentação com 90 dias (a norma regulatória actual) patrocinado pela Monsanto não revelou efeitos adversos.

A explosão de cobertura noticiosa sobre as descobertas deu novo fôlego aos oponentes dos alimentos GM, especialmente na Europa. O primeiro-ministro francês Jean-Marc Ayrault referiu que, se os resultados se confirmarem, o seu governo irá pressionar uma proibição europeia para este milho. A Comissão Europeia ordenou à Agência Europeia de Segurança Alimentar (AESA) em Parma, Itália, que avaliasse o estudo.

Muitos cientistas, no entanto, já começaram a questionar a metodologia e resultados do estudo. Asseguram que os dados apresentados no artigo não permitem realmente avaliar de forma independente as suas alegações e questionam a concepção experimental e análise estatística das diferenças entre grupos tratados e controlos. Outros cientistas salientam que a linhagem Sprague-Dawley de ratos usada nas experiências já demonstrou ser susceptível ao desenvolvimento espontâneo de tumores, particularmente à medida que envelhecem, o que torna difícil analisar os resultados. A própria Monsanto refere que o estudo “não cumpre os standards mínimos aceitáveis para este tipo de investigação científica".

O estudo de  €3,2 milhões foi liderado por Gilles-Eric Séralini, biólogo molecular na Universidade de Caen, França, em colaboração com o Comité para a Investigação e Informação Independente sobre Modificações Genéticas (CRIIGEN) de Paris, cujo painel científico dirige. O CRIIGEN descreve-se a si próprio como uma “organização sem fins lucrativos independente de peritos científicos para o estudo de OGM, pesticidas e o impacto de poluentes na saúde e no ambiente, bem como para o desenvolvimento de alternativas não poluentes". A publicação do artigo coincide com o lançamento do livro de Séralini, Tous Cobayes? (Todos cobaias?), que conta a história do projecto de investigação e é acompanhado por um filme e um documentário de televisão.

Numa comunicado escrito, Séralini e Joël Spiroux de Vendômois, presidente do CRIIGEN ae co-autor do artigo, dizem ter ficado surpreendidos com a “violência" e imediatismo das críticas dos cientistas. Defendem que a maior parte dos críticos não são toxicólogos e sugerem que alguns podem ter conflito de interesses, incluindo o facto de trabalharem no desenvolvimento de culturas transgénicas. Também salientam alguns erros dos críticos, como as alegações de que os gráficos que mostram a sobrevivência dos ratos ao longo do tempo não incluem dados para os controlos.

 

Os autores concedem que os ratos Sprague-Dawley podem não ter sido o melhor modelo para este tipo de estudos a longo prazo mas defendem que a diferença entre os ratos alimentados a NK603 e os controlo é marcada e que muito menos ratos controlo desenvolveram tumores na meia-idade. O teste de 90 dias da Monsanto com o milho NK603 também utilizou ratos Sprague-Dawley, acrescentam.

José Domingo, toxicólogo na Universidade Rovira i Virgili em Reus, Espanha, e editor da Food and Chemical Toxicology, diz que o estudo não levantou dúvidas quando revisto por pares. Domingo, que foi autor no ano passado de uma revisão crítica da segurança das avaliações das plantas GM, já se tinha queixado anteriormente da falta de estudos independentes sobre alimentos GM.

A controvérsia sobre as descobertas apenas deverá terminar depois da análise detalhada do artigo e dos seus dados, com a replicação das experiências mas Séralini não tenciona revelar os seus dados antes de os dados em bruto que permitiram a autorização do NK603 na Europa sejam tornados públicos. Ele quer que todos os dados sejam avaliados por um comité internacional independente, defendendo que os peritos envolvidos na autorização do milho não devem ser envolvidos. A chefe da AESA Catherine Geslain-Lanéelle discorda e considera que a sua agência está bem colocada para reunir um grupo multidisciplinar que forneça uma avaliação imparcial.

No entanto, alguns cientistas há muito questionam se este tipo de estudo com alimentação é apropriado para testar a segurança de alimentos, diz Peter Kearns, chefe para a segurança alimentar, nanosegurança e acidentes químicos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico em Paris. Foram concebidos para testar produtos químicos onde doses precisas de compostos purificados e bem caracterizados podem ser administradas, enquanto compostos presentes nos alimentos são heterogéneos e as doses são difíceis de controlar. Os reguladores confiam mais em testes mos robustos que comparam os perfis toxicológicos e nutricionais dos alimentos GM com os seus primos não modificados para procurar potenciais problemas.

A resolução de debate sobre a segurança dos alimentos GM apenas pode provir de ciência rigorosa que clarifique estas questões, acrescenta Kearns.

 

 

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