2012-08-26

Subject: Pais mais velhos transmitem mais mutações

 

Pais mais velhos transmitem mais mutações

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ V. Peñafiel/Flickr/GETTY/NatureNos idos da década de 1930, o geneticista pioneiro J. B. S. Haldane apercebeu-se de um padrão peculiar de hereditariedade em famílias com longos historiais de hemofilia.

A mutação responsável pela dificuldade na coagulação sanguínea tinha tendência a surgir nos cromossomas X que os pais passavam às suas filhas e não nos que as mães transmitiam.

Em consequência disso, Haldane propôs que as crianças herdam mais mutações dos seus pais que das suas mães, apesar de ter reconhecido que “é difícil ver como isto poderá ser provado ou refutado durante muitos anos".

Pois esse momento chegou finalmente: a sequenciação da totalidade do genoma de dúzias de famílias islandesas forneceu finalmente a prova que escapou a Haldane. Mais ainda, o estudo publicado na revista Nature descobriu que a idade com que o pai tem filhos determina a quantidade de mutações que a sua descendência irá herdar.

Ao constituir família com 30, 40 ou mais anos, os homens podem estar a aumentar a probabilidade de os seus filhos desenvolverem autismo, esquizofrenia e outras doenças frequentemente associadas a novas mutações. “Quanto mais velhos nós pais somos, maior a probabilidade temos de transmitir as nossas mutações", diz o autor principal do estudo Kári Stefánsson, executivo-chefe da deCODE Genetics em Reykjavik. “Quanto mais mutações transmitirmos, maior a probabilidade de uma delas ser deletéria."

Haldane, que trabalhou anos antes de a estrutura do DNA ser determinada, também estava correcto sobre a razão porque os pais passam mais mutações: os espermatozóides são produzidos continuamente a partir de células precursoras, que correm o risco de adquirir novas mutações com cada divisão que sofrem. Pelo contrário, as mulheres já nascem com a totalidade do seu provimento de óvulos.

Stefánsson, cuja companhia mantém a informação genética da maioria dos islandeses, comparou as sequências do genoma total de 78 trios mãe, pai e filho. A equipa procurou mutações na criança que não estivessem presentes nos progenitores e, portanto, que teriam surgido espontaneamente no óvulo, no espermatozóide ou no zigoto. O estudo relata o maior estudo deste tipo realizado até à data.

Os pais transmitiam perto de quatro vezes mais novas mutações que as mães: em média, 55 versus 14. A idade do pai também era responsável por quase toda a variação no número de novas mutações no genoma de uma criança, como esse número a subir exponencialmente com a idade do progenitor: aos 36 anos eram transmitidas o dobro das mutações transmitidas aos 20 e aos 70 oito vezes mais, estima a equipa de Stefánsson.

Os investigadores estimam que uma criança islandesa nascida em 2011 transportará 70 novas mutações, compradas com as 60 de uma criança nascida em 1980, pois a média de idade dos pais subiu de 28 para 33 anos ao longo desse período de tempo.

 

A maioria destas mutações são inofensivas, mas a equipa de Stefánsson identificou alguns estudos que as associavam a perturbações como o autismo e a esquizofrenia. O estudo não prova que os pais mais velhos têm maior probabilidade de transmitir genes associados a doenças ou de alguma forma deletérios que os mais jovens mas essa forte implicação está presente, diz Stefánsson.

Estudos anteriores mostraram que o risco de uma criança ser diagnosticada com autismo aumenta com a idade do pai e um trio de artigos publicados este ano identificam dúzias de novas mutações implicadas no autismo e descobriram que essas mutações tinham quatro vezes mais probabilidade de ser originárias do pai do que da mãe.

Os resultados podem ajudar a explicar o aparente aumento das perturbações do espectro do autismo: este ano, o Centro Americano de Controlo e Prevenção de Doenças em Atlanta, Georgia, relatou que uma em cada 88 crianças americanas foi diagnosticada com uma perturbação do espectro do autismo, um aumento de 78% desde 2007. Diagnósticos melhores e mais inclusivos para o autismo explicam parte deste aumento mas as novas mutações também devem ser um factor, diz Daniel Geschwind, neurobiólogo na Universidade da Califórnia, Los Angeles. “Penso que iremos encontrar maior prevalência de autismo em locais onde existem pais realmente velhos."

No entanto, Mark Daly, geneticista no Hospital Geral de Massachusetts em Boston que estuda autismo, considera improvável que a idade do pai seja responsável por toda a subida na prevalência desta doença. Ele salienta que o autismo é fortemente hereditário mas que a maioria dos casos não se devem a uma única mutação, logo devem existir factores que predispõem que são hereditários mas distintos das novas mutações nos espermatozóides.

As evidências históricas sugerem que os pais mais velhos têm pouco probabilidade de augurar algum tipo de colapso genético. Ao longos dos séculos XVII e XVIII, os homens islandeses tiveram filhos com idades muito mais avançadas que actualmente, em média entre os 34 e os 38 anos. Mais ainda, as mutações genéticas são a base da selecção natural, salienta Stefánsson: “Poder-se-ia defender que o que é mau para a próxima geração é bom para o futuro da nossa espécie."

 

 

Saber mais:

Telomerase reverte o processo de envelhecimento

Livrar o óvulo de mitocôndrias mutantes 

A origem das mutações deletérias

Evolução humana continua activa

 

Clique para ajudar!

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2012


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com