2004-05-10

Subject: Austrália tinha abundância de grandes predadores 

News of the Wild

 

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Austrália tinha abundância de grandes predadores 

 

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Há já mais de 10 anos que a teoria de que os solos pobres restringiram o tamanho e a diversidade dos predadores de sangue quente australianos, mas Stephen Wroe e seus colegas compararam a Austrália com a América do Sul de há 25 M.a. para demonstrar esta teoria não passa de um mito. 

Para comprovar as suas ideias, citam a presença de cangurus assassinos e leões marsupiais. Outros predadores do passado australiano incluem 13 tipos de tigres da Tasmânia e numerosos novos fósseis, que aumentam grandemente a lista de espécies conhecidas. 

Na realidade, se tivermos em atenção o seu tamanho e isolamento, a Austrália estava muito bem fornecida de grandes predadores mamíferos, explica Wroe, da School of Biological Sciences da Universidade de Sydney. 

Foi um livro de 1994, The Future Eaters, que popularizou a ideia de que os números aparentemente baixos e pequenas dimensões dos mamíferos australianos podiam ser atribuídos à falta de alimentos. Os solos pobres em nutrientes do continente, alegava-se na obra, restringiam o crescimento vegetal, levando a herbívoros de pequeno porte e impedia o crescimento dos carnívoros que deles se alimentavam. 

A teoria era intuitiva e apelativa, refere Wroe, mas nunca foi realmente apoiada pela ciência quantitativa pura. Agora, a equipa de Wroe testou a ideia examinando os resultados de uma gigantesca "experiência natural", o período de isolamento da América do Sul que decorreu antes de ter colidido com a América do Norte há 3 M.a. 

Durante dezenas de milhões de anos, a grande massa terrestre da América do Sul teve condições em tudo semelhantes às da Austrália e ambas foram dominadas por um leque espectacular de bizarros predadores marsupiais. A América do Sul, por exemplo, teve um tigre dente de sabre marsupial, do tamanho de um jaguar mas com presas de 15 cm de comprimento. 

A equipa de Sydney escreve que a diversidade e o tamanho dos carnívoros das duas grandes massas de terra foram essencialmente os mesmos durante 22 M.a. A situação apenas muda quando os continentes americanos se juntam e novos predadores se deslocam para sul a partir da América do Norte. 

E estes eram alguns dos piores animais que já pisaram a Terra, explica Wroe. Existiam pelos menos 3 espécies de felinos com mais de 300 Kg, um urso com 600 a 700 Kg, animais gigantescos. Assim, o tamanho e a diversidade na América do Sul são espantosas. 

 

No entanto, segundo o estudo da equipa de Sydney dos dados disponíveis que a Austrália terá tido o mesmo tipo de variedade de carnívoros de sangue quente que seria de esperar num continente com o seu tamanho relativamente reduzido e isolado. 

Quanto menor e mais isolado for o continente, menos espécies terá, pois tudo se reduz a taxas de imigração e extinção, bem como a taxa de evolução de novas espécies na zona, explica Wroe.

A baixa produtividade de certeza que teve um papel na definição da diversidade mas não terá sido o factor crucial. Os grandes e terríveis carnívoros sempre foram raros em todos os continentes: nos últimos 65000 anos, só perto de 45 espécies excederam os 2,5 Kg a nível global. 

Apesar de apenas representar cerca de 6% da massa de terra do planeta, mais de 10% destes australianos eram grandes, peludos e dentes afiados, diz Woe. 

O Dr. Flannery, autor do livro "The future Eaters" considera que a análise de Wroe contém dados interessantes mas falha, do seu ponto de vista, em remover o solo empobrecido como motor principal da evolução na zona. 

O meu livro vai buscar dados a muitas áreas, comprovando que apenas existe uma espécie de cada grande grupo (canídeos, felídeos e necrófagos), enquanto noutros continentes existem, de modo geral, mais do que uma. Para além disso, pareceu-me que os carnívoros australianos eram mais pequenos do que seria de esperar para o tamanho do continente em que viviam, conclui. 

O Dr. Flannery considera um dos principais pontos fracos da teoria de Wroe o facto de não terem sido realizadas análises aos solos da América do Sul. 

 

 

Saber mais:

When birds ate horses

Dr. Stephen Wroe

South Australian Museum

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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