2012-08-08

Subject: Aquecimento global culpado pelas ondas de calor

 

Aquecimento global culpado pelas ondas de calor

 

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@ M. MOHADJERIN/THE NEW YORK TIMES/REDUX/EYEVINE/ NATURE

O climatologista da NASA James Hansen fez manchetes durante a onda de calor de 1988 no Estados Unidos ao declarar no Congresso e em entrevistas televisivas que a acumulação de gases de efeito de estufa estava a aumentar a probabilidade de extremos climáticos.

Agora, com grande parte dos Estados Unidos debaixo de mais um Verão tórrido e os estados do Midwest a braços com uma seca histórica, Hansen, director do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA em Nova Iorque, alega que o futuro que previu já chegou.

“Os dados climáticos estão num tal grau que uma pessoa perspicaz e com idade suficiente para se lembrar do clima entre 1951 e 1980 é capaz de reconhecer a existência das alterações climáticas, especialmente no Verão”, escreve ele num artigo intitulado ‘Percepção das alterações climáticas', publicado a 6 de Agosto.

Apenas alguns dias antes, a 1 de Agosto, senadores republicanos contestaram perante os cientistas climáticos líderes a existência de aquecimento global antropogénico numa audiência em Washington DC, sublinhando a teimosa divisão política sobre o clima. Tal como fez há 24 anos, Hansen mergulhou no debate, antecipando a publicação do seu estudo com um artigo de opinião no The Washington Post.

A equipa de Hansen usou os registos de temperaturas sazonais de 1951 a 1980, um período relativamente do ponto de vista climático, como base, e seguidamente analisou a frequência e escala das anomalias de temperatura subsequentes. Em média, conclui, o planeta aqueceu apenas 0,5 a 0,6°C desde essa altura mas a alteração teve um impacto significativo em muitas zonas do globo.

Verões extremamente quentes, definidos como cerca de 3,5°C mais quentes que a média, afectaram cerca de 10% das áreas continentais desde 2006, uma ordem de magnitude mais elevado do que durante o período de 1951 a 1980.

O estudo não é o primeiro a revelar a ligação entre o aquecimento global e os extremos climáticos mas vai muito mais além que os seus antecessores ao concluir que os gases de efeito de estufa por si sós são responsáveis pelos Verões quentes e pelas ondas de calor. “A probabilidade de estes eventos terem ocorrido sem aquecimento global é minúscula", diz Hansen.

Uma sondagem feita por investigadores da Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, e da Universidade George Mason em Fairfax, Virginia, sugere que a maioria dos americanos aceita a ligação entre o tempo quente e o aquecimento global mas a afirmação de Hansen está a causar fortes tempestades entre os cientistas.

 

Martin Hoerling, meteorologista da National Oceanic and Atmospheric Administration em Boulder, Colorado, apelida o artigo de Hansen de “editorial alongado”, argumentando que os registos climáticos alargados não apoiam a ligação a ondas de calor individuais. No ano passado, Hoerling foi co-autor de um artigo sugerindo que a seca de 2010 na Rússia estava tão longe do tempo normal que a pequena subida da temperatura global não poderia ser por ela responsável. Ele considera que a variabilidade natural pode explicar a maioria dos extremos e que o aquecimento global apenas os acentua.

Hansen salienta que o seu estudo é apenas estatístico e que não tenta explicar a forma como as alterações climáticas podem causar os Verões extremamente quentes. Kevin Trenberth, climatologista do Centro Nacional de Investigação Atmosférica (NCAR) em Boulder, refere que as estatísticas de Hansen ilustram uma tendência que deve ajudar as pessoas a compreender o aquecimento global e o profundo efeito que o Homem tiveram no sistema climático. “Nunca se deve apenas ao Homem, nem nunca é, hoje em dia, apenas variabilidade natural.”

Num artigo publicado na revista Geophysical Research Letters, Trenberth investiga os mecanismos físicos que conduziram alguns dos eventos climáticos extremos de 2010. Usando um modelo climático desenvolvido no NCAR, a equipa investigou ligações entre um par de eventos El Niño e La Niña (em que águas superficiais quentes ou frias, respectivamente, se acumulam no leste do Pacífico) e eventos climáticos como as monções asiáticas mais fortes e as secas russas e amazónicas. Apesar de pensar que o aquecimento global pode ter tido um papel nestes eventos extremos, Trenberth refere que os modelos climáticos ainda não foram capazes de descobrir os detalhes.

“Os modelos têm grande dificuldade em fazer bem os extremos”, diz Trenberth, mas ao mesmo teme que, por causa dos poucos dados disponíveis para extremos climáticos e pela inadequação dos modelos, algumas pessoas tirem as conclusões erradas: “que não existe qualquer influência humana”.

 

 

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