2012-08-10

Subject: Fósseis indicam uma grande família de ancestrais humanos

 

Fósseis indicam uma grande família de ancestrais humanos

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/F. SpoorCrânios fossilizados mostram que existiram pelo menos três espécies do género Homo no período entre há 1,7 e 2 milhões de anos, decidindo um debate de longa data na paleoantropologia.

Um estudo publicado esta semana na revista Nature foca-se no Homo rudolfensis, um hominídeo de face relativamente achatada e que foi o primeiro a ser identificado a partir de um único grande crânio em 1972. 

Vários outros fósseis com crânios grandes tinham vindo a ser atribuídos à mesma espécie desde então mas nenhum incluía a face e a mandíbula inferior. Esta questão era problemática pois em paleoantropologia as faces e as mandíbulas funcionam como impressões digitais na identificação das espécies.

Sem o crânio completo, tem sido difícil chegar a consenso sobre se os espécimes atribuídos ao H. rudolfensis eram genuinamente membros de uma espécie distinta ou se pertenciam a outra espécie do género Homo que viveu por volta da mesma altura, como o Homo habilis ou o Homo erectus. A compreensão de quantas espécies do género Homo existiram e se ainda sobrevivem, ajudaria a determinar se a história da linhagem humana foi feita através de feroz competição entre múltiplos hominídeos ou se houve uma sucessão de uma espécie para outra.

Os últimos resultados dissiparam grande parte desta incerteza. 

O estudo diz respeito a três fósseis, duas mandíbulas inferiores e uma face inferior juvenil, que foram descobertos numa zona desértica chamada Koobi Fora, no norte do Quénia. A equipa de investigadores que os recolheu, liderada por Meave Leakey, paleontóloga do Instituto Turkana Basin de Nairobi, descreve como a arcada dentária é quase rectangular, tal como a estrutura do palato do crânio de 1972. A boca do Homem moderno tem uma arcada dentária curva.

Mais evidências vêm da face do juvenil, que alegadamente apresenta os ossos das faces unidos ao palato bastante à frente. “Foi um entusiasmo prolongado ver a face do juvenil sair do seu caixote e as suas semelhanças com o espécime de 1972 a ficarem cada vez mais definidas”, recorda Leakey.       

Ainda assim, as descobertas dos investigadores deixam mais questões que respostas.

Um espécime de mandíbula inferior, baptizado KNM-ER 1802 e largamente considerado como pertencente a um H. rudolfensis, parece ter uma arcada dentária mais arredondada que estes últimos fósseis. Isto levou Leakey a propor que o KNM-ER 1802 pertence a uma espécie diferente de Homo, possivelmente H. habilis. Mas até que mais ossos de H. habilis sejam descobertos, a equipa não pode ter a certeza. “Pode ser um Homo habilis, mas também pode ser outra espécie”, diz Bernard Wood, paleontólogo da Universidade George Washington em Washington DC.  

 

Com até quatro espécies no género Homo (H. rudolfensis, H. habilis, H. erectus e seja lá o que o KNM-ER 1802 se venha a revelar ser) a coexistir num mesmo período da história evolutiva, os investigadores interrogam-se de que forma os diferentes hominídeos se terão comportado na companhia uns dos outros.

“Como a datação geológica é tão rude, ainda não temos certezas absolutas sobre se estas espécies estiveram nos mesmos locais ao mesmo tempo", diz Wood. "Mesmo assim, é perfeitamente possível que tenham interagido, e se tal foi verdade, caramba!, como gostaríamos de saber como eram essas interacções."

No entanto, Tim White, paleontólogo da Universidade da Califórnia, Berkeley, defende que Leakey e os seus colegas estão a por o carro à frente dos bois. “Como podem conhecedores e praticantes neste campo esperar ser capaz de identificar rigorosamente uma espécie fóssil com base em alguns dentes, mandíbulas e faces inferiores à luz do que sabemos acerca da grande variação que existe entre os indivíduos de uma mesma espécie?"

Leakey mantém a sua visão: “Desafiaria o Tim a encontrar qualquer primata em que pudesse observar o mesmo grau de variação como o que observamos entre o nosso novo fóssil e o KNM-ER 1802."

 

 

Saber mais:

Descoberta nova espécie ancestral do Homem

Revelado esqueleto mais antigo de hominídeo

Gorila fóssil antecipa o nosso ancestral comum

Crânio reacende debate sobre Homo erectus

 

Clique para ajudar!

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2012


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com