2012-09-14

Subject: Nascimentos virgens observados em víboras selvagens

 

Nascimentos virgens observados em víboras selvagens

 

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@ Nature/C. Smith/P. Eskeridge/The Royal SocietyGeralmente são precisas duas cobras, um macho e uma fêmea, para produzir uma ninhada de víboras cabeça-de-cobre mas as investigações mais recentes vieram mostrar que as cabeça-de-cobre Agkistrodon contortrix e as suas primas as víboras boca-de-algodão Agkistrodon piscivorus nem sempre precisam de um parceiro para criar a nova geração: estas víboras são capazes realizar partenogénese, os vulgarmente chamados nascimentos virgens.

Para alguns vertebrados, a partenogénese, uma forma de reprodução assexuada em que se desenvolvem embriões sem fecundação, é a norma. Os lagartos mexicanos Cnemidophorus neomexicanus, por exemplo, são uma espécie apenas composta por fêmeas que se reproduzem sem qualquer tipo de contribuição genética de um macho.

Mas nos jardins zoológicos e aquários, os zoólogos começaram a documentar o estranho fenómeno da partenogénese facultativa: fêmeas de espécies que geralmente se reproduzem sexuadamente a produzirem descendência sem acasalamento. As gravidezes surpresa foram documentadas em aves, tubarões, cobras e dragões do Komodo Varanus komodoensis, mas, até agora, apenas em cativeiro.

Warren Booth, ecologista molecular na Universidade de Tulsa em Oklahoma, veio agora relatar o primeiro caso conhecido de partenogénese facultativa na natureza, publicando o estudo na última edição da revista Biology Letters.

Num trabalho conduzido enquanto esteve na Universidade Estadual da Carolina do Norte em Raleigh, Booth capturou víboras cabeças-de-cobre e bocas-de-algodão selvagens e grávidas, e deixou-as dar à luz em laboratório. 

Os investigadores suspeitavam de que algumas das cobras se tinham reproduzido sem contribuição masculina pois, em comparação com aquelas nascidas de reprodução sexuada, explica Booth, as ninhadas assexuadas tipicamente têm uma taxa elevada de problemas de desenvolvimento, como nados-mortos e poucos machos viáveis. Quando ele se apercebeu que algumas das cobras tinham produzido ninhadas com estas características, “estas ninhadas passaram para o topo da minha agenda de genótipos".

Booth examinou marcadores genéticos nas mães e descendência para verificar se as cobras jovens tinham realmente nascido em resultado de partenogénese facultativa ou apenas eram ninhadas invulgares por terem pais geneticamente semelhantes às mães.

“Quando recebi os resultados das sequências de DNA fiquei siderado", recorda ele. A comparação genética entre a descendência e as populações de onde as cobras tinham sido recolhidas indicava que a probabilidade de ter havido contribuição masculina era “infinitésima". 

Os investigadores sempre acreditaram que a partenogénese facultativa ocorria na natureza , salienta Booth, mas ele e os seus colegas ficaram "atordoados" por terem finalmente encontrado evidências disso.

 

Não é claro de que forma a reprodução assexuada evoluiu em espécies vulgarmente sexuadas mas a ausência de processos como o imprinting genético pode ter tido um papel importante. Em mamíferos, o imprinting genético leva a que um conjunto de genes de um dos progenitores se sobreponha ao do outro e esta interacção exige genes de ambos os progenitores para criar descendência viável. Os répteis não têm imprinting genético logo o acasalamento não é necessário para que as mães façam desenvolver as suas crias. 

Não se sabe ainda é o porquê desta situação, nem o que terá estimulado as cobras fêmea a reproduzir-se assexuadamente. Booth salienta que isolamento dos machos não é crucial: as cobras foram recolhidas de habitats com machos, certamente em busca permanente por parceiras. Por qualquer razão desconhecida, as fêmeas ignoraram os potenciais parceiros ou rejeitaram esperma de acasalamentos para produzir ninhadas partenogénicas. Booth considera que a descoberta retira o "dogma prevalecente” que a partenogénese facultativa apenas ocorre quando as fêmeas estão isoladas.

Phill Watts, geneticista ecológico na Universidade de Liverpool, Reino Unido, concorda que o estudo obtém uma “probabilidade baixa convincente de parentalidade masculina". A descoberta pode motivar outros investigadores a procurar mais exemplos.

“Ainda nos faltam dados para compreender quando e porquê a partenogénese facultativa ocorre na natureza”, diz Watts. "Quase de certeza que existem outras cobras a reproduzir-se assexuadamente, bem como tubarões e lagartos, mas o ímpeto biológico destes nascimentos maravilhosos ainda é um mistério."

 

 

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