2012-08-20

Subject: Florestas atlânticas brasileiras perdem espécies-chave

 

Florestas atlânticas brasileiras perdem espécies-chave

 

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@ Natura Stock/FLPA/NatureAs extinções de mamíferos nas florestas atlânticas brasileiras estão a ocorrer pelo menos com o dobro da velocidade que tinha sido estimada, de acordo com o último senso da região.

Jaguares, tapires, macacos-aranha e papa-formigas gigantes estão praticamente ausentes das florestas nordestinas brasileiras, que se contam entre os ecossistemas tropicais mais antigos e ameaçados do planeta. A avaliação mostra ainda que o pecari de lábios brancos, um parente dos porcos,  já foi completamente dizimado na zona.

O estudo, realizado por uma equipa de ecologistas brasileiros e ingleses, focou-se nas populações de 18 espécies de mamíferos em 196 fragmentos de floresta, numa área de mais de 250 mil quilómetros quadrados.

Os investigadores estimaram a densidade populacional dos mamíferos desde os tempos anteriores à chegada dos colonos europeus, há cerca de 500 anos, assumindo que todas as 18 espécies se encontravam por toda a área original da floresta. Seguidamente, compararam os dados do seu senso com essas estimativas.

Os resultados sugerem que das 3528 populações que se estima tenham vivido originalmente na zona, apenas 767 (21,7%) permanecem na actualidade. Apenas três espécies, duas de macacos pequenos e uma de armadillo, ainda podem ser encontradas por toda a região.

Estudos com modelos realizados na década de 1960 tinham sido muito mais optimistas. Esses modelos antigos não previram ameaça para entre 47% a 83% de todas as populações de mamíferos nas florestas nordestinas, assumindo que os fragmentos de floresta não se reduziam em dimensão.

Segundo Gustavo Canale, zoólogo na Universidade Estadual de Mato Grosso (UNEMAT) em Tangará da Serra, que liderou o estudo, mesmos os maiores pedaços de floresta estão praticamente vazios de mamíferos, um sintoma da saúde geral do ecossistema. “Tentar prever a presença destas espécies apenas analisando a dimensão do fragmento florestal não funciona para as florestas atlânticas nordestinas", explica Canale.

A floresta atlântica já se estendeu do norte do Brasil à Argentina e quase até à floresta tropical amazónica a oeste. É lar de várias espécies únicas mas durante os últimos cinco séculos os ranchos, plantações de cana-de-açúcar, caça e abate de árvores destruíram perto de 90% da floresta. O que resta está fragmentada e com o coberto degradado, restando apenas 1% da sua área original na Argentina.

Estimativas das populações ancestrais de mamíferos foram baseadas na relação entre a área da floresta e a sua capacidade de suportar várias espécies, que depende da disponibilidade de alimento, por exemplo. Mas esses estudos não tiveram em conta os efeitos sinergéticos da perda de habitat, fogos, expansão urbana e caça nas florestas fragmentadas. Mesmo populações de espécies que sobreviveriam em florestas fragmentadas acabam por desaparecer em resultado destes impactos múltiplos, explica Canale.

 

Canale e os seus colegas passaram dois anos deslocando-se através de estradas de terra em três estados brasileiros para entrevistar as populações locais sobre a presença de grandes mamíferos. “Na maioria dos locais, jaguares, tapires, macacos-aranha-lanudos e pecaris de lábios brancos já nem eram recordados", diz Canale.

As populações de mamíferos saíram-se melhor nas zonas oficialmente protegidas, como parques nacionais, onde os fragmentos de floresta eram grandes e a caça proibida. Mas aquelas que viviam em fragmentos localizados em propriedades privadas, cujos donos são obrigados pela lei brasileira a manter, não se safaram melhor do que as de locais da mesma dimensão não protegidos. Por outras palavras, os proprietários privados nordestinos caçam ou fecham os olhos à caça.

“O que precisamos é que grandes áreas protegidas estejam rodeadas por paisagens que permitam o fluxo genético e isso só funcionará se as reservas legais e as florestas em terreno privado forem na prática protegidas”, diz Jean Paul Metzger, ecologista da Universidade de São Paulo, que não esteve envolvido no estudo.

O Código Florestal foi alterado pelo Congresso brasileiro em Abril, depois de anos de pressões dos poderosos grandes agricultores para enfraquecer a protecção das florestas. A lei foi parcialmente vetada pela presidente Dilma Rousseff, mas voltou ao Congresso, onde o grupo de pressão da agricultura tem estado a tentar aumentar o seu poder de abate a zonas em redor de rios. O voto final deve ser no final de Agosto.

“A nova lei não estimula a desflorestação explicitamente mas também não impõe a restauração da floresta”, diz Metzger. “Isso significa que as áreas protegidas vão provavelmente permanecer isoladas, que levará a mais extinções no futuro."

 

 

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