2012-09-08

Subject: Um quinto dos invertebrados em risco de extinção

 

Um quinto dos invertebrados em risco de extinção

 

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@ Nature/WaterFrame/Imagebroker/FLPA

Uma em cada cinco espécies de invertebrados do mundo está ameaçada de extinção, revela o último relatório da Zoological Society de Londres (ZSL).

Desde pequenas borboletas a lulas gigantes, os animais sem ossos devem representar cerca de 99% da biodiversidade na Terra. No entanto, até agora, os cientistas nunca tinha tentado realizar uma revisão abrangente do seu estatuto de conservação. Na realidade, menos de 1% dos invertebrados foi avaliado pela União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN), que publica a Lista Vermelha de espécies ameaçadas desde 1963.

“Quando olhei pela primeira vez para a Lista Vermelha, notei que era tendenciosa para as espécies maiores e mais carismáticas”, diz Ben Collen, perito em biodiversidade no Instituto de Zoologia da ZSL em Londres, que coordenou o estudo dos invertebrados e co-editou os resultados. “O projecto que temos em curso nos últimos cinco anos tenta colocar os invertebrados na Lista Vermelha de forma sistemática."

Collen concluiu que os invertebrados mais ameaçados são os de água doce, incluindo caranguejos e caracóis, seguindo-se os terrestres e os marinhos. Animais mais móveis, como as borboletas e as libélulas, tendem a estar em menor risco.

O relatório estima que 34% dos invertebrados de água doce podem estar ameaçados, incluindo mais de metade dos caracóis e lesmas de água do mundo. No sudeste dos Estados Unidos, que é um ponto quente de biodiversidade de água doce, quase 40% dos moluscos e caranguejos podem ser dizimados devido aos efeitos de barragens e poluição. Nos oceanos, quase um terço dos corais de recife estão ameaçados, essencialmente devido às alterações climáticas, que causam o seu branqueamento e acidificação das águas.

No conjunto, perda de habitat, poluição e espécies invasivas representam as maiores ameaças à diversidade de invertebrados em todo o mundo. A proporção de espécies em risco (um quinto) é semelhante às descobertas feitas com vertebrados e plantas. O relatório foi formalmente apresentado a 7 de Setembro no Congresso Mundial de Conservação em Jeju, Coreia do Sul, onde conservacionistas, cientistas e líderes governamentais discutem temas relacionados com a conservação e o desenvolvimento.

Devido à falta de informação sobre as ameaças aos invertebrados e porque tantas espécies permanecem por identificar, Collen usou uma 'abordagem por amostra' para avaliar 1500 espécies conhecidas em quatro grupos taxonómicos representativos: moluscos de água doce, libélulas, escaravelhos do estrume e borboletas. Usou os critérios standard do IUCN que levam em conta as tendências populacionais e distribuição geográfica das espécies. Também incluiu avaliações abrangentes de caranguejos de água doce, corais de recife e cefalópodes na sua avaliação.

 

No total, Collen e a sua equipa questionaram milhares de peritos por e-mail e realizaram uma série de workshops para ajudar na recolha de dados sobre a prevalência das espécies de invertebrados. Complementaram estes dados com avaliações taxonómicas e regionais independentes, como a Pan-Africa Freshwater Biodiversity Assessment da IUCN, levando o número total de espécies no estudo a mais de 12000.

Apesar dos cientistas aplaudirem o foco nos taxa menos notórios, alguns sentem que é prematura tirar conclusões de uma amostra limitada. “Espero que chame a atenção dos decisores que merece”, diz Terry Erwin, entomólogo da Instituição Smithsonian de Washington DC. “Os números que usaram são suficientemente bons para consumo público, apesar de não muito rigorosos cientificamente."

Camilo Mora, perito em biodiversidade marinha da Universidade do Havai em Manoa, concorda que a amostra é demasiado pequena para se fazer generalizações. “É como usar um termómetro para medir a temperatura na praia e esperar que isso reflicta a temperatura de todo o oceano."

Outros expressaram preocupações mais fundamentais com a aplicação dos critérios do IUCN a invertebrados. No ano passado, Pedro Cardoso, entomólogo do Museu de História Natural da Finlândia em Helsínquia, estudou 48 espécies de artrópodes e descobriu que a maioria das espécies para as quais havia dados suficientes deveria ser classificada como ameaçada devido à sua distribuição geográfica limitada em ilhas e baixa capacidade de dispersão. "Com os patamares actuais, é difícil dizer alguma coisa sobre o estatuto da maioria das espécies de invertebrados."

Collen responde que os critérios do IUCN foram aplicados com sucesso a um enorme leque de espécies e que é vital ter um esquema consistente. Mesmo que uma espécie tenha persistido milénios numa pequena ilha, basta um único complexo turístico para a dizimar: “Observamos isso no registo de extinções, são locais efémeros."

 

 

Saber mais:

Status of Invertebrates

Pan-Africa Freshwater Biodiversity Assessment

IUCN - Lista Vermelha

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