2004-05-13

Subject: Governo americano processa Greenpeace 

News of the Wild

 

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Em destaque:

Governo americano processa Greenpeace 

 

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A organização ambientalista Greenpeace está a ser acusada de "sailor mongering", uma situação obscura e que foi usada em tribunal pela última vez há 114 anos, que considera que a organização incitou comportamentos incorrectos em pleno mar. O julgamento inicia-se na segunda-feira e é o primeiro caso em que uma organização deste tipo é acusada de desobediência civil. 

O grupo ambientalista é acusado deste crime por ter abordado um cargueiro em Abril de 2002, quando este transportava um carregamento de mogno ilegalmente abatido na Amazónia para Miami. O Greenpeace considera que a acusação não é mais do que uma vingança contra o criticismo para com a política ambiental do presidente Bush, a quem intitulam "Toxic Texan" (texano tóxico). 

Esta situação de desobediência e comportamento perigoso no mar era comum no século XIX, quando os bordéis enviavam prostitutas bêbedas para os navios, quando estes se dirigiam para os portos. A ideia era embebedar os marinheiros de tal forma que pudessem ser raptados e roubados ou escravizados. Assim, uma lei foi criada para lidar com esta situação em 1872, apesar de só ter sido usada em tribunal duas vezes, a última das quais em 1890. 

A Greenpeace considera que a decisão do procurador geral dos Estados Unidos de processar toda a organização, em vez de apenas os activistas que subiram a bordo do cargueiro APL Jade é uma preocupante mudança de atitude, e uma condenação pode impedir a liberdade de expressão em todo mundo. 

Seria igualmente um forte golpe contra os esforços brasileiros para impedir o comércio de madeiras duras, tão rentável que é conhecido por "ouro verde". Este comércio fornece maior margem de lucro que o da cocaína e é o principal culpado pela destruição de vastas áreas do Amazonas. 

O abate ilegal de árvores continua, a madeira está a ser enviada para Miami com enormes lucros, enquanto nós somos processados em tribunal, refere Sara Holden daGreenpeace International. 

O caso não tem qualquer precedente, e não apenas pela bizarra natureza do crime em causa. Seis activistas da Greenpeace foram acusados após o protesto de 2002 ao largo de Miami, consideraram-se culpados e foram condenados ao tempo já cumprido (o fim de semana que tinham passado na cadeia). Mas o procurador geral americano não se deu por satisfeito e 15 meses depois surge com uma acusação a toda a organização por "sailor mongering". 

Os procuradores americanos alegam que a Greenpeace cometeu o crime quando dois activistas se introduziram a bordo do Jade para colocar uma faixa com os dizeres "President Bush: Stop Illegal Logging" (presidente Bush: acabe com o abate ilegal de árvores).

Se for condenada, a Greenpeace pode ser colocada em "condicional" e ter pagar uma multa de $10000. 

 

Junta-te à GreenpeacePor mais significativa que a acusação seja ela própria, são as implicações para a liberdade de expressão que preocupam a organização. 

Desde a Boston Tea Party que as autoridades americanas não processam criminalmente um grupo por veicular opiniões políticas. Isto é verdadeiramente ominoso, diz a advogada Maria Kayanan, da firma Podhurst Orseck, que tem trabalhado para a American Civil Liberties Union numa tentativa de apoiar o pedido da Greenpeace para que o governo revele quem ordenou a acusação. 

A Greenpeace espera manter o foco do julgamento no comércio de mogno. Os seus advogados de defesa irão argumentar que os activistas estavam a referenciar um crime, dando a Washington uma oportunidade de cumprir o seu compromisso de proteger o mogno, como signatários de tratados internacionais que o listam como ameaçado. 

O activista da Greenpeace na Amazónia Paulo Adario explica que uma árvore de mogno pode ser comprada no Amazonas por $30, mas uma vez transformada em mesas e cadeiras e vendida em Nova York ou Londres, a mesma árvore pode valer até $120000.

No seu caminho, desde cortada até nossa casa como mobília, índios amazónicos são afastados das suas terras, agentes governamentais subornados e activistas do ambiente assassinados. Áreas do tamanho de pequenos países caem diariamente frente às serras eléctricas e os madeireiros tiram partido das estradas criadas pelos "caçadores de mogno" para atingir outras madeiras menos valiosas e que não seriam abatidas noutras circunstâncias. 

O mogno é uma madeira avermelhada, vermelha como o sangue e como a vergonha, refere Adario, o governo americano devia ajudar-nos a mudar a cor desta madeira mas em vez disso está a processar-nos. 

 

 

Saber mais:

Greenpeace

Bush takes Greenpeace to court

Tell the US Government to prosecute illegal loggers, not Greenpeace.

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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