2012-08-15

Subject: O efeito mortífero do El Niño

 

O efeito mortífero do El Niño

 

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@ Reuters/Corbis/Nature

Uma ligação inesperada entre o evento climático conhecido por El Niño e a subida do número de óbitos no sudeste asiático foi agora revelada num estudo publicado na revista Nature Climate Change.

Os eventos El Niño, que deslocam águas quentes para o Pacífico este e levam águas frias para a zona da Indonésia, exercem o seu efeito suprimindo as chuvas da monção que normalmente atenuam a utilização do fogo como ferramenta de limpeza dos solos para a agricultura. A poluição adicional daí resultante pode ser responsável por até 15 mil mortes em anos de El Niño, refere o estudo.

“Geralmente pensamos na desflorestação e nos fogos em termos de emissões globais de carbono mas estamos agora a observar este impacto regional também na saúde pública”, diz Miriam Marlier, estudante de pós-graduação no Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Colúmbia em Palisades, Nova Iorque, que liderou o estudo.

O trabalho focou-se numa zona onde vivem 540 milhões de pessoas, estendendo-se da Indonésia às Filipinas, Vietname e Tailândia. Marlier usou estimativas de emissões derivadas de observações de satélite realizados entre 1997 e 2006, que introduziram em dois modelos da química atmosférica para analisar a poluição do ar na região.

Durante o forte El Niño de 1997, a análise revelou um pico na quantidade de partículas finas na atmosfera, excedendo os standards de qualidade do ar recomendados pela Organização Mundial de Saúde em 300% durante cerca de 200 dias do ano. Também houve um aumento do nível de ozono e do smog no mesmo período.

 

Pelo contrário, quando o evento La Niña ocorreu em 2000, levando ao reforço das monções por acção da presença de águas quentes, o nível de partículas de carbono foi 98% inferior ao de 1997. A poluição é pior sobre a Indonésia e Malásia mas também se estende para o interior do continente.

Os investigadores calculam que o aumento da poluição atmosférica nos anos de El Niño tenha um custo elevado na população. As partículas de carbono, que contribuem para as doenças cardíacas, terão o maior efeito, causando entre 6800 e 14300 mais mortes. O ozono será responsável por ainda mais 2300 a 5900 mortes.

O estudo reúne dados díspares para oferecer uma perspectiva nova sobre os efeitos da desflorestação na saúde humana, diz Guido van der Werf, que estuda as emissões globais resultantes de fogos na Universidade VU Amesterdão, e que não esteve envolvido no estudo. “Espero que estes resultados desencadeiem de alguma forma uma reacção nos que estão mais expostos à má qualidade do ar." A boa notícia, acrescenta ele, “é que se estes fogos são causados pelo Homem, em princípio podem ser evitados".

Drew Shindell, co-autor do estudo e modelador no Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA em Nova Iorque, refere ter ficado surpreendido pelo enorme papel que os fogos desempenharam na qualidade do ar. Apesar de muitas das queimadas terem lugar em Sumatra e no Bornéu, os efeitos são notórios mesmo em grande cidades como Singapura e Kuala Lumpur. “Não fiquei surpreso com o grande impacto nas áreas rurais mas afinal a influência destes fogos foi tão grande que até as áreas urbanas sofreram com isso." 

 

 

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