2012-09-11

Subject: Degelo árctico atinge velocidade espantosa

 

Degelo árctico atinge velocidade espantosa

 

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Os cientistas no árctico alertaram para o facto do degelo recorde deste Verão fazer parte de uma tendência de aceleração com implicações profundas. Investigadores noruegueses relatam que o gelo marinho está tornar-se significativamente mais fino e vulnerável.

No mês passado, o gelo flutuante da região atingiu o nível mais baixo desde o início da monitorização por satélite, há mais de 30 anos, e pensa-se que a escala deste declínio pode mesmo vir a afectar o clima europeu.

O degelo deve continuar pelo menos mais uma semana, normalmente atinge-se o pico por volta de meados de Setembro, enquanto as temperaturas permanecem acima do ponto de congelação.

O Instituto Polar Norueguês (IPN) está na vanguarda da investigação no árctico e o seu director internacional, Kim Holmen, considera a velocidade do degelo superior à esperada: "É uma alteração maior do que podíamos sequer imaginar há 20 ou mesmo 10 anos e apanhou-nos de surpresa, pelo que temos que ajustar o nosso entendimento do sistema e da ciência, bem como os nossos sentimentos pela natureza ao nosso redor."

O instituto tem enviado o seu quebra-gelo Lance para investigar as condições entre Svalbard e a Groenlândia, a rota principal através da qual o gelo flui para fora o oceano Árctico. Durante uma das suas visitas ao porto de Ny-Alesund em Svalbard, um dos seus cientistas, Edmond Hansen, revelou-se "espantado" com a dimensão e velocidade do degelo deste ano.

"Como cientista, sei que é uma situação sem precedente em pelo menos 1500 anos, é verdadeiramente espantoso, uma mudança dramática no sistema", explica Hansen. "Não se trata de um fenómeno a curto prazo, é uma tendência em curso. Perdemos mais e mais gelo e está a acelerar, basta olhar para os gráficos, as observações e podemos ver o que se passa."

Os cruciais dados sobre o gelo provêm de satélites mas também de medições realizadas com uma enorme variedade de técnicas, uma mistura de antigo e moderno, tudo com o objectivo de ajudar a responder às importantes questões ambientais deste tempo.

Os noruegueses enviaram equipas para o gelo flutuante para escavar furos e extrair núcleos de gelo para determinar a sua origem e desde o início da década de 90 que instalaram bóias especiais, ancoradas ao fundo, que usam SONAR para fornecer um constante fluxo de dados sobre o gelo acima. Também foi usado um dispositivo electromagnético chamado EM-Bird que, suspenso por um helicóptero, analisa o gelo, registando a diferença entre a água do mar por baixo do gelo e a superfície do gelo propriamente dito.

Obtém-se assim uma imagem da espessura do gelo. Os últimos dados ainda estão a ser processados mas um dos especialistas do instituto, Sebastian Gerland, considera que ainda que as condições variem todos os anos, um padrão é claro: "Na região onde trabalhamos há uma tendência para o gelo ser mais fino."

Nos locais onde o gelo desaparece completamente, a superfície perde o seu branco altamente reflector, que devolve a maior parte da radiação solar ao espaço, e é substituída por águas escuras, que absorvem mais calor.

 

Segundo Gerland, um aquecimento extra acontece mesmo que o gelo permaneça mas mais fino. "Isso significa que há mais luz a penetrar a superfície do gelo, dependendo do grau de cobertura de neve. Se o gelo é mais fino, mais luz significa mais aquecimento das águas."

As previsões mais cautelosas dizem que o árctico pode ficar livre de gelo de Verão na década de 2080 mas recentemente muitas das estimativas usadas para criar esse cenário foram avançadas.

As primeiras investigações sobre as implicações desse facto sugerem que uma gigantesca redução do gelo marinho pode ter impacto no percurso do jet stream, o vento de alta altitude que conduz os sistemas climáticos, incluindo as tempestades. 

A rota e a velocidade do jet stream são governadas pela diferença de temperatura entre os trópicos e o árctico logo uma alteração da escala a que estamos a assistir pode ser sentida na Europa e para além.

Kim Holmen, do IPN, explica a relação: "Quando o árctico está sem gelo, não é branco logo vai absorver mais luz do Sol, o que influenciará os sistemas de ventos e os locais onde cai precipitação. Para o norte da Europa isto pode significar muito mais precipitação, enquanto para o sul da Europa significará mais aridez."

Esta avaliação é espelhada pelo trabalho do Centro Europeu de Previsão Meteorológica de Médio Alcance, sediado em Reading, Reino Unido. O director-geral do centro, Alan Thorpe, refere que a ligação entre o degelo árctico e o clima europeu é complicada mas está a ser objecto de pesquisa mas o Árctico é difícil de decifrar e as consequências do degelo podem ser bem mais duras.

 

 

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