2012-08-02

Subject: Por que razão levantam suspeitas os grandes feitos olímpicos?

 

Por que razão levantam suspeitas os grandes feitos olímpicos?

 

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@ L.Neal /AFP/Getty Images/NatureQual é o limite da velocidade? A questão anda à volta da nadadora chinesa Ye Shiwen depois da adolescente de 16 anos ter batido o recorde mundial feminino nos 400 metros estilos no sábado passado.

No rescaldo da prova, alguns peritos em natação questionaram se a vitória de Ye não teria sido o resultado de substâncias de promoção do desempenho.

Ela nunca testou positivo para substâncias proibidas e o Comité Olímpico Internacional declarou na terça-feira que o seu teste após a prova também foi limpo. 

O debate daí resultante tem sido manchado por notas raciais e políticas mas muito pouca ciência, pelo que a revista Nature examinou as possibilidades de o historial de um atleta e os limites da fisiologia humana poderão ser usados para apanhar os atletas dopados.

O desempenho de Ye foi anómalo?

Sim. O seu tempo nos 400 metros estilos foi mais de 7 segundos mais rápido do que o seu tempo na mesma prova num encontro internacional realizado em Julho mas o que realmente fez franzir as sobrancelhas foi o seu rompante nos últimos 50 metros, onde nadou mais rápido que o nadador americano Ryan Lochte quando ganhou a medalha de ouro nos 400 metros estilos masculinos no sábado, com o segundo melhor tempo de sempre.

Mas um teste limpo durante a competição não elimina a possibilidade de dopagem?

Não, diz Ross Tucker, fisiologista do exercício físico na Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul. É muito mais provável que os atletas se dopem durante o treino, quando os testes são menos rigorosos. “Todos passam nos Jogos Olímpicos, quase ninguém chumba nos testes em competição", diz Tucker.

Os testes fora de competição têm maior probabilidade de apanhar os dopados mas não é exequível testar todos os atletas de elite regularmente. Seguir os atletas ao longo de todo o ano permitiria assinalar desempenhos anómalos e ajudaria as autoridades antidopagem a utilizar os seus recursos mais eficientemente, diz Yorck Olaf Schumacher, fisiologista do exercício físico na Faculdade de Medicina de Freiburgo, Alemanha e co-autor do artigo de 2009 onde se propunha a utilização de perfis de desempenho como ferramenta antidoping. “Penso que é uma boa e barata maneira de reduzir um grupo de atletas apenas aos suspeitos, pois, afinal, o resultado do doping é um desempenho superior."

O 'passaporte biológico', que mede as características sanguíneas em busca de provas fisiológicas de doping, funciona de maneira semelhante à do perfil de desempenho (veja 'Racing just to keep up'). Depois de ser introduzido em 2008, as autoridades do ciclismo identificaram irregularidades sanguíneas em António Colom, ciclista espanhol, em quem testes mais afinados revelaram evidências da hormona proibida eritropoietina (EPO) em 2009.

 

Como poderia o desempenho ser usado para apanhar os dopados?

As autoridades antidoping precisam de uma maneira melhor de assinalar os desempenhos anómalos ou padrões de resultados, diz Schumacher. Para o fazer, os investigadores do desporto precisam de criar bases de dados que, modalidade a modalidade e evento a evento, registem o progresso dos atletas com a idade e a experiência. Registos longitudinais do desempenho dos atletas seriam depois introduzidos em modelos estatísticos para determinar a probabilidade de nadarem ou correrem demasiado depressa, dados os seus resultados anteriores e os limites da fisiologia humana.

O biatlo olímpico, um desporto de Inverno que combina o esqui em corta-mato e o tiro ao alvo, aderiu ao perfil de desempenho. Num projecto piloto, cientistas da União Internacional de Biatlo em Salzburgo, Áustria, e a Universidade de Ferrara, Itália, desenvolveram um programa que analisou retroactivamente o sangue e os dados do desempenho de 180 biatletas ao longo de seis anos, para identificar quais os mais provavelmente dopados. A federação de biatlo usa actualmente o software para escolher os atletas a ser alvo de testes.

Poderia, então, um atleta ser penalizado apenas por ter um desempenho acima da média?

“Isso seria injusto”, diz Tucker. “O veredicto final só poderá ser alcançado através de testes, tem que ser.” Nos últimos anos, as autoridades do ciclismo processaram com sucesso atletas através de perfis sanguíneos anómalos, mesmo quando substâncias proibidas como a EPO não foram encontradas. Mas o desempenho está demasiado distante de tomar uma qualquer substância proibida e é influenciado por muitos factores externos para condenar alguém por doping, diz Tucker. “Quando olhamos para esta atleta chinesa que quebra recordes mundiais, não é prova de nada, apenas levanta uma ou dias questões.”

 

 

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