2012-08-31

Subject: Restrição de calorias falha no longo prazo

 

Restrição de calorias falha no longo prazo

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

Para aqueles que apreciam os prazeres de uma boa refeição, as notícias são um alívio: a redução drástica das calorias não parece prolongar a vida em primatas.

O veredicto, de um estudo de 25 anos em macacos-rhesus alimentados com 30% menos do que os animais de controlo, representa outro contratempo para a noção de que um interruptor simples accionado pela dieta pode abrandar o envelhecimento. Pelo contrário, as descobertas publicadas na última edição da revista Nature, sugerem que a genética e a composição da dieta têm maior importância na longevidade que a simples contagem de calorias.

“Pensar que a simples redução das calorias levava a uma alteração tão generalizada, isso é que era espantoso", diz Don Ingram, gerontólogo na Universidade Estadual do Louisiana em Baton Rouge, que desenhou o estudo há quase três décadas quando no Instituto Nacional de Envelhecimento (NIA) em Bethesda, Maryland.

Quando o estudo com macacos, financiado pelo NIA, começou, no entanto, os estudos de restrição de calorias em animais de vida curta indicavam uma ligação. Experiências tinham mostrado que a fome fazia os nemátodos viver mais tempo, enquanto outras revelaram que ratos que comiam menos calorias mantinham vigor e pelagem brilhante, ao contrário dos controlo que comiam normalmente. Mais recentemente, estudos moleculares tinham sugerido que a restrição de calorias, ou compostos que as imitassem, podia desencadear uma cascata de alterações na expressão genética que tinham o efeito global de abrandar o envelhecimento.

Em 2009, outro estudo, que teve início em 1989 no Centro Nacional de Investigação em Primatas do Wisconsin (WNPRC) em Madison, concluiu que a restrição calórica tinha prolongado a vida de macacos-rhesus. Os investigadores descobriram que 13% do grupo em dieta morreu de causas associadas ao envelhecimento, comparados com os 37% do grupo de controlo.

Uma razão para essa diferença pode ser que os macacos do WNPRC foram alimentados com uma dieta pouco saudável, que fez os macacos com restrição calórica parecerem mais saudáveis por comparação simplesmente porque comiam menos dela. As dietas dos macacos do WNPRC continham 28,5% de sacarose, comparados com os 3,9% de sacarose no NIA. As refeições do NIA incluíam óleo de peixe e antioxidantes, enquanto as do WNPRC não. Rick Weindruch, gerontólogo do WNPRC que liderou o estudo, admite: “Na globalidade, provavelmente  a nossa dieta não era tão saudável."

 

Mais ainda, o grupo de controlo do WNPRC provavelmente comia mais na totalidade, pois as suas refeições eram ilimitadas, enquanto os macacos do NIA tinham porções fixas. Em adultos, os macacos controlo do WNPRC pesavam mais que os do estudo do NIA. Assim, os resultados do WNPRC podem ter reflectido um grupo de controlo pouco saudável e não um grupo de tratamento com mais longevidade. “Quando começámos estes estudos, o dogma era que uma caloria é uma caloria”, diz Ingram. “Acho que é claro que o tipo de calorias que os macacos comiam fez uma profunda diferença."

Investigadores que estudam a restrição calórica em ratos já se habituaram a resultados mistos, que atribuem à diversidade genética entre as estirpes. A genética provavelmente também explica parte da variação entre os estudos de macacos, já que os macacos do NIA era descendentes de linhagens da Índia e da China, enquanto os macacos do Wisconsin eram todos da Índia.

Os efeitos moleculares da restrição calórica também se têm revelado complicados. Usando compostos como o resveratrol, que se encontra no vinho tinto, os cientistas desencadearam respostas de stress que a restrição calórica activa, que encerra processos não vitais a favor dos que combatem doenças mas a esperança de retardar o envelhecimento tendo como alvo um único gene ou proteína desvaneceram-se quando os cientistas se aperceberam que as vias metabólicas cruciais variam com os animais. “Pode levar mais de uma década a deslindar as redes de vias associadas à longevidade”, diz David Sinclair, geneticista na Faculdade de Medicina de Harvard em Boston, Massachusetts.

Entretanto, há uma escassez de evidências de que a restrição calórica abrande o envelhecimento em humanos. Estudos observacionais descobriram que as pessoas com peso médio são as que vivem mais tempo. Nir Barzilai, gerontólogo da Faculdade de Medicina Albert Einstein em Nova Iorque, diz que os centenários que estuda o levam a pensar que a genética é mais importante que a dieta e o estilo de vida. “São um grupo gorduchinho", diz ele.

Uma imagem com mais subtilezas agrada a Ingram, que desfruta do ocasional festim de caranguejo do Louisiana. Ingram está ansioso por estudos sobre a forma como a composição da dieta, e não a quantidade de calorias consumidas, afectam o envelhecimento. “Está a longevidade humana fixada à partida? Continuo a não acreditar nisso." 

 

 

Saber mais:

National Institute on Aging

DNA da mosca-da-fruta fornece pistas para a maior longevidade das mulheres

Velas de aniversário nas suas veias

Um comprimido para vida mais longa?

 

Clique para ajudar!

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2012


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com