2012-08-25

Subject: Conflitos intergeracionais estimularam evolução da menopausa

 

Conflitos intergeracionais estimularam evolução da menopausa

 

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@ B. Maurer/Getty/NatureConflitos entre mulheres e as suas noras pode ser um factor na explicação de um quebra-cabeças evolutivo: a menopausa humana.

Os humanos, as baleias-piloto e as orcas são os únicos animais que se sabe deixarem de ser capazes de se reproduzir muito antes da sua morte. Em termos evolutivos, onde a transmissão dos nossos genes é a principal razão da vida, a menopausa permanece intrigante.

Mas agora, usando um grande conjunto de dados da Finlândia, os investigadores foram capazes pela primeira vez de testar uma hipótese, em que a competição entre diferentes gerações de mulheres em idade reprodutora não relacionadas entre si geneticamente pode ter promovido a evolução da menopausa.

Os resultados foram publicados na última edição da revista Ecology Letters.

Mirkka Lahdenperä, ecologista na Universidade de Turku na Finlândia, usou dados de registos meticulosos de nascimentos, casamentos e óbitos mantidos pela Igreja Luterana do país entre 1702 e 1908. 

À medida que analisavam os dados, os investigadores descobriram que as probabilidades de uma criança morrer aumentavam quando as sogras e as noras davam à luz por volta da mesma altura. Para as crianças das mulheres mais velhas, a sobrevivência caía 50% e para as crianças das noras para 66%. No entanto, se mães e filhas tivessem filhos por volta da mesma altura, a sobrevivência dessas crianças não era afectada.

Os resultados sugerem que seria benéfico a sogra deixar de ter filhos quando a nora entrava em jogo. “Ficámos surpresos por o resultado ser tão forte”, diz Andrew Russell, ecologista da Universidade de Exeter, Reino Unido, e parte da equipa. Ele sugere que talvez as sogras lutassem por comida para os seus filhos, em vez de colaborarem como mães e filhas fariam.

Outras teorias para explicar a menopausa incluem a hipótese da mãe, que sugere que as mulheres mais velhas têm uma maior probabilidade de morrer no parto, e a hipótese da avó, que sugere que os benefícios para a família quando as mulheres cuidam dos netos são uma razão evolutiva para permanecerem vivas depois da idade reprodutiva.

Usando um modelo de aptidão inclusiva, que conta o número de equivalentes genéticos passados de geração em geração, a equipa mostrou que quando mães e mulheres dos seus filhos tinham crianças ao mesmo tempo, havia uma forte selecção contra as mulheres permanecerem férteis após os 51 anos.

Os investigadores também deslindaram qual o contributo de cada uma das três hipóteses para as alterações na aptidão inclusiva. A hipótese do conflito e a hipótese da avó tiveram um contributo mais ou menos igual, enquanto a hipótese da mãe não teve efeito real. “O conflito reprodutor e as avós foram igualmente importantes", diz Russell.

 

Michael Cant, biólogo evolutivo na Universidade de Exeter, desenvolveu a teoria do conflito intergeracional juntamente com Rufus Johnstone, zoólogo na Universidade de Cambridge, Reino Unido, em 2008. Esta muito satisfeito por a sua teoria ter sido testada: “Estou abismado pela dimensão do efeito. O problema com a maior parte das ideias sobre a evolução da vida humana é serem tão difíceis de testar.” Ao incorporar as avós e o conflito para explicar a menopausa, "chega-se a um ponto onde faz sentido", diz ele.

No entanto, os efeitos estudados nos dados finlandeses não são os únicos factores possíveis a contribuir para a menopausa, diz Tom Kirkwood, que estuda o envelhecimento na Universidade de Newcastle, Reino Unido. Ele pensa que “a menopausa vai acabar por ter muitas possibilidades de explicação”, incluindo algumas fisiológicas. Por exemplo, para se continuarem a reproduzir após a actual idade da menopausa, os humanos precisariam de ovários maiores, que pudessem produzir óvulos viáveis mais tempo.

Há muito trabalho pela frente, diz Cant. “Por que razão a menopausa está definida de forma tão inflexível? Por que não desenvolvemos a capacidade de desligar a reprodução de forma flexível?"

Russell concorda que muitos mais testes serão necessários para perceber a menopausa mas não apenas pela ciência fundamental. “Se um dia estivermos a considerar a possibilidade de reverter a menopausa medicamente, a compreensão das implicações desta acção exigem a compreensão do que nos levou a ela em primeiro lugar."

 

 

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