2012-08-30

Subject: Consumo de marijuana em adolescentes associado a queda de QI

 

Consumo de marijuana em adolescentes associado a queda de QI

 

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Ser um consumidor intensivo de marijuana durante a adolescência resulta num declínio cognitivo que não se observa se o consumo tiver início na fase adulta.

A psicóloga clínica Madeline Meier, da Universidade de Duke em Durham, Carolina do Norte, usou dados do famoso estudo longitudinal Dunedin, um senso em curso de factores múltiplos envolvendo uma coorte de 1037 neozelandeses seguidos desde o nascimento e que neste momento tem 40 anos de dados. Os participantes no estudo Dunedin foram testados periodicamente para QI e outros índices neuropsicológicos, para além de questionados sobre comportamentos como o consumo de drogas. O estudo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Quando o seu QI de adulto foi testado aos 38 anos, os mais fortes e mais persistentes consumidores desde a adolescência do estudo tinham um declínio médio de QI de 8 pontos desde a infância à fase adulta, enquanto os não consumidores tinham uma média de aumento de um ponto. 

Mesmo depois de retirar os consumidores mais fortes, ainda foi observado um declínio de alguns pontos de QI a partir do valor de infância nos consumidores que começaram na adolescência. Mais ainda, a queda da função mental pareceu irreversível mesmo depois de as pessoas deixarem de consumir canábis. No entanto, os consumidores persistentes que começaram em adultos (com mais de 18 anos) não revelaram o mesmo declínio de QI.

Ao serem capazes de comparar o QI individual antes e depois da utilização de canábis, os autores puderam eliminar deficiências neuropsicológicas prévias como causa do declínio. Também puderam por de parte o efeito da educação ao não encontrar diferenças na proporção de consumidores fortes na amostra total do estudo e naqueles que apenas frequentaram o ensino secundário ou menos. 

Isto poderá responder ao desafio da hipótese da educação, que diz que os consumidores intensivos de canábis têm maior probabilidade de desistir da escola. Da mesma forma, também puderam controlar outros factores complicadores, como a esquizofrenia, consumo de outras drogas e a possibilidade de o participante estar 'pedrado' quando as suas capacidades cognitivas foram testadas.

As descobertas indiciam efeitos neurotóxicos da canábis numa fase crítica do desenvolvimento cerebral, apesar de os autores deixarem para outros investigadores o isolamento do mecanismo subjacente.

Robin Murray, psiquiatra no Instituto de Psiquiatria do King’s College de Londres, cujas investigações próprias exploraram as ligações entre a marijuana e a psicose, ficou impressionado com o rigor do artigo. “Tem havido muitos outros estudos que mostraram declínio cognitivo mas tiveram sempre amostras algo duvidosas. A coorte Dunedin é provavelmente uma das populações mais estudadas do mundo do ponto de vista cognitivo, é uma amostra excelente."

 

Valerie Curran, professora de psicofarmacologia no University College de Londres e membro do Comité Científico Independente sobre Drogas do Reino Unido, foi mais céptica, referindo que outros factores, como a depressão, também estão associados ao forte consumo e motivação reduzida. “Apesar da dimensão da amostra total ser excelente, os dados sobre consumo adolescente baseiam-se em apenas cerca de 50 pessoas."

Ela também salienta que as descobertas representam um declínio muito pequeno no QI em resultado de consumo muito forte ao longo de vários anos, “o que não representa o consumo recreativo".

Estudos recentes mostraram que cada vez menos adolescentes consideram o consumo de marijuana danoso e estão a começar a usar cada vez mais cedo e cada vez mais vezes diariamente. Com este aspecto em mente, os autores dizem que as suas descobertas sugerem que os decisores deviam dar mais ênfase à tentativa de retardar o momento em que os adolescentes começam a fumar canábis.

“Vamos manter alguma perspectiva na situação, isto não é algo alarmante", diz Murray. "Não estamos a ver os adolescentes a ficar dementes. Claro que é melhor ter mais uns ponto de QI mas não é algo suficiente para chamar a atenção dos médicos."

Os efeitos de um aumento significativo do ingrediente activo, o tetraidrocanabinol (THC), na droga ao longo das últimas décadas também precisa de ser explorado. “Temos que nos lembrar que quando as pessoas do estudo Dunedin eram miúdas, no início dos anos 80, tratava-se de erva com um teor de THC de 4–5%", salienta Murray. "Actualmente, falamos de um teor de 16–18%, logo os efeitos serão provavelmente ampliados."

 

 

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