2012-09-05

Subject: Espécies multiplicam-se com o aquecimento da Terra

 

Espécies multiplicam-se com o aquecimento da Terra

 

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Em vez de desencadearem os esperados ciclos de extinção, os períodos de aquecimento na história da Terra foram acompanhados por um aumento da biodiversidade, revela um estudo conhecido esta semana. No entanto, isto não significa que as extinções em massa que estão em curso actualmente, com a Terra a aquecer a um ritmo sem precedentes, possam ser revertidas no futuro.

Os investigadores examinaram o número de famílias conhecidas de invertebrados marinhos, bem como as temperaturas superficiais do mar, ao longo de 540 milhões de anos da história da Terra. Descobriram que quando as temperaturas foram elevadas, também a biodiversidade subia e quando as temperaturas caiam, a biodiversidade também entrava em declínio.

Os resultados contradizem trabalhos anteriores, incluindo as descobertas do autor principal Peter Mayhew, que relatavam uma correlação inversa entre as altas temperaturas e a biodiversidade.

A razão para o volte-face, diz Mayhew, ecologista evolutivo na Universidade de York, Reino Unido, é que os trabalhos anteriores mediam a diversidade fóssil marcando a primeira e a última vez que cada grupo de espécies surgia e assumindo que os organismos existiam apenas nos anos intermédios. Este método pode parecer lógico mas esquece o facto que alguns períodos geológicos estão melhor estudados que outros.

Para corrigir esta situação, o novo estudo analisou apenas os períodos mais conhecidos e, em vez de extrapolar a presença dos organismos a partir das suas datas de origem e extinção, assinala apenas os grupos de espécies presentes em cada período.

Mesmo assim, dado que as alterações climáticas são geralmente vistas como disruptivas, Mayhew admite que foi uma "enorme surpresa" descobrir que as eras de aquecimento foram acompanhadas por um aumento da biodiversidade. O trabalho também fornece a solução para outro puzzle, diz Mayhew. Os ecossistemas tropicais são reconhecidamente os mais diversos da Terra e esperar-se-ia que os trópicos se expandissem durante períodos quentes. No entanto, no passado pensava-se que estas eras era pobres em espécies, quando comparadas com tempos mais frios. Os novos resultados resolvem esta contradição.

O aquecimento produz tanto extinções como criações e nos passado a criação de novas espécies deve ter ultrapassado a perda das mais antigas, diz Mayhew. Mas isto não significa que as alterações climáticas que se verificam actualmente sejam benéficas.

 

"A taxa de alteração é muito importante", diz Mayhew. Para que a biodiversidade aumente, explica ele, as novas espécies precisam de evoluir, o que leva entre milhares e milhões de anos, muito mais lentamente do que a taxa a que as extinções estão a ocorrer devido à actual rápida alteração.

Scott Wing, paleobiólogo da Instituição Smithsonian em Washington DC, concorda: "Este artigo não tem nada a dizer sobre os efeitos do aquecimento global em qualquer escala de tempo que interesse ao Homem mas tem muito interesse para os biólogos evolutivos, paleontólogos e ecologistas que tentam compreender os padrões mais vastos da diversidade."

No entanto, Shanan Peters, paleobiólogo da Universidade do Wisconsin-Madison, não tem tanta certeza de o artigo ter esse valor todo. Os seus resultados primários, salienta ele, são uma reviravolta completa em relação às descobertas anteriores do próprio Mayhew e apenas trazem os resultados da biodiversidade a longo prazo para o domínio do senso comum ecológico. "Os paleobiólogos e os climatólogos há muito que se referem aos intervalos quentes como 'óptimos climáticos' precisamente por ser durante esses períodos que as palmeiras e os crocodilos habitam o árctico e a vida parece ser mais diversa e florescente."

Mais interessante, diz ele, será a próxima geração de resultados, quando os paleobiólogos virarem a sua atenção para as grandes transições climáticas, como a que está em curso actualmente.

Mayhew concorda que o próximo passo deve ser focar-se nessas transições: "Os períodos de tempo em que estamos realmente interessados agora são intervalos de dezenas e centenas de anos, no máximo mil anos. Não se consegue esse grau de detalhe analisando o passado longínquo. Se queremos saber como as alterações de temperatura estão a afectar as coisas nessa escala de tempo, temos que olhar para o registo fóssil mais recente."

 

 

Saber mais:

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